Guinness World Records (pronunciado /ˈɡɪnɪs/ em inglês), chamado The Guinness Book of Records desde sua criação, em 1955, até 1999, e The Guinness Book of World Records em antigas edições dos Estados Unidos, é uma obra de referência britânica publicada anualmente que reúne recordes mundiais de realizações humanas e extremos do mundo natural. Em português, também é chamado de Livro Guinness dos Recordes. Sir Hugh Beaver concebeu a ideia para resolver discussões comuns em pubs, e os irmãos gêmeos Norris e Ross McWhirter participaram da criação do livro em Londres no fim de agosto de 1955.
A primeira edição chegou ao topo da lista dos livros mais vendidos no Reino Unido até o Natal de 1955. No ano seguinte, o livro começou a ser publicado internacionalmente. Na edição de 2026, estava em seu 71.º ano de publicação, era distribuído em 100 países e 40 idiomas, e seu banco de dados reunia mais de 53 mil recordes.
A franquia internacional foi além da publicação impressa e passou a abranger séries de televisão e museus. A popularidade da franquia fez do Guinness World Records uma das principais fontes internacionais para catalogação e verificação de um grande número de recordes mundiais. A organização emprega juízes de recordes para verificar a autenticidade de tentativas bem-sucedidas e quebras de recordes.
Após passar por diferentes proprietários, a franquia pertence ao Jim Pattison Group desde 2008. Sua sede foi transferida para South Quay Plaza, em Canary Wharf, Londres, em 2017. Desde 2008, o Guinness World Records vem direcionando seu modelo de negócios para longe da venda de livros e para a criação de novos recordes como ações publicitárias para pessoas e organizações, mudança que recebeu críticas.
Em 10 de novembro de 1951, Sir Hugh Beaver, então diretor administrativo das cervejarias Guinness, participou de uma caçada em North Slob, às margens do rio Slaney, no Condado de Wexford, Irlanda. Após errar um tiro contra uma tarambola-dourada-europeia, entrou numa discussão sobre qual seria a ave de caça mais rápida da Europa, a tarambola-dourada ou o tetraz-vermelho. A tarambola é mais veloz, embora nenhuma das duas seja a ave de caça mais rápida da Europa. Naquela noite, na Castlebridge House, Beaver percebeu que não conseguia confirmar em obras de referência se a tarambola-dourada era ou não a ave de caça mais rápida da Europa. Ele sabia que muitas outras perguntas desse tipo deviam ser discutidas todas as noites, mas não havia um livro que pudesse resolver disputas sobre recordes. Beaver concluiu que um livro capaz de responder a esse tipo de pergunta poderia ter sucesso.
Mil exemplares de The Guinness Book of Records foram distribuídos gratuitamente em pubs da Grã-Bretanha e da Irlanda como material promocional da marca Guinness. A popularidade entre os clientes levou à encomenda de uma edição comercial. O funcionário da Guinness Christopher Chataway recomendou seus amigos de universidade Norris e Ross McWhirter, que administravam uma agência de pesquisa de fatos em Londres. Em 14 de setembro de 1954, os irmãos foram contratados para compilar The Guinness Book of Records.
Depois que o escritório de The Guinness Book of Records foi instalado no último andar de Ludgate House, 107 Fleet Street, Londres, a primeira edição, com 198 páginas, foi encadernada em 27 de agosto de 1955. Até o Natal, já ocupava o primeiro lugar entre os livros mais vendidos no Reino Unido. No ano seguinte, o editor nova-iorquino David Boehm lançou o livro nos Estados Unidos, onde foram vendidos 70 mil exemplares. Desde então, o Guinness World Records vendeu mais de 150 milhões de exemplares em 100 países e 40 idiomas. O sucesso inesperado levou à impressão de novas edições, até se estabelecer o padrão de uma revisão anual, publicada em setembro ou outubro, a tempo do mercado de Natal.
