Neste Dia

Guilherme da Albânia

Guilherme da Albânia (nome pessoal em alemão: Wilhelm Friedrich Heinrich zu Wied; Neuwied, 26 de março de 1876 – Predeal

Anúncio

Guilherme da Albânia (nome pessoal em alemão: Wilhelm Friedrich Heinrich zu Wied; Neuwied, 26 de março de 1876 – Predeal, 18 de abril de 1945), também conhecido como Skanderbeg II, foi Príncipe da Albânia de 7 de março até, de facto, 3 de setembro de 1914, embora o seu reinado só tenha sido oficialmente encerrado em 31 de janeiro de 1925, com a proclamação da república.

Nascido príncipe alemão da Casa de Wied, em 1913 foi proposto pelas Grandes Potências Europeias para se tornar soberano da Albânia, um principado recém-independente do Império Otomano. Foi nomeado em 21 de fevereiro de 1914, após uma delegação albanesa se deslocar à Alemanha para oferecer a coroa ao príncipe, que a aceitou.

Chegou à Albânia em 7 de março de 1914. Poucos dias depois, eclodiu no centro do país uma revolta muçulmana liderada pela família Toptani e por Essad Pasha, membro dessa família, que exigia a reintegração aos otomanos, mas com autonomia. O príncipe refugiou-se em 23 de maio de 1914 no navio italiano Misurata, ancorado em Durrës, deixando o país para sempre em 3 de setembro. Permaneceu como príncipe de facto até 1925, quando a República da Albânia foi declarada. Ele morreu em Predeal, na Romênia, em 18 de abril de 1945, aos 69 anos.

Guilherme Frederico Henrique de Wied nasceu em 26 de março de 1876 em Neuwied, às margens do Reno, sendo o terceiro filho de Guilherme, príncipe de Wied, e de sua esposa, a princesa Maria dos Países Baixos. Era primo do imperador Guilherme II da Alemanha e sobrinho da rainha Isabel da Romênia, nascida princesa de Wied.

Casou-se em 1906 com a princesa Sofia de Schönburg-Waldenburg, com quem teve dois filhos:

Maria Leonor (1909–1957), princesa de Wied e da Albânia, casou-se pela primeira vez em 1937 com o príncipe Alfredo de Schönburg-Waldenburg e, pela segunda, com o cidadão romeno Ion Octavian Bunea, sem descendência de ambos os casamentos. Faleceu aos 47 anos em um campo de concentração comunista na Romênia;

Carlos Vítor (1913-1973), príncipe herdeiro da Albânia, príncipe de Wied, casado em 1966 com a plebeia britânica Eileen Johnston, sem descendentes. Faleceu na Alemanha aos 60 anos.

Guilherme passou sua juventude em sua cidade natal, Neuwied, onde recebeu instrução de um tutor particular. Entre 1892 e 1896 frequentou o ginásio em Jena, onde concluiu o Abitur em 6 de março de 1896. Posteriormente, ingressou na escola militar em Engers – próximo a Neuwied – e recebeu, em 3 de junho de 1897, a patente de tenente. Nos anos seguintes, serviu no Regimento da Guarda do Imperador, sendo promovido a primeiro-tenente da cavalaria em 19 de julho de 1907. Em 20 de março de 1911, Guilherme foi transferido para o 3º Regimento de Ulanos da Guarda, em Potsdam, na condição de capitão de cavalaria, permanecendo ali até sua nomeação como Príncipe da Albânia.

Em 1913, quando as Grandes Potências Europeias buscavam um monarca para o recém-independente Principado da Albânia, Guilherme estava entre os diversos candidatos ao trono. Longas e intensas negociações envolveram principalmente Áustria-Hungria e Itália, as nações mais interessadas no futuro do país. A escassez de candidatos adequados e o curto prazo para a escolha do príncipe levaram à nomeação de Guilherme no verão de 1913 como uma solução de compromisso. Sua nacionalidade alemã e a religião protestante tornavam-no o único candidato aceito por todos. Na época da candidatura, tinha trinta e sete anos, formação exclusivamente militar, nenhuma experiência política ou diplomática e conhecimentos limitados sobre a Albânia. Após inicialmente hesitar, aceitou a oferta em novembro de 1913 e foi formalmente nomeado príncipe em 21 de fevereiro de 1914, quando uma delegação albanesa lhe entregou a coroa. O imperador Guilherme II da Alemanha não aprovou a decisão, considerando-a imprudente, e declarou que havia tentado escolher "um príncipe muçulmano, se possível". A posse foi adiada devido à dificuldade em definir detalhes sobre a organização do principado, à hesitação e à inexperiência de Guilherme e aos conflitos internos entre os albaneses. Somente em 7 de março de 1914 ele desembarcou em Durrës com a esposa e uma pequena comitiva real, assumindo oficialmente o governo do país.

