Gustavo Barros Schelotto (La Plata, 4 de maio de 1973) é um treinador e ex-futebolista argentino. Atualmente é assistente técnico do Vélez Sarsfield. É irmão gêmeo de Guillermo Barros Schelotto, a quem compõe a dupla de treinadores deste clube.
O primeiro clube de Gustavo foi uma equipe juvenil, o For Ever. Até então, costumava jogar bola com o irmão Guillermo em casa, o que por vezes atrapalhava o pai, o médico Hugo Barros Schelotto, que atendia na própria residência em alguns dias na semana. A mãe, Cristina, uma professora, colocou os filhos no For Ever após notar a diferença de comportamento que um de seus alunos, antigamente agitado, apresentou nas aulas após começar a jogar ali.
Os gêmeos ganharam títulos juvenis no For Ever, onde ficaram amigos do futuro goleiro Gastón Sessa. O técnico deles também trabalhava no Estudiantes, e chamou os três para jogaram nas categorias inferiores dos pincharratas. Os três, todos torcedores do rival Gimnasia y Esgrima (o próprio pai dos irmãos seria um dos presidentes gimnasistas), acabaram indo. Sessa permaneceria ali, mas não os gêmeos: na visão deste, Gustavo, o mais extrovertido, vinha sendo utilizado, mas Guillermo, o tímido, era posto na reserva, o que desagradou à mãe dos dois, que os teria levado aos juvenis do Gimnasia. Os mellizos ("gêmeos", em espanhol) seguiriam juntos no clube do coração - Guillermo como atacante, Gustavo como meio-campista - e debutariam profissionalmente no Lobo entre 1991 e 1992.
Após campanhas apenas regulares do Gimnasia nos campeonatos argentinos, os gêmeos faturariam em 1994 seu primeiro título: a Copa Centenário, torneio oficial da AFA nos moldes das copas nacionais europeias que celebrava os 100 anos do campeonato. A Copa Centenário ainda é o único torneio profissional de elite vencido pelo Gimnasia no futebol. Gustavo marcou o gol que pôs o clube na decisão e, meses depois, marcou em clásico platense gol que se mostrou preponderante para rebaixamento do arquirrival Estudiantes ao fim da temporada 1993-94.
Nos Clausuras e Aperturas se seguiram à primeira conquista da dupla, o Gimnasia prosseguiu de forma ascendente, disputando seguidamente títulos. O clube esteve bastante perto de faturar dois Clausuras, em 1995 e 1996, mas ficou no vice-campeonato. No primeiro, o clube liderou até última rodada, e faturaria a taça se vencesse em seu estádio o Independiente, que já não tinha ambições no torneio. A única outra equipe que poderia ser campeã era o San Lorenzo, que estava dois pontos atrás e precisava vencer fora de casa o Rosario Central, além de torcer pelo tropeço do GELP, que acabou acontecendo: os platenses perderam por 0 x 1 em casa enquanto o San Lorenzo, com um gol a treze minutos do fim, venceu pelo mesmo placar o Central.
No segundo, em que a equipe chegou a vencer por 6–0 Boca Juniors (em plena La Bombonera no time de Diego Maradona, Claudio Caniggia e Juan Sebastián Verón) e Racing, além de derrotar de virada por 2–1 o River Plate no Monumental de Núñez, a taça foi perdida justamente após um empate de 1–1 em um clásico platense; o adversário pelo título, o Vélez Sarsfield, também empatou na rodada e, como possuía um ponto a mais, levou a melhor na disputa.
O bom desempenho dos gêmeos alimentavam rumores de suas saídas do Gimnasia. Eles teriam sido oferecidos em 1996 ao River Plate, mas o líder da equipe, Enzo Francescoli, teria discordado da ideia. Francescoli, segundo rumores não confirmados, havia se desentendido com Gustavo em determinada ocasião e, por isso, teria vetado a vinda dos platenses. Os Barros Schelotto iriam justamente para o arquirrival Boca Juniors.
Eles chegaram a pedido do próprio Diego Maradona. Por orientação dele, o Boca Juniors foi contratar três jogadores em La Plata, trazendo do Gimnasia os gêmeos e, do Estudiantes, Martín Palermo.
Gustavo, que no período chegou a passar um semestre emprestado ao Unión de Santa Fe, esteve presente nos títulos argentinos Apertura de 1998 e 2000 e no Clausura de 1999. Em 2000, participou também dos títulos na Copa Libertadores da América e do Mundial Interclubes, porém normalmente fora da equipe titular, sendo considerado apenas um reserva útil quando necessário em campo. Enfrentava a concorrência de Mauricio Serna, Diego Cagna, José Basualdo e Juan Román Riquelme por um lugar no meio-de-campo xeneize, todos estes bastante celebrados ali.
