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H.D.

H.D. (pseudônimo de Hilda Doolittle; Bethlehem, Pensilvânia, 10 de setembro de 1886 – Zurique, Suíça, 27 de setembro de

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H.D. (pseudônimo de Hilda Doolittle; Bethlehem, Pensilvânia, 10 de setembro de 1886 – Zurique, Suíça, 27 de setembro de 1961) foi uma poetisa, romancista e memorialista estadunidense conhecida por ser membro do grupo dos poetas imagistas, ao lado de Ezra Pound e Richard Aldington.

H.D. nasceu em 1886 na Pensilvânia e se mudou para Londres em 1911, onde suas publicações lhe renderam um papel central dentro do então incipiente movimento imagista. Uma figura carismática, ela foi apadrinhada pelo poeta modernista Ezra Pound, que foi de grande importância na construção e consolidação de sua carreira. De 1916 a 1917, ela atuou como editora literária da revista The Egoist, ao passo em que sua poesia foi publicada em The English Review e The Transatlantic Review. Durante a Primeira Guerra Mundial, H.D. sofreu com a morte do irmão e com o fim de seu casamento com o poeta Richard Aldington; tais eventos influenciaram bastante sua poesia. Segundo Glenn Hughes, pesquisador sobre o imagismo, "sua solidão grita para fora de seus poemas". H.D. possuía um interesse profundo pela literatura da Grécia Antiga e sua poesia evocava temas emprestados da mitologia grega e dos poetas clássicos. Sua obra é conhecida por incorporar cenas e objetos naturais, que são utilizados para representar um sentimento ou estado de espírito particular.

A poetisa fez amizade com Sigmund Freud durante a década de 1930, e se tornou sua paciente com a finalidade de tentar entender e expressar sua bissexualidade. H.D. se casou apenas uma vez e teve vários relacionamentos heterossexuais e lésbicos. Ela não possuía remorsos quanto a sua sexualidade e acabou se tornando um ícone para os movimentos gay e feminista quando seus poemas, peças, cartas e ensaios foram redescobertos nas décadas de 1970 e 1980.

Hilda Doolittle nasceu na comunidade moraviana de Bethlehem, cidade localizada na região do vale Lehigh na Pensilvânia. Seu pai, Charles Doolittle, era um professor de astronomia na Universidade Lehigh e sua mãe, Helen Wolle, era uma moraviana com um grande interesse pela música. Em 1896, Charles Doolittle foi nomeado professor de astronomia na Universidade da Pensilvânia e a família se mudou para uma casa no município de Upper Darby, próximo à cidade da Filadélfia. Hilda frequentou a Friends' Central High School, na Filadélfia, nas ruas 15 e Race, se graduando em 1905. Em 1901, ela conheceu e fez amizade com Ezra Pound, que desempenharia papel proeminente em sua vida pessoal e profissional. Em 1905, Pound a presenteou com um maço de poemas românticos sob o sugestivo título de Hilda's Book.

No mesmo ano, Hilda passou a frequentar o Bryn Mawr College para estudar literatura grega, mas abandonou após apenas três períodos devido a suas notas baixas e sua saúde precária. Na faculdade, ela conheceu os poetas Marianne Moore e William Carlos Williams. Seus primeiros escritos publicados, algumas histórias para crianças, apareceram em The Comrade, jornal da Igreja Presbiteriana da Filadélfia, entre 1909 e 1913, a maioria deles sob o pseudônimo de Edith Gray. Em 1907 ela ficou noiva de Pound. Seu pai, no entanto, desaprovava a união e, à época da partida de Pound para a Europa em 1908, o noivado já tinha sido cancelado. Nesse período, H.D. começou um relacionamento com Frances Josepha Gregg, uma jovem estudante de arte na Academia da Pensilvânia de Belas Artes. Após passar parte de 1910 morando no bairro boêmio de Greenwich Village, em Nova Iorque, a poetisa viajou para a Europa com Gregg e a mãe desta em 1911. Na Europa, H.D. começou a levar mais a sério sua carreira de escritora. Seu relacionamento com Gregg esfriou e ela conheceu uma entusiasta da literatura chamada Brigit Patmore, com a qual teve um caso. Patmore apresentou H.D. a outro poeta, Richard Aldington.

