O HMS Warrior é o primeiro ironclad que foi operado pela Marinha Real Britânica e a primeira embarcação da Classe Warrior, seguido pelo HMS Black Prince. Sua construção começou em agosto de 1859 nos estaleiros da Thames Ironworks and Shipbuilding Company em Londres e foi lançado ao mar em dezembro de 1860, sendo comissionado na frota britânica em agosto do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por 26 canhões de 206 milímetros, tinha um deslocamento de pouco mais de nove mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de catorze nós.
O Warrior e seu irmão foram encomendados como uma resposta ao francês Gloire, o primeiro ironclad do mundo. O navio teve uma carreira tranquila e sem grandes incidentes, passando a maior parte de seu serviço realizando realizando atividades de rotina, como cruzeiros pelo Oceano Atlântico e participações de eventos cerimoniais. A embarcação já estava começando a ficar obsoleta apenas dez anos depois de entrar em serviço e acabou sendo colocada na reserva em abril de 1875. Passou a ser usado em funções secundárias até ser finalmente descomissionado em maio de 1883.
A embarcação depois disso teve seus mastros e armas removidas, sendo usado primeiro como um depósito flutuante e posteriormente como uma instalação da escola de torpedos da Marinha Real. Foi descartado em 1925 e transformado em um molhe de petróleo dois anos depois, função que exerceu até 1979. O Warrior em seguida foi doado para A Fundação Marítima e restaurado no decorrer de oito anos, com muitos de seus elementos e equipamentos sendo restaurados ou reproduzidos. Foi inaugurado como navio-museu em julho de 1987 no Estaleiro Histórico de Portsmouth.
A Marinha Imperial Francesa lançou em 1850 o navio de linha a vapor Napoléon, iniciando uma corrida armamentista com a Marinha Real Britânica. Alguns anos depois, as Batalhas de Sinope e Kinburn na Guerra da Crimeia demonstraram, respectivamente, as desvantagens de navios com casco de madeira e vantagens de embarcações blindadas com ferro. Estudos apoiaram essas conclusões, assim os franceses lançaram em 1859 o Gloire, o primeiro ironclad oceânico, o que desestabilizou o equilíbrio de poder ao neutralizar o investimento britânico em navios de linha de madeira. Isto causou temores de invasão, pois a Marinha Real não tinha embarcações que poderiam fazer frente ao Gloire e seus irmãos. A rainha Vitória chegou a perguntar ao Almirantado se a Marinha Real era capaz de desempenhar as tarefas que deveria realizar em tempos de guerra.
A Classe Warrior foi encomendada como resposta aos desenvolvimentos franceses. O Almirantado inicialmente especificou que os navios deveriam ser capazes de alcançar quinze nós (28 quilômetros por hora) e terem um aparelho completo para navegarem ao redor do mundo. Construção com ferro foi escolhida pois proporcionava o melhor equilíbrio entre velocidade e proteção; um casco de ferro era mais leve do que um de madeira do mesmo tamanho e formato, dando mais capacidade para canhões, blindagem e motores. O projeto foi elaborado por Isaac Watts e Thomas Lloyd, respectivamente o Chefe de Construção e Engenheiro Chefe da Marinha Real. Eles copiaram o projeto do casco da fragata de madeira HMS Mersey com o objetivo de minimizar riscos, modificando-o para a construção com ferro e para acomodar uma cidadela blindada à meia-nau no convés dos canhões, protegendo assim a maior parte do armamento. Navios com essa configuração de canhões e blindagem ficaram conhecidos como ironclads de bateria lateral.
O projeto dos dois ironclads da Classe Warrior usou muitas tecnologias estabelecidas e provadas que já estavam sendo usadas em navios oceânicos há anos, incluindo o casco de ferro, motor a vapor e hélice, com apenas sua blindagem feita de ferro forjado sendo um grande avanço tecnológico. O historiador e arquiteto naval David K. Brown escreveu que "O que fez do [Warrior] uma verdadeira novidade foi o modo em que esses aspectos individuais foram misturados, fazendo dele o maior e mais poderoso navio de guerra no mundo". O Almirantado paralisou a construção de todos os navios de linha de madeira e pelos anos seguintes encomendou mais onze ironclads. John Fisher, posterior Primeiro Lorde do Mar e que serviu como tenente de artilharia no Warrior entre 1863 e 1864, escreveu décadas depois que na época que a embarcação entrou em serviço "Certamente não foi apreciado que este, nosso primeiro navio de guerra blindado, causaria uma mudança fundamental no que estava em voga por algo próximo de mil anos".