Os irmãos McWhirter continuaram compilando o livro por muitos anos. Os dois tinham memória enciclopédica. Na série infantil britânica Record Breakers, baseada no livro e transmitida pela BBC entre 1972 e 2001, respondiam a perguntas feitas por crianças da plateia sobre diferentes recordes mundiais e conseguiam fornecer a resposta correta. Roger Bannister, primeiro homem a correr uma milha em menos de quatro minutos, marca anunciada por Norris na pista em Oxford, foi o primeiro convidado do programa. Ross McWhirter foi assassinado por dois integrantes do Exército Republicano Irlandês Provisório em 1975, depois de oferecer uma recompensa de 50 mil libras por informações que levassem à captura de membros da organização. Depois da morte de Ross, o segmento do programa em que Norris respondia às perguntas das crianças passou a se chamar Norris on the Spot. Norris continuou como único editor do livro.
A Guinness Superlatives, que depois passou a se chamar Guinness World Records Limited, foi constituída em Londres em 1954 para publicar o primeiro livro. Em 1975, a Denys Fisher Toys UK lançou o primeiro produto licenciado, Guinness Game of World Records. A Sterling Publishing deteve por décadas os direitos do livro nos Estados Unidos, até que a Guinness os recomprou em 1989, após um processo judicial de 18 meses. O grupo pertenceu à Guinness PLC e depois à Diageo até 2001, quando foi comprado pela Gullane Entertainment por 45,5 milhões de libras, ou 65 milhões de dólares na época. A própria Gullane foi comprada pela HIT Entertainment em 2002. Em 2006, a Apax Partners adquiriu a HIT e, no início de 2008, vendeu o Guinness World Records ao Jim Pattison Group, empresa controladora da Ripley Entertainment, licenciada para operar as atrações do Guinness World Records. A organização mantém escritórios em Nova Iorque e Tóquio e sua sede mundial em South Quay Plaza, Canary Wharf, Londres, enquanto suas atrações museológicas são administradas a partir da sede da Ripley em Orlando, Flórida.
As edições mais recentes passaram a dar maior espaço a recordes alcançados por indivíduos. As modalidades vão do halterofilismo olímpico à maior distância em arremesso de ovo, ao maior tempo jogando Grand Theft Auto IV e ao maior número de cachorros-quentes consumidos em três minutos. Além de recordes de competições, o livro reúne fatos como o tumor mais pesado, o fungo mais venenoso, a telenovela de maior duração e a apólice de seguro de vida de maior valor.
Muitos recordes também dizem respeito às pessoas mais jovens a alcançar determinada marca. O recorde de pessoa mais jovem a visitar todos os países do mundo, por exemplo, é atribuído a Maurizio Giuliano. Outros dizem respeito às pessoas mais velhas a realizar determinada atividade, como o recorde de drag king mais velho, atribuído a El Daña.
Cada edição contém uma seleção do banco de dados do Guinness World Records, junto a novos recordes escolhidos para aquele ano. Os critérios de inclusão mudam de uma edição para outra. Na revisão inglesa tomada como base para este artigo, a edição mais recente era a 72.ª, publicada em agosto de 2025.
A aposentadoria de Norris McWhirter de sua função de consultor em 1995 e a decisão posterior da Diageo Plc de vender a marca The Guinness Book of Records deslocaram a publicação de um formato concentrado em texto para uma obra de referência fortemente ilustrada. Uma seleção é feita a partir do arquivo completo para cada edição impressa, enquanto todos os títulos de recordes existentes podem ser consultados por usuários cadastrados no site da empresa. Candidaturas individuais a categorias de recordes já existentes são gratuitas. Para propor uma nova categoria, há uma taxa administrativa de cinco libras ou cinco dólares.
Entre os recordes ligados a Portugal está o da Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa. Fundada em 1732, ela detém o recorde de livraria mais antiga ainda em funcionamento.
Também foram publicados livros derivados e produzidas séries de televisão. Em abril de 2009, o Guinness World Records concedeu a Ashrita Furman, de Queens, Nova Iorque, o recorde de "pessoa com mais recordes". Ele detinha cem marcas naquele momento.
Em 2005, a Guinness declarou 9 de novembro como International Guinness World Records Day, destinado a incentivar a quebra de recordes mundiais. Em 2006, cerca de cem mil pessoas participaram em mais de dez países. A Guinness informou ter registrado 2.244 novos recordes em doze meses, aumento de 173% em relação ao ano anterior. Em fevereiro de 2008, a NBC exibiu The Top 100 Guinness World Records of All Time, e o Guinness World Records publicou a lista completa em seu site.