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Gustavo Gutiérrez Merino

Gustavo Gutiérrez-Merino Díaz, OP (Lima, 8 de junho de 1928 – Lima, 22 de outubro de 2024) foi um teólogo peruano e sace

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Gustavo Gutiérrez-Merino Díaz, OP (Lima, 8 de junho de 1928 – Lima, 22 de outubro de 2024) foi um teólogo peruano e sacerdote dominicano, considerado por muitos como o fundador da Teologia da Libertação.

Sofreu de osteomielite na infância e adolescência, permaneceu em cadeira de rodas dos doze aos dezoito anos. Ao recuperar a mobilidade, estudou medicina e letras na Universidad Nacional Mayor de San Marcos em Lima. Foi militante da Ação Católica, o que o motivou a aprofundar os estudos teológicos. Decidido pelo sacerdócio, entrou para o seminário em Santiago do Chile. Estudou Filosofia e Psicologia na Universidade Católica de Louvain, Bélgica. Seus estudos de Teologia foram efetuados na Universidade Católica de Lyon, França, na Universidade Gregoriana de Roma e no Instituto Católico de Paris, chegando ao grau de doutor.

Foi ordenado sacerdote em 1959. Foi professor de Teologia e Ciências Sociais na Universidade Católica de Lima e fundador do Instituto Bartolomé de Las Casas-Rimac. Foi conselheiro nacional da União de Estudantes Católicos (UNEC) e foi padre em Rimac, um bairro popular de Lima. Foi consultor teológico na Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (CELAM), realizada em 1968 em Medellín (Colômbia). Foi professor de Teologia na Universidade de Notre-Dame (Estados Unidos).

Em 1971 publicou: "Teología de la liberación. Perspectivas", razão pela qual é considerado por muitos o pioneiro na sistematização da Teologia da Libertação. Em 1982, foi notificado pela Congregação para a Doutrina da Fé para responder a dez objeções sobre seus escritos teológicos. Em maio de 1985 obteve o doutorado em teologia pela Faculdade de Teologia do Instituto Católico de Lyon, na banca examinadora estavam presentes: Henri Bourgeois, Maurice Jourjon, Christian Duquoc, Jean Delorm, Bernard Sesboüé, Vicent Cosmâo e Gérard Defois. Durante vinte anos, foi diretor da Revista Concilium.

Em 1998 ingressou como noviço na Ordem dos Pregadores.

Possui 23 títulos de Doutor Honoris Causa outorgados por universidades de diversos países: 5 no Peru, Argentina, Holanda, Suíça, dois na Alemanha, dez nos Estados Unidos, dois no Canadá e também na Escócia, obtidos entre 1979 e 2006.

Ganhou o Prémio Príncipe das Astúrias em 2003 na Categoria Comunicação e Humanidades, por seu compromisso com os mais desfavorecidos e haver iniciado a Teologia da Libertação, e em 2014 o Prémio Capri San Michele.

Em setembro de 2013, foi recebido em audiência pessoal pelo Papa Francisco, em um gesto que foi considerado um passo para a reabilitação da Teologia da Libertação.

Gutiérrez morreu em Lima, Perú, no dia 22 de outubro de 2024, aos 96 anos.

Deus está no centro da reflexão teológica de Gutiérrez, primeiro como experiência de fé, depois como tema. Uma de suas principais preocupações na hora de refletir sobre Deus é como compreendê-lo diante do sofrimento do inocente, como compreender Jesus ressuscitado em um mundo de pobreza e opressão, como encontrar o Deus Pai e Mãe em um mundo onde falta fraternidade.

Gutiérrez entendia que primeiro se deveria contemplar, viver e praticar a Deus, para depois pensar sobre Deus, isso porque ele entendia que somente a partir da experiência mística e da práxis libertadora seria possível um discurso "respeitoso e autêntico" sobre Deus. Contemplação e compromisso seriam dimensões inerentes e interrelacionadas da existência cristã e constituiriam o primeiro ato da fé. Seria por meio da contemplação e da solidariedade com os oprimidos que se revelaria o mistério de Deus, e desse modo se poderia compreender o aparente silêncio de Deus.

A compreensão racional de Deus viria em um segundo momento

Segundo Gutiérrez, a experiência de fé dos oprimidos seria o contexto vital, o lugar histórico e social da teologia. A linguagem sobre Deus na América Latina teria que nascer dos sofrimentos causados pela pobreza injusta em que vivia a maioria do povo (raças desprezadas, classes sociais exploradas, culturas marginalizadas, mulheres discriminadas) e também de suas esperanças e lutas pela libertação.

Tal experiência teria que combinar a linguagem mística, que reconhecer o amor gratuito de Deus, e a profética, que denuncia a situação de injustiça, assim como fizeram os profetas do Antigo Israel.

Gutiérrez associava o sofrimento de Cristo com o sofrimento do povo.

As duas funções clássicas da teologia

Segundo Gutiérrez, a teologia teria duas funções clássicas: a espiritual e a racional. Nos primeiros séculos do cristianismo, a teologia esteve mais ligada à sua dimensão espiritual, mas depois a reflexão teológica foi perdendo sua dimensão espiritual. Nesse contexto, Gutiérrez, propõe a revalorização da dimensão espiritual, sem desprezar a dimensão racional, pois teria que haver um diálogo e um encontro constante entre a fé e a razão. Gutiérrez também entende que atualmente, a compreensão da dimensão racional da fé não se requer somente o conhecimento filosófico, como foi na época da escolástica, mas também é importante conhecer as ciências sociais, biológicas, psicológicas, etc.

A partir do reconhecimento da importância das ciências sociais para melhoria da reflexão teológica, a teologia passa: a fazer uma reflexão crítica de si mesma, de seus fundamentos, e, ao mesmo tempo, da sociedade e da Igreja; e a ser profética, na medida em que faz uma leitura crítica dos acontecimentos históricos, descobre seus significados e propõe alternativas.

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