Logo após chegar à Inglaterra, H.D. mostrou a Pound alguns dos poemas que havia escrito. A esta altura, Pound já havia começado a se encontrar com outros poetas no restaurante Eiffel Tower no Soho. Ele ficou impressionado com a semelhança dos poemas de H.D. com as ideias e princípios que debatia com Aldington, com quem planejava reformar a poesia da época através do uso de versos livres, de tanka e do cerramento e da concisão do haiku, com a remoção de todo o palavreado desnecessário. No verão de 1912 os três poetas se declararam "os três imagistas originais" e definiram seus princípios:

Tratamento direto da "coisa", seja subjetiva ou objetivamente;

Não usar absolutamente nenhuma palavra que não contribua para a apresentação;

Em relação ao ritmo: compor na sequência do verso musical, não na sequência de um metrônomo.

Durante um encontro com H.D. numa sala de chá perto do Museu Britânico naquele ano, Pound adicionou a assinatura H.D. Imagiste aos poemas dela, criando um rótulo que a poetisa manteve durante a maior parte de sua carreira de escritora. No entanto, H.D. contou diferentes versões desta história durante sua vida e também utilizou diferentes pseudônimos durante sua carreira. Naquele mesmo ano, Harriet Monroe fundou a revista Poetry e pediu que Pound atuasse como editor estrangeiro da publicação. Em outubro, ele apresentou seis poemas – três de H.D. e três de Aldington – sob a rubrica Imagiste. Os poemas de Aldington saíram na edição de novembro da revista e os poemas de H.D., "Hermes of the Ways", "Orchard" e "Epigram", na edição de janeiro de 1913. O imagismo foi enfim lançado como um movimento literário, tendo na figura de H.D. sua principal expoente.

A inspiração inicial do movimento era a poesia japonesa; H.D. frequentemente visitava a sala de impressão no Museu Britânico na companhia de Aldington e do curador e poeta Laurence Binyon para examinar impressões Nishiki-e que incorporavam a poesia tradicional japonesa. No entanto, ela também inspirava sua escrita nas leituras que fazia da literatura grega clássica, em especial de Safo, um interesse que ela dividia com Pound e Aldington, sendo que cada um deles produziu novas versões para a obra da poetisa grega. Em 1915 H.D. e Aldington lançaram a Série de traduções dos poetas, panfletos com traduções de clássicos da literatura grega e latina. H.D. trabalhou nas peças de Eurípides, publicando em 1916 uma tradução dos refrãos de Ifigénia em Áulide, em 1919 a tradução de refrãos de Hipólito, em 1927 uma adaptação de Hipólito intitulada Hippolytus Temporizes, em 1931 uma tradução dos refrãos de As Bacantes e de Hécuba e em 1937 uma tradução livre de Ion intitulada Euripides' Ion.

Ela continuou associada ao grupo dos imagistas até a publicação da edição da antologia Some Imagist Poets em 1917. Ela e Aldington fizeram a maior parte do trabalho editorial da antologia de 1915. Seu trabalho também apareceu em Imagist Anthology 1930, publicado por Aldington. Toda sua poesia até o final da década de 1930 foi escrita no estilo imagista, valendo-se do uso livre da linguagem e de uma vernaculidade clássica, austera. Este estilo de escrita não era livre de críticos. Numa edição especial da revista The Egoist dedicada ao movimento, em maio de 1915, o poeta e crítico Harold Monro chamou o trabalho inicial de H.D. de "poesia mesquinha", que denota "tanto pobreza de imaginação quanto contenção desnecessariamente excessiva".

Oréade, um de seus primeiros e mais conhecidos poemas, publicados na antologia de 1915, ilustra seu estilo inicial:

Primeira Guerra Mundial e depois

Antes da Primeira Guerra Mundial, H.D. se casou com Aldington em 1913; no entanto, o primeiro e único filho deles, uma menina, morreu ainda no útero em 1915. Aldington se alistou no exército. O casal se afastou e Aldington teria mantido uma amante em 1917. H.D. se envolveu numa relação próxima, mas apenas platônica, com D. H. Lawrence. Em 1916, seu primeiro livro, Sea Garden, foi publicado e ela foi nomeada editora-assistente da The Egoist no lugar de seu marido. Em 1918, seu irmão Gilbert foi morto na guerra e, em março, ela se mudou para um chalé com o compositor Cecil Gray, um amigo de Lawrence. Ela engravidou dele, mas, quando H.D. percebeu que estava grávida, o relacionamento já havia esfriado e Gray já havia retornado para Londres. Quando Aldington voltou da guerra, ele ficou traumatizado com o fato e os dois se separaram.

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