Neste Dia

Hélder Câmara

Arcebispo de Olinda e Recife

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Dom Hélder Pessoa Câmara OFS (Fortaleza, 7 de fevereiro de 1909 – Recife, 27 de agosto de 1999) foi um bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife. Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e grande defensor dos direitos humanos durante a ditadura militar no Brasil. Pregava uma Igreja voltada para os pobres e a não violência ativa. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi o brasileiro por mais vezes indicado ao Prêmio Nobel da Paz, com quatro indicações.

A Lei n.º 13.581, de 26 de dezembro de 2017, declarou Dom Helder Câmara como Patrono Brasileiro dos Direitos Humanos. Foi incluído no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria através da lei n.º 15.242, de 28 de outubro de 2025.

Décimo primeiro filho de João Eduardo Torres Câmara Filho, jornalista, crítico teatral e funcionário de uma firma comercial, e da professora primária Adelaide Pessoa Câmara, desde cedo manifestou sua vocação para o sacerdócio. O casal teve treze filhos, no entanto, desta prole sobreviveram oito crianças, pois o restante sucumbiu a uma epidemia de gripe então vigente na região. Seu nome foi escolhido pelo pai, em homenagem a um porto holandês.[carece de fontes?] Sua irmã Zuleika é mãe do pesquisador e memorialista brasileiro Christiano Câmara (1935 - 2016), importante figura na preservação do patrimônio histórico e cultural do Ceará.

Ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza em 1923, o Seminário da Prainha, então sob direção dos padres lazaristas. Nesta instituição, cursou o ginásio e concluiu os estudos de filosofia e teologia. No seminário, Hélder e seus colegas receberam uma formação pela qual eram abominados o iluminismo, a Revolução Francesa, o tenentismo e o Partido Comunista Brasileiro. O comunismo era abominado como o "mal dos males" e a defesa do capitalismo era vista como meta, juntamente da defesa da Pátria contra o "perigo vermelho". Chegando ao final do curso de Teologia, Hélder passou por uma forte crise vocacional. Acreditava que podia contribuir mais com a Igreja sendo um leigo à altura de Jackson de Figueiredo e Alceu Amoroso Lima. Depois de meses de oração, de conselhos da mãe e de conversas com o reitor Padre Tobias, convenceu-se de que não deveria frustrar seu sonho de juventude. Foi ordenado padre no dia 15 de agosto de 1931, pelas mãos de Dom Manuel da Silva Gomes, arcebispo de Fortaleza, aos 22 anos de idade, com autorização especial da Santa Sé, por não possuir a idade mínima exigida. Logo depois de rezar sua Primeira Missa, Hélder recebeu a missão de coordenar os Círculos Operários Cristãos e iniciar a Juventude Operária Católica.[carece de fontes?]

Em outubro do mesmo ano, foi fundada por Severino Sombra a Legião Cearense do Trabalho, que arregimentou parte notável da elite cearense e contou com 15 mil inscritos. A Legião acreditava que era preciso combater o individualismo e recuperar o corporativismo medieval. A Legião se declarava anticapitalista, antiburguesa e anticomunista. No mesmo período, Hélder organizou a JOC segundo a orientação ideológica da Legião, reunindo, em poucos meses, dois mil rapazes pobres, oferecendo atividades de alfabetização e recreação. Em 1933, fundou a Sindicalização Operária Feminina Católica, que congregava as lavadeiras, passadeiras e empregadas domésticas,[carece de fontes?] realizando, além da sindicalização de mulheres, aulas de escrita, leitura e cálculo, bem como de educação artística, religiosa e de nacionalismo.

Em 1932, foi fundada a Ação Integralista Brasileira, em São Paulo, logo após o lançamento do Manifesto de Outubro pela Sociedade de Estudos Políticos. A AIB era liderada por Plínio Salgado e tinha como divisa o lema "Deus, Pátria e Família". Para organizar nacionalmente o movimento, Plínio entrou em contato com dirigentes estudantis ligados à Igreja Católica. No Ceará, o escolhido foi Severino Sombra, que não pôde assumir por estar exilado em Portugal. O convite, então, foi feito a Padre Hélder, Jeová Mota e Ubirajara Índio do Ceará. Severino escreveu uma carta aos amigos para que não aceitassem o convite, pois não concordava com o comando único de Plínio Salgado. Hélder consultou o seu Bispo, Dom Manuel, e este, após entrar em contato com Dom Leme, autorizou-o a aceitar o convite. A partir de então, Hélder tornou-se o Secretário do Setor Estudantes da AIB no Ceará.

