Neste Dia

Guilherme de Pádua

Ator, pastor e criminoso brasileiro (1969–2022)

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Guilherme de Pádua Thomaz (Belo Horizonte, 2 de novembro de 1969 – Belo Horizonte, 6 de novembro de 2022) foi um ator, stripper e pastor evangélico brasileiro. Ficou nacionalmente conhecido como assassino confesso da atriz Daniella Perez, sua colega de elenco e par romântico na telenovela De Corpo e Alma. Daniella era filha de Gloria Perez, autora da obra. O crime, que foi um dos casos policiais mais notórios do Brasil no século XX, ocorreu em 28 de dezembro de 1992, quando Pádua, com sua então esposa, Paula Nogueira Thomaz, assassinaram Perez utilizando um instrumento perfurocortante (uma tesoura, segundo Guilherme, ou um punhal, segundo a autópsia e Thomaz).

Nascido em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, o caçula dos quatro filhos de José Antônio Salvador Thomaz, engenheiro e professor universitário, e Leda Maria Pádua, uma dona de casa cuja família era de joalheiros, Guilherme possuía boa situação financeira e, em sua juventude, frequentou boas escolas, como o Colégio Loyola. Começou a atuar em teatro ainda na sua cidade natal, tendo recebido um prêmio de ator revelação pela peça Pasolini, Vida e Morte.

No fim dos anos 1980, Guilherme decide mudar-se para o Rio de Janeiro, em busca de maiores oportunidades. Começou a apresentar-se em peças marginais, como Querelle, ao lado da travesti Rogéria; logo após, fez uma pequena participação no filme alemão Via Appia, como o garoto de programa José. Passando por dificuldades financeiras na cidade e sem possuir uma renda fixa, acabou morando em pensões e numa casa de abrigo para artistas. Ele então passou a se apresentar no espetáculo A Noite dos Leopardos, no qual os atores ficavam nus e podiam interagir com a plateia; muitos desses atores estavam envolvidos em prostituição. Foi em uma dessas apresentações que Guilherme conheceu Paula Nogueira, então com 16 anos, de classe média e assídua frequentadora de espetáculos do tipo. Iniciaram um relacionamento instável, chegando a dar um tempo para se relacionar com outras pessoas, porém reataram no começo de 1992 e decidiram se casar. Depois do casamento e com a ajuda do pai de sua esposa, eles compraram um apartamento em Copacabana; Paula engravidou ainda nesse ano do único filho do casal.

Uma guinada em sua carreira começou com uma pequena participação no musical Blue Jeans, de Wolf Maya, em que logo assumiria um dos papéis principais por conta da saída de Alexandre Frota do elenco. Seu "comportamento descontrolado" chamou atenção nos bastidores: em uma das apresentações, cortou o queixo do ator que contracenava com ele — único acidente do tipo em todo o período que a peça ficou em cartaz; desferiu um soco na garganta de Fabio Assunção durante ensaio; antes da saída de Frota do elenco, também causou uma pequena confusão com este, chegando a ameaçá-lo com um caco de vidro; e, finalmente, ao demitir-se da produção, escreveu uma carta em tom jocoso ao diretor Wolf Maya dizendo que iria se retirar pois havia chegado a sua "vez de fazer sucesso". Mas o êxito do espetáculo o levou ao papel de maior destaque em sua curta carreira: o motorista de ônibus Bira da telenovela De Corpo e Alma. Tal personagem lhe foi dado por acaso; quem interpretaria Bira seria Alexandre Frota, que estava com conflitos de agenda no momento. O diretor Roberto Talma escolheu Guilherme de um banco de dados sobre atores; na televisão, havia feito apenas uma ponta em Mico Preto, de 1990.

Nos bastidores de De Corpo e Alma, causa outro pequeno acidente ao deixar hematomas no braço da atriz Carla Daniel durante uma gravação. Carla interpretava Sheila, namorada de seu personagem. Porém, Bira acaba se apaixonando por Yasmin, retratada por Daniella Perez, filha da autora Gloria Perez, com quem acaba formando um triângulo amoroso junto ao personagem Caio, vivido por Fábio Assunção. A trama tornou-se um grande sucesso, chegando à média geral de 52 pontos de audiência, alavancando não apenas o nome de Guilherme, mas ao mesmo tempo o de Daniella, que também era uma atriz em ascensão. Alguns dias depois do crime, Gloria Perez comentou que ela percebia, assim como o público, que Pádua empregava em Bira uma forte agressividade, a qual o personagem não deveria ter, mas acreditava ser devido à inexperiência dele.

