Guillermo Barros Schelotto (La Plata, 4 de maio de 1973) é um treinador e ex-futebolista argentino que atuava como atacante. Atualmente comanda o Vélez Sarsfield.
Como jogador, tratava-se de um atacante inteligente para, a partir da ponta-direita, infiltrar-se entre as defesas adversárias e servir passes a companheiros, além de saber aproveitar erros dos adversários.
Foi campeão por todos os times pelos quais passou, tendo uma identificação especial com o Boca Juniors, sendo ali um ídolo como poucos foram. Guillo, como também ficou conhecido, venceu quatro das seis Libertadores boquenses, e é o jogador do Boca com mais aparições e gols no torneio. Foi ainda o atleta com mais títulos conquistados no clube, até ser superado em 2011 pelo décimo sétimo título do ex-colega Sebastián Battaglia. É considerado como "intocável" pela torcida xeneize também por sua astúcia, carisma, talento e amor à camisa.
Declarou algo nesse sentido ao ser indagado sobre a idolatria que desperta nos torcedores auriazuis, afirmando que "imagino que é porque joguei como teriam jogado eles (se pudessem ser jogadores). Não tive o talento de Riquelme nem os gols de Martín, mas sim a atitude que teria um hincha". Também é querido entre eles por constantes atuações de destaque que teve nos Superclásicos, seja pelos gols - sua equipe jamais perdeu os dérbis em que ele marcou -, seja pelas provocações que costumava fazer aos arquirrivais do River Plate.
Ele é ainda um dos ídolos máximos do Gimnasia y Esgrima La Plata, de sua cidade natal, clube pelo qual torce e onde também começou e encerrou a carreira. Teve passagem de sucesso também no futebol dos Estados Unidos, participando ativamente do primeiro título nacional do Columbus Crew, onde era literalmente reverenciado pelos torcedores ao cobrar bolas paradas. Em 2023, foi considerado pelo Globo Esporte como um dos vinte maiores jogadores da Copa Libertadores da América.
Guillermo e seu irmão gêmeo Gustavo gostavam desde cedo de praticar futebol. Como não podiam jogar na praça próxima à casa, praticavam o esporte dentro da residência, e o melhor lugar para imaginar as traves era justamente a parede do consultório do pai, o médico Hugo Barros Schelotto, que atendia no próprio lar nas tardes de terça e quinta. Cansado de ser atrapalhado, o pai pedira à esposa e mãe dos garotos, Cristina, que arrumasse alguma atividade fora de casa para os gêmeos naqueles horários.
Ela então os colocou em uma equipe juvenial da cidade, o For Ever; Cristina, que era professora, conhecera o clubinho quando viu que um de seus alunos mudou repentinamente o jeito agitado de ser nas aulas, descobrindo após consultar a mãe dele que a causa eram as atividades no For Ever, que disponibilizava horários compatíveis com a atividade de Hugo. No For Ever, tornaram-se amigos do goleiro Gastón Sessa. Ganharam títulos juvenis no clube e, como o técnico deles também trabalhava no Estudiantes La Plata, os três - os gêmeos e Sessa - foram chamados por eles para as canteiras pincharratas, mesmo com todos eles sendo torcedores do arquirrival Gimnasia y Esgrima La Plata; o próprio pai dos irmãos seria um dos presidentes gimnasistas.
Sessa permaneceu no Estudiantes, mas não os jovens Barros Schelotto; na versão do goleiro, Gustavo, o mais extrovertido, vinha sendo utilizado, mas Guillermo, o tímido, era posto na reserva, o que desagradou à mãe dos dois, que os teria levado aos juvenis do Gimnasia. Guillermo contou uma história diferente: chegou a treinar dois meses no Estudiantes, chegando a fazê-lo com o jovem Juan Sebastián Verón, até ser solicitado que enfim se inscrevesse no clube. No momento em que lhe pediram, estava sem os documentos necessários, afirmando então que viria com eles na manhã seguinte. Porém, naquele mesmo dia teria ido atrás de um amigo que já estava no Gimnasia e pediu a ele que perguntasse ao treinador se ele gostaria de contar com os gêmeos.
Os mellizos ("gêmeos", em espanhol) seguiriam juntos no clube do coração - Guillermo como atacante, Gustavo como meio-campista - e debutariam profissionalmente no Lobo em 1991. No caso de Guillermo, em uma vitória por 3 x 2 sobre o Independiente.