Desde o início de seu reinado, Guilherme enfrentou desafios significativos. A Questão Epirota, relativa à fronteira indefinida com a Grécia, uma revolta muçulmana na Albânia Central – liderada pela família Toptani e por Essad Pasha (membro dessa família) – e conflitos internos limitaram sua capacidade de ação. As Grandes Potências Europeias, por meio de seus representantes na Comissão Internacional de Controle, interferiam continuamente nos assuntos do príncipe, impedindo-o de atuar de forma independente. A eclosão da Primeira Guerra Mundial precipitou o fim de seu governo na Albânia: as tropas estrangeiras foram retiradas, os oficiais da gendarmaria neerlandesa regressaram aos Países Baixos e cessou o apoio financeiro a Guilherme. Em 3 de setembro de 1914, ele deixou a Albânia abordo do navio italiano Misurata, sem abdicar formalmente do trono.

Existem opiniões divergentes sobre o motivo do curto reinado de Guilherme (ele governou por menos de sete meses). Ele foi acusado de ignorância e indecisão, enquanto outros argumentavam que seu reinado estava fadado ao fracasso desde o início. Mesmo que as circunstâncias não lhe permitissem conduzir uma política resoluta, Guilherme não soube aproveitar a posição relativamente forte que a Constituição albanesa de 1914 lhe oferecia. Como consequência, os conflitos e tensões entre as potências da Tríplice Aliança e da Entente, bem como entre a Áustria-Hungria e a Itália, também entraram na política albanesa e dominaram as reuniões da Comissão Internacional de Controle. Além disso, a escolha dos conselheiros políticos de Guilherme para seu gabinete civil pessoal mostrou-se bastante desfavorável. Os cargos de destaque foram atribuídos a um conselheiro austro-húngaro e um italiano que se viam como rivais políticos, o que dificultou qualquer trabalho bem-sucedido. Particularmente problemática foi a decisão de Guilherme de confiar apenas em estrangeiros e não incorporar conselheiros albaneses, um fato que foi fortemente criticado pelo governo albanês.

Guilherme parecia ser facilmente influenciável, receoso de tomar decisões e, de modo geral, temeroso. Foi persuadido pelo conselheiro austro-húngaro a dissolver seu gabinete civil, mas apenas com hesitação tomou as medidas subsequentes necessárias Além disso, Guilherme não esteve envolvido na formação do acordo que concedeu autonomia ao Epiro do Norte, resultado de negociações entre as Grandes Potências Europeias e políticos albaneses e gregos. Sua fuga da capital por algumas horas durante a revolta muçulmana também foi prejudicial, assim como sua atitude indulgente para com Essad Pasha, um líder influente na Albânia Central que, no governo provisório do principado, ocupou os cargos de ministro do Interior e ministro da Defesa. Ao contrário de sua esposa, a princesa Sofia, Guilherme demonstrava escasso interesse em aprender a língua albanesa, o que gerou sérias dificuldades de comunicação com a população local. O príncipe ainda mantinha-se afastado tanto do povo quanto das instituições governamentais do país; não comparecia às reuniões oficiais, não estabelecia contato direto com os cidadãos e raramente visitava as diversas regiões da Albânia.

O príncipe Guilherme deixou a Albânia em 3 de setembro de 1914, inicialmente com destino a Veneza. Apesar de ter se afastado do país, insistiu em continuar como chefe de Estado. Em sua proclamação, informou ao povo que "considerava necessário ausentar-se temporariamente".

Ele retornou à Alemanha e voltou a integrar o Exército Imperial Alemão sob o pseudônimo de "conde de Kruja". O nome fazia referência à cidade de Krujë, na Albânia. Quando as forças austro húngaras expulsaram os exércitos sérvio e montenegrino do norte da Albânia nos primeiros meses de 1916, aumentaram as esperanças de Guilherme de ser restaurado ao trono, embora essas expectativas tenham sido frustradas ao final. Após a guerra, ele continuou a alimentar a ambição de retornar ao poder, porém era improvável que