Em 28 de dezembro de 1992, assassinou a atriz Daniella Perez, junto com sua então esposa Paula Nogueira Thomaz (atualmente Paula Nogueira Peixoto). A motivação do crime teria sido profissional, pois Guilherme havia "perdido espaço" na novela (a vítima era filha da autora da novela em que atuava), além do ciúme de sua esposa em relação às cenas dos atores na telenovela.

Após um dia de gravações da novela, Daniella saiu dos estúdios Tycoon da TV Globo, momento em que foi abordada por crianças, que pediram para tirar uma foto com ela. Essa foto foi a última imagem com vida da atriz. Guilherme de Pádua também estava no local tirando fotos com fãs, mas foi embora antes de Daniella. Após tirar a foto com as crianças, Daniella dirigiu seu carro até um posto de gasolina. Depois de abastecer seu veículo, Daniella saiu com o carro do posto de gasolina, momento em que foi emboscada por Guilherme e Paula, em frente ao posto, situação vista e confirmada por dois frentistas. Quando Daniella deixava o posto, Guilherme, com Paula escondida no banco de trás, fechou o carro da atriz, que desceu do veículo. Guilherme então deu um soco no rosto de Daniella e a colocou, desacordada, no carro do casal, um Volkswagen Santana. Paula, então, assumiu a direção, enquanto Guilherme pegou o Ford Escort de Daniella, com o qual seguiu para o local do crime.

Guilherme e Paula, então, seguiram até um matagal na Barra da Tijuca, onde mataram a atriz e deixaram o seu corpo. A Folha de S.Paulo escreveu: "O laudo cadavérico da atriz Daniella Perez indica que teve entre 16 e 20 ferimentos. A maioria deles estava concentrada na região mamária esquerda — sobre o coração — e o restante, no pescoço. Os ferimentos causaram uma grande hemorragia interna. O pulmão esquerdo foi perfurado e recebeu muito sangue. O coração apresentava oito perfurações e o pescoço, quatro — uma delas atingindo tecidos profundos e causando infiltração de sangue na traquéia. Além desses ferimentos, o corpo mostra também escoriações no ombro, que poderiam indicar, de acordo com o médico legista Nelson Massini, que ela tenha sido arrastada."

O crime teria sido motivado por inveja, cobiça e vingança, já que, segundo a acusação, Guilherme assediava Daniella em busca de uma maior participação de seu personagem na novela. Sem obter êxito em suas investidas e ao ver que seu personagem não ia aparecer em dois capítulos da novela na semana do crime, acreditou que Daniella teria falado sobre as perseguições que sofria, à sua mãe, Gloria Perez, autora da novela, como forma de prejudicá-lo. Em entrevista, Gloria Perez explicou que não diminuiu a participação do ator na novela para prejudicá-lo. Ela conta que, naquela semana, recebeu ordens superiores da TV Globo para não tratar de sequestro na novela, porém ela já tinha escrito capítulos sobre o tema. Em consequência, muitas cenas tiveram que ser cortadas e foi por isso que o personagem de Guilherme na novela acabou sumindo por dois capítulos.

Investigação policial, prisão e pena

Na noite do assassinato, um advogado que passava de carro pelo local achou estranho haver dois veículos estacionados no terreno baldio, de modo que anotou as placas e ligou para a polícia. A testemunha relatou que viu uma mulher dentro do Santana, no banco do carona. Posteriormente, durante as investigações, a testemunha identificou essa mulher como sendo Paula Thomaz. A testemunha relatou que também viu um homem no carro, mas que não o pôde reconhecer.

Quando a polícia chegou ao terreno baldio, já não havia mais ninguém no local. A polícia encontrou apenas o carro Escort de Daniella, mas não o Santana. Ao adentrar no terreno, um policial encontrou o cadáver de Daniella. Após o corpo ser encontrado e com a grande repercussão do caso na imprensa, muitas pessoas, inclusive atores da Globo, foram até a delegacia, dentre eles Guilherme de Pádua. Na delegacia, Guilherme foi questionado por Raul Gazolla, marido de Daniella, se ele sabia quem tinha feito aquilo com Daniella. Segundo depoimento de Gazolla, ao ser questionado, Guilherme "foi andando para trás" e respondeu "não sei, não sei", e depois "eram crianças", em referência às crianças com quem Daniella tirou fotos antes do assassinato.

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