O Gloire tinha a intenção de substituir os navios de linha de madeira, mas a Classe Warrior foi projetada como fragatas blindadas de quarenta canhões, não com a intenção de lutar na linha de batalha, pois o Almirantado estava inseguro se eles seriam capazes de aguentar disparos concentrados de navios de linha com dois e três conveses. Diferentemente do Gloire, a intenção para o Warrior e seu irmão HMS Black Prince era para que fossem rápidos o bastante para forçar batalha de uma frota inimiga e controlar a distância em que a batalha fosse travada. Enquanto o Gloire tinha um perfil quadrado, o Warrior tinha uma proa clipper, mas era duas vezes mais comprido que um clipper tradicional.
O Warrior tem 115,9 metros de comprimento entre perpendiculares e 128 metros de comprimento de fora a fora. Tem uma boca de 17,8 metros e um calado de 8,2 metros. Seu deslocamento é de 9 284 toneladas, enquanto sua arqueação é de 6 109 toneladas de medida antiga. Seu comprimento fez com que fosse relativamente difícil de manobrar, dificultando que sua proa fortalecida fosse usada para abalroamentos, uma tática antiga que estava voltando a ser usada em meados do século XIX. O casco é subdividido em 92 compartimentos por anteparas estanques transversais e conveses, tendo um fundo duplo sob as salas de máquinas e caldeiras.
O sistema de propulsão do Warrior consistia originalmente de um motor a vapor de tronco com dois cilindros fabricado pela John Penn and Sons e que girava uma hélice. O vapor para o motor era produzido por dez caldeiras retangulares a carvão. Durante testes marítimos em 1º de abril de 1868, esse sistema produziu 5 853 cavalos-vapor (4 304 quilowatts) de potência para uma velocidade máxima de 14,04 nós (26,08 quilômetros por hora) sem o uso de velas. A embarcação podia carregar até 867 toneladas de carvão, suficiente para uma autonomia de 2,1 mil milhas náuticas (3,9 mil quilômetros) a onze nós (vinte quilômetros por hora).
O navio tinha 4 497 metros quadrados velas, podendo alcançar treze nós (24 quilômetros por hora) apenas com elas, dois nós (3,7 quilômetros por hora) a mais do que o Black Prince. Tinha quando entrou em serviço a maior hélice de elevação já feita com 26 toneladas, com seiscentos homens podendo elevá-la para dentro do navio a fim de reduzir o arrasto enquanto navegava apenas com velas. Como medida adicional para reduzir o arrasto, as duas chaminés eram telescópicas e podiam ser abaixadas. O Warrior certa vez alcançou 17,5 nós (32,4 quilômetros por hora) usando seu motor e suas velas enquanto navegava contra a maré.
Foi originalmente planejado que o armamento fosse de quarenta canhões antecarga de 68 libras, dezenove em cada lateral do convés principal e um à vante e outro à ré no convés superior. As armas eram de 206 milímetros, mas disparavam pelouros de 201 milímetros a uma distância de 2,9 quilômetros. O armamento foi alterado durante a construção para 26 canhões de 68 libras, dez canhões retrocarga Armstrong de 110 libras e 178 milímetros e quatro canhões retrocarga Armstrong de 40 libras e 121 milímetros. Tinha sido planejado substituir todas as armas de 68 libras pela de 110 libras, que tinha um alcance de 3,5 quilômetros, mas isto foi abandonado por conta de resultados ruins em testes de penetração de blindagem. Esses canhões exigiam muito trabalho para carregar e disparar, consequentemente só eram usados com uma carga de propelente reduzida, o que os deixava ineficazes contra outros ironclads.