Dentro do Movimento Integralista, Hélder fundou grupos integralistas e organizou manifestações, comícios e conferências, além de escrever artigos sobre a doutrina integralista, tornando-se o introdutor e maior propagandista do Integralismo no estado. Declarou em discurso: "Esse programa social da Ação Integralista Brasileira é o maior programa cristão de assistencialismo da história do Brasil". Um dos textos de Plínio Salgado mais citados por Hélder Câmara era "Cristo e o Estado Integral", de onde extraía frequentemente a frase: "O Estado Integral vem de Cristo, age por Cristo e segue na direção de Cristo". Levou consigo a Legião, que incorporou-se à AIB. Apesar disso, nunca vestiu o uniforme característico dos integralistas, a "camisa-verde", usando apenas uma faixa de mescla no braço.

Hélder buscava ainda se empenhar cada vez mais em favor de reformas que interessavam a Igreja e contra seus adversários. Ajudou a organizar congressos estaduais de educação, manifestações populares em outros estados, cursos de pedagogia em prol da educação das elites, tendo em vista que a instituição eclesial estava espalhando escolas confessionais católicas em todo o país. Em 7 de fevereiro de 1934, realizou-se a Conferência Nacional pela Educação, em Fortaleza. Hélder foi o terceiro conferencista, defendendo o ensino religioso nas escolas e se opondo duramente às ideias de Edgar Sussekind de Mendonça, a quem chamou de "representante do bolchevismo". No dia seguinte, Sussekind se dispôs ao conflito contra o grupo do Padre Hélder, partidário do ensino religioso, provocando atrito com a Igreja Católica e a militância integralista. No dia 12, o Padre Hélder usou a camisa-verde integralista debaixo da batina preta aberta no peito durante uma manifestação integralista. Ao pôr do sol, o grupo se encontrou com Sussekind na praça e este foi agredido.

A notoriedade do Padre Hélder cresceu e a CCE organizou para ele uma viagem com o objetivo de defender os interesses da entidade no Maranhão e no Pará. Em Belém do Pará, Padre Hélder foi convencido a ir a uma conferência de operários, onde ouviu duras críticas contra o integralismo e o Chefe Integralista. Houve repúdio à sua presença na cidade, e alguns manifestantes organizaram o seu enterro simbólico, exibindo um caixão em praça pública, aos gritos: "Fora, galinha-verde!", como eram chamados os integralistas, em decorrência da Batalha da Praça da Sé.[carece de fontes?]

No mesmo ano de 1934, Padre Hélder fez uma viagem por todas as cidades do Ceará, divulgando a lista de candidatos aprovados pela Igreja Católica e sustentando que a eles se devia o voto dos católicos. Dos onze deputados federais eleitos, sete eram da Liga Eleitoral Católica e dos trinta estaduais, dezessete. Os socialistas não elegeram nenhum representante naquele estado.[carece de fontes?]

Foi nomeado diretor do Departamento de Educação do Ceará (atual Secretaria de Educação). Pediu demissão logo após uma violenta repressão do governo a uma manifestação integralista em apoio ao bispo de Sobral, cinco meses após assumir o cargo. Logo depois, escreveu duas vezes ao pedagogo Manuel Lourenço Filho, solicitando um trabalho no Ministério da Educação: "A meu ver, servirei ao sigma, trabalhando, honestamente, pela criação do sistema educacional de que precisa nosso país". Alguns dias depois, Lourenço o conseguiu o cargo de Assistente Técnico para a Educação. Foi transferido em 1936 para a cidade do Rio de Janeiro, então capital da república, onde, ao lado do cargo de Assistente Técnico, se dedicou às atividades apostólicas. Ali, o Cardeal Sebastião Leme da Silveira Cintra determinou que não queria padres na política partidária, e, assim, Pe. Hélder deveria encerrar suas atividades na AIB. Já estando desiludido com o movimento, após perceber as implicações ideológicas desta opção, acatou a ordem. Mesmo assim, foi nomeado em 1937 por Plínio Salgado para o Grupo dos Doze, o que não recebeu oposição do Cardeal Leme, que comentou estar surpreso com o crescimento da AIB e que deveriam manter boas relações com os integralistas, permitindo-o aceitar o cargo. Depois do golpe que instalou o Estado Novo, o Cardeal impôs-lhe que deveria abandonar o Integralismo.[carece de fontes?]

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