Gustavo "Guga" Kuerten (Florianópolis, 10 de setembro de 1976), é um ex-tenista profissional brasileiro, condecorado com posição no Hall da Fama da Associação de Tenistas Profissionais (ATP). Tricampeão de Roland-Garros, é considerado o maior tenista masculino da história do Brasil. É o único tenista da história a ganhar de Pete Sampras e Andre Agassi no mesmo torneio.
Foi um dos convidados especiais na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Nesta mesma edição dos Jogos também passou a ser conhecido como "O Labrador Humano", devido a sempre aparecer de bom humor e sorrindo nas transmissões, se assemelhando assim à raça canina, que costuma ser bem alegre e amigável.
Somente ele, Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Andy Murray são os únicos cinco jogadores não norte-americanos a jogar pelo menos uma vez a final de todos os quatro Masters Series ATP jogados na América do Norte (Indian Wells; Miami; Montreal/Toronto; e Cincinnati).
Em 2014, Guga foi considerado pela Revista Tênis um dos "10 tenistas que transformaram a forma como o tênis é jogado". Segundo a revista, "diante de adversários que fundamentavam seus jogos no preparo físico e na regularidade de fundo, o brasileiro ousou acelerar bolas, arriscar paralelas de backhand, tentar curtinhas etc. De repente, aquele padrão extremamente defensivo do jogo de saibro deu lugar a um estilo muito mais agressivo, exuberante e alegre. Mesmo jogando do fundo de quadra, Guga mostrou que era capaz de encurralar os oponentes, tirá-los do sério com seus imprevisíveis ataques com o backhand na paralela ou então com deixadinhas depois de tê-los jogado metros longe da linha de fundo".
Vida pessoal e primeiros passos no esporte
Maior tenista masculino brasileiro de todos os tempos – o que é comprovado pelos números (títulos, rankings e premiações) de sua carreira – Gustavo Kuerten teve a vida marcada por duas tragédias familiares. A primeira foi a morte de seu pai, Aldo Kuerten, jogador amador de tênis e incentivador da educação pelo esporte, que colaborava nos campeonatos como juiz de cadeira. Quando Guga contava apenas oito anos de idade, em 1985, teve que enfrentar a morte do pai devido a um ataque cardíaco, enquanto arbitrava uma partida entre juniores em Curitiba.
A segunda envolve o irmão caçula, Guilherme Kuerten, que durante o nascimento sofreu de privação prolongada de oxigênio, causadora de dano cerebral irreversível e consequentes deficiências física e mental severas. Guilherme faleceu em 7 de novembro de 2007, vítima de parada cardiorrespiratória, e foi sepultado no Cemitério Jardim da Paz de Florianópolis. Desde cedo Guga foi estreitamente ligado à luta diária do irmão, algo que incorporou em sua carreira de tenista: em cada jogo disputado, a partir de 1998, Kuerten doava duzentos dólares a instituições de caridade; além disso, todos os troféus conquistados eram dados para o irmão caçula (incluindo as três réplicas em miniatura do troféu de Roland-Garros).
De ascendência maioritariamente alemã, com alguns elementos austríacos e poloneses, Gustavo Kuerten começou a jogar tênis aos seis anos, por incentivo paterno. Começou treinando com o professor Paulo Allebrandt. Quando tinha 14 anos, conheceu Larri Passos, seu técnico pelos 15 anos seguintes. Foi ele quem convenceu o jogador e sua família de que o jovem tenista tinha talento suficiente para se profissionalizar. Ambos - Kuerten e Larri - começaram a participar de torneios juniores no Brasil e no exterior. Em 1995 Kuerten tornou-se profissional.
Além do tênis, Guga costuma praticar o surfe nas praias de Florianópolis. No futebol, Guga torce pelo Avaí Futebol Clube de sua cidade natal. Também é conhecido por ser extremamente humilde e respeitar seu público, quando fora das quadras.
Seu primeiro grande feito foi ajudar o time brasileiro da Copa Davis de 1996, a derrotar a equipe da Áustria, e alcançar a primeira divisão da competição, o Grupo Mundial. Depois de dois anos como profissional, em 1997, Kuerten elevou-se à posição de jogador número 2 do Brasil, ficando classificado abaixo somente de Fernando Meligeni.
