O HD 209458 b, também conhecido como Osíris, é um exoplaneta que orbita uma estrela semelhante ao sol, denominada HD 209458 na constelação de Pegasus, a cerca de 150 anos-luz do sistema solar. O raio da órbita do planeta é de 7 milhões de quilômetros, cerca de 0,047 unidades astronômicas, ou um oitavo do raio da órbita de Mercúrio. Este pequeno raio resulta em um ano equivalente a 3,5 dias terrestres e uma temperatura superficial estimada de cerca de 1 000 °C. Sua massa é 220 vezes maior que a da Terra (0,69 da massa de Júpiter) e seu volume é de cerca de 2,5 vezes maior que o de Júpiter. A grande massa e volume do planeta Osíris sugere que ele pertença à classe dos gigantes gasosos.
O HD 209458 b representa um marcos na pesquisa extraplanetária, pois foi o primeira planeta de muitas categorias:
é um exoplaneta em trânsito astronômico;
foi o primeiro planeta descoberto no qual foram usados mais de um método de detecção;
foi o primeiro planeta extrassolar onde foi confirmada a presença de uma atmosfera;
é um exoplaneta onde foi observada uma atmosfera de hidrogênio em evaporação;
é um exoplaneta onde foram encontrados oxigênio e carbono em sua atmosfera;
foi um dos dois primeiros planetas extrassolares a ser diretamente observado por espectroscopia;
foi o primeiro gigante gasoso extrassolar a ter uma super tempestade medida;
foi o primeiro planeta a ter sua velocidade orbital medida, determinando sua massa diretamente.
Com base na aplicação de novos modelos teóricos, a partir de abril de 2007, Osíris tornou-se o primeiro exoplaneta onde foi detectado vapor d'água em sua atmosfera.
Em julho de 2014, a NASA anunciou ter detectado uma atmosfera muito seca em Osíris e em outros dois exoplanetas (HD 189733 b e WASP-12b) que orbitam estrelas semelhantes ao Sol.
Estudos espectroscópicos revelaram pela primeira vez a presença de um planeta em torno da estrela HD 209458 em 5 de novembro de 1999. Os astrônomos haviam feito medições fotométricas cuidadosas de várias estrelas conhecidas por serem orbitadas por planetas, na esperança de que pudessem observar uma diminuição no brilho estelar causada pelo trânsito de um planeta através da face da estrela. Isso exigiria que a órbita do planeta fosse inclinada de tal forma que passasse entre a Terra e a estrela, e anteriormente nenhum trânsito havia sido detectado.
Logo após a descoberta da técnica, equipes separadas, uma liderada por David Charbonneau, incluindo Timothy Brown e outros, e a outra por Gregory W. Henry, foram capazes de detectar a movimentação de um planeta através da superfície da estrela, tornando este o primeiro objeto extrassolar em trânsito já descoberto. Em 9 e 16 de setembro de 1999, a equipe de Charbonneau mediu uma queda de 1,7% no brilho da HD 209458, que foi atribuído à passagem de um planeta através da face da estrela. Em 8 de novembro, a equipe de Henry observou um trânsito parcial, inicialmente inseguro de seus resultados, o grupo de Henry decidiu apressar seus resultados para publicação depois de escutar rumores de que Charbonneau tinha visto com sucesso todo um trânsito em setembro. Os artigos de ambas as equipes foram publicados simultaneamente na mesma edição do Astrophysical Journal. Cada trânsito durava cerca de três horas, durante as quais o planeta cobre cerca de 1,5% da face da estrela.
A estrela foi observada muitas vezes pelo satélite Hipparcos, o que permitiu aos astrônomos calcular o período orbital do planeta HD 209458 b com precisão, cerca de 3,524736 dias.
Análises espectroscópicas mostraram que o planeta Osíris tinha uma massa de cerca de 0,69 vezes a massa de Júpiter. A ocorrência do trânsito astronômico permitiu que os astrônomos calculassem o raio do planeta, o que não era possível para nenhum exoplaneta conhecido anteriormente, e descobriu-se que ele tinha um raio cerca de 35% maior que o de Júpiter.
Em 22 de março de 2005, a NASA divulgou notícias de que a luz infravermelha do planeta havia sido medida pelo Telescópio Espacial Spitzer, foi a primeira detecção direta de luz de um planeta extrassolar. Essa medição foi feita subtraindo a luz constante da estrela-mãe e notando a diferença à medida que o planeta passava na frente da estrela e era eclipsado atrás dela, fornecendo uma medida da luz do próprio planeta. Novas medições desta observação determinaram a temperatura do planeta em pelo menos 750 °C. A órbita circular de HD 209458 b também foi confirmada.
Em 21 de fevereiro de 2007, a NASA e a Nature divulgaram notícias de que o HD 209458 b foi um dos dois primeiros planetas extra-solares a ter seus espectros observados diretamente, sendo o outro o planeta HD 189733 b. Um grupo de investigadores liderados por Jeremy Richardson, do Goddard Space Flight Center da NASA, mediu espectralmente a atmosfera de HD 209458 b na faixa de 7,5 a 13,2 micrômetros. Os resultados desafiaram as expectativas teóricas de várias maneiras. Previa-se que o espectro tivesse um pico a 10 micrômetros, o que teria indicado vapor d'água na atmosfera, mas esse pico estava ausente, indicando que não havia vapor d'água detectável. Outro pico imprevisível foi observado em 9,65 micrômetros, que os pesquisadores atribuíram às nuvens de poeira de silicato, um fenômeno nunca observado anteriormente. Outro pico imprevisível ocorreu em 7,78 micrômetros, para o qual os pesquisadores não tiveram uma explicação.