Embora vitoriosa, sua estadia na Bombonera ficou prejudicada, além da reserva, por ser ofuscado pelo brilho maior do irmão ali, mesmo que observadores tendessem a considerar Gustavo até como mais talentoso com a bola do que Guillermo, e por um problema disciplinar: teria chegado às vias de fato com o então técnico Héctor Veira; seu empréstimo ao Unión teria ocorrido justamente como uma punição e para que a comissão técnica não perdesse autoridade frente aos jogadores. Gustavo teve uma média de gols considerada respeitável para um volante reserva.
Saiu do Boca junto com o colega Martín Palermo, contratados pelo Villarreal após a Intercontinental de 2000. Gustavo Barros Schelotto, porém, não se consolidou na Espanha. Embora reconhecido como um meia habilidoso, jogou pouquíssimo. Condições físicas abaixo das desejadas, uma lesão em sua estreia em La Liga e a ausência de passaporte europeu contribuíram para que permanecesse somente um semestre.
Para o segundo semestre de 2001 ele voltou à Argentina como jogador do Racing. No time de Avellaneda ficou pouco tempo, mas integrou a equipe titular que conquistou o título Apertura de 2001, encerrando um jejum de 35 anos sem títulos argentinos da Academia. Atuando de modo mais recuado, marcou um gol e, na rodada final, iniciou a jogada que resultou na falta da qual sairia o gol do título.
Em 2002, foi para o Rosario Central a pedido de César Luis Menotti. Em sua nova equipe auriazul, ficou dois anos, sem títulos, mas com bastante identificação com a torcida canalla, a ponto de batizar uma filha de Rosario, e cogitar chamar a outra de Juana Central. Foi importante em especial no Clausura 2003, com duas assistências em triunfo no clássico rosarino, em meio a uma campanha que tanto evitou o rebaixamento do Central nos promedios como classificou-lhe à Copa Libertadores da América de 2004. Este dérbi com o Newell's Old Boys também rendeu a Gustavo um curioso recorde, o de ter participado de cinco clássicos diferentes na primeira divisão argentina.
Já veterano, passou novamente pelo Gimnasia, no segundo semestre de 2004; e dali iniciou trajetória por diferentes clubes da América Latina. Jogou pela equipe peruana do Alianza Lima, em 2005, e depois pelo Puerto Rico Islanders, da United League Soccer, uma segunda divisão em nível técnico do futebol estadunidense, onde aposentou-se em 2007.
Gustavo nunca chegou a defender a equipe principal da Seleção Argentina, mas chegou a atuar na base da Albiceleste. Em janeiro de 1996, foi testado por Daniel Passarella em amistosos da equipe Sub-23 com vistas ao Pré-Olímpico, começando como titular. Porém, terminou cortado das eliminatórias, sem superar concorrência com Marcelo Gallardo, Juan Sebastián Verón, Gustavo López e Christian Bassedas, e ele e seu seu irmão, apesar de terem idade olímpica, acabaram de fora dos Jogos de Atlanta.
Em 2009, iniciou trajetória de assistente técnico, inicialmente de Gregorio Pérez, com quem trabalhou no Paraguai por Olimpia e Libertad. Posteriormente, acompanhou-o também no Peñarol, em 2011. Pérez o havia profissionalizado como futebolista no Gimnasia e puderam vencer com o Libertad o Clausura paraguaio de 2010.
A partir de 2012, iniciou dupla técnica com o irmão Guillermo Barros Schelotto, contratados pelo Lanús. Com a equipe grená, venceram a Copa Sul-Americana de 2013. Assumiram o Boca Juniors em 2016, com o qual chegaram à final da Copa Libertadores da América de 2018.
Apesar de na prática os gêmeos exercerem conjuntamente o papel de treinador dos clubes em que trabalham, oficialmente apenas Guillermo é nas súmulas referido como único técnico, enquanto Gustavo é o assistente. Ocasionalmente, em suspensões disciplinares do irmão, Gustavo exerce o papel oficial de técnico interino, como em partida contra o Palmeiras naquela Libertadores de 2018. O vice-campeonato traumático para o River Plate encerrou o ciclo dos irmãos, que em janeiro de 2019 assumiram o Los Angeles Galaxy.