No Apertura (um dos turnos da temporada do campeonato argentino, onde há dois vencedores por ano, com o vencedor de cada turno sendo considerado campeão nacional; o outro turno é o Clausura, no primeiro semestre, com o Apertura sendo realizado no primeiro), o Gimnasia conseguiu uma quarta colocação, e na liguilla pre-Libertadores da temporada 1991/92 (torneio que reunia os clubes que ficavam entre a segunda e oitava colocações e que oferecia uma vaga na Taça Libertadores da América), o clube ficou com o vice-campeonato.
No início de 1994, os Barros Schelotto conseguiram seu primeiro título, a Copa Centenário, torneio oficial da AFA nos moldes das copas nacionais europeias que celebrava os 100 anos do campeonato. Na campanha, Guillermo marcou o único gol dos dérbis contra o Estudiantes pela primeira fase, e o terceiro gol nos 3 x 1 sobre o River Plate, recém-campeão argentino e um futuro rival na carreira, na final. A Copa Centenário ainda é o único torneio profissional de elite vencido pelo Gimnasia no futebol.
Já nos Clausuras e Aperturas que se seguiram à primeira conquista da dupla, todavia, a equipe platense obteve no máximo um sétimo lugar, até o Clausura de 1995. Este representou uma das maiores oportunidades do clube em obter seu primeiro título nacional na era profissional. O clube liderou até última rodada, e faturaria a taça se vencesse em seu estádio o Independiente, que já não tinha ambições no torneio. A única outra equipe que poderia ser campeã era o San Lorenzo, que estava dois pontos atrás e precisava vencer fora de casa o Rosario Central, além de torcer pelo tropeço do Gimnasia.
Foi o que acabou acontecendo. Incrivelmente, a equipe dos irmãos perdeu um título que parecia ganho ao ser derrotada por 0 x 1 no Estádio Del Bosque, enquanto o San Lorenzo, pelo mesmo placar, venceu com um gol a treze minutos do fim o Central em Rosário. A festa que ocorreu em La Plata foi do Estudiantes, que, além de ver a queda do rival, sagrava-se campeão da Primera B Nacional e voltava à divisão de elite. A boa impressão de Guillermo lhe deu um lugar na Seleção Argentina que disputaria (e venceria) a seguir os Jogos Pan-Americanos de 1995. Porém, provavelmente sentindo o baque - ele declarou que aquela derrota foi o dia mais triste de sua carreira -, no segundo semestre o Gimnasia ficou em décimo quinto no Apertura de 1995 e seria eliminado já no primeiro confronto da Copa Conmebol de 1995, levando de 0 x 4 dos uruguaios do Sud América depois de ter vencido por 1 x 0 em casa.
No campeonato que se seguiu, o Clausura 1996, o clube da capital bonaerense ensaiou uma reação. Chegou a humilhar o Boca Juniors de Claudio Caniggia, Juan Sebastián Verón e Diego Maradona em plena La Bombonera, no dia em que o adversário inaugurava o setor VIP de seu estádio, ganhando de 6 x 0 com três gols de Guillermo. Na décima quarta rodada, enfrentou em casa o clube com quem disputava a liderança, o Vélez Sarsfield, sofrendo o empate a sete minutos do fim. As quatro rodadas seguintes foram de vitórias para os dois lados; no caso do Gimnasia, isso incluiu um 4 x 0 sobre o Rosario Central, um 2 x 1 de virada sobre o River Plate no Monumental de Núñez e um 6 x 0 sobre o Racing.
Na última rodada, ambas as equipes empataram. O Vélez, que tinha um ponto a mais, se beneficiou. A perda de outro título próximo, embora não tanto quando o de um ano antes, foi igualmente dolorida para o GELP, uma vez que a última partida foi um clásico platense, encerrado em 1 x 1 contra o Estudiantes. Schelotto, que forneceu assistência ao gol do empate, foi fotografado aos prantos desabado no gramado ao final, tal como no ano anterior. Para piorar, o Gimnasia perdeu seu lugar também na Taça Libertadores da América de 1997, que poderia ter sido a primeira disputada pela instituição (que só estrearia no torneio em 2003 ); a terceira vaga argentina foi decidida em um play-off entre os vice-campeões nacionais da temporada, e a equipe perdeu na prorrogação para o Racing, vice-campeão do Apertura 1995.