No mesmo ano tornou-se o primeiro tenista masculino brasileiro a vencer um torneio em simples do Grand Slam, a série das quatro mais importantes competições de tênis do circuito profissional mundial. Antes dele, somente Maria Esther Bueno tinha vencido campeonatos nas simples (mas também nas duplas femininas e duplas mistas), enquanto Thomaz Koch lograra êxito nas duplas mistas. Gustavo Kuerten, no entanto, trouxe o inédito título de simples do Roland-Garros. Para erguer o troféu do Grand Slam, Guga precisou vencer os últimos três campeões do torneio: Thomas Muster (95), Yevgeny Kafelnikov (96) e Sergi Bruguera (93/94). Em sua trajetória rumo ao título, o brasileiro perdeu oito sets. Ao receber o troféu, Guga fez a seguinte declaração:
Como consequência de sua inesperada vitória em 1997, uma vez que ao vencer o torneio o jogador não estava sequer entre os 50 melhores do mundo, Guga Kuerten teve dificuldades no subsequente ano e meio, ajustando-se à sua súbita fama e à pressão por vitórias. Certamente 1998 foi o ano pior de sua carreira, sem estar diretamente relacionado a contusões. Na mídia, na crítica e no crescente número de torcedores (além dos antigos, também novos, agora absorvidos pela chamada "gugamania"), havia clara pressão para que o jogador assumisse o posto de "embaixador" do tênis brasileiro. Isso ficou evidente depois de sua derrota nas rodadas preliminares para o então desconhecido Marat Safin na edição de 1998 de Roland-Garros. O torneio de tênis coincidiu com a Copa do Mundo da Fifa, na França. Portanto, não houve o retorno imediato das equipes inteiras de jornalistas brasileiros enviadas a Paris como se informou anteriormente. Alguns poucos jornalistas se dividiram entre o tênis e os primeiros jogos do mundial de futebol. Guga, inclusive, chegou a voltar a Paris durante a Copa do Mundo e usou o complexo de Roland-Garros para treinamentos.
Guga havia passado de nº 66 do mundo para nº 15, ao vencer Roland-Garros em junho de 1997. Ele entrou pela primeira vez no top 10 mundial em agosto de 1997. Em 1998, ao não defender seu título de Grand Slam, Guga ficou estabilizado entre as posições 20 e 30 do ranking, entre junho de 1998 e março de 1999; a partir daí, rumou para o topo do ranking mundial, atingindo pela primeira vez o posto de nº 1 do mundo em dezembro de 2000.
Em 1998 Guga teve como campanhas de destaque a ida à semifinal do ATP de Memphis em fevereiro, e às quartas de final do Masters de Miami em março, ambos em piso hard; quartas de final no Masters de Hamburgo e semifinal no Masters de Roma, ambos no saibro. Em Roland-Garros perdeu na segunda rodada para Marat Safin (que viria a se tornar nº 1 do mundo no ano 2000, e se tornar um dos maiores rivais de Guga) por 3 sets a 2. Em julho, venceu o ATP de Stuttgart e, em setembro, o ATP de Mallorca, ambos no saibro.
Já no ano de 1999 Kuerten teve como campanhas importantes a semifinal do Masters de Indian Wells, em março, no piso hard; no saibro, o título do Masters de Monte Carlo em abril, e em maio, as quartas de final no Masters de Hamburgo, o título do Masters de Roma e as quartas de final em Roland Garros. Em junho, faz sua melhor campanha em Wimbledon, chegando às quartas de final. No mês de agosto, foi às quartas de final do Masters de Cincinnati, do ATP de Indianápolis, e do US Open. À esta altura, Guga já era top 5 mundial.
Os anos de 2000, quando terminou como número um, e de 2001, quando terminou como número dois, representaram o auge da carreira do tenista catarinense. Em ambos, Guga sagrou-se campeão de seu torneio predileto, Roland-Garros, assim como venceu todos os grandes tenistas da época e alguns mitos, como Pete Sampras e Andre Agassi.
Em 2000, Guga venceu o ATP de Santiago em fevereiro; em março, foi à final do Masters de Miami, em piso hard, perdendo para Pete Sampras em jogo contestado (houve alegações de favorecimento do juiz para o norte-americano). Na temporada de saibro, foi finalista do Masters de Roma perdendo para Magnus Norman, venceu o Masters de Hamburgo derrotando Marat Safin na final e foi bicampeão de Roland-Garros vencendo o sueco Magnus Norman na final, que havia perdido apenas um set durante toda a competição. Ao conquistar o seu segundo título em Paris, Guga alcançou, pela primeira vez na carreira, a liderança da Corrida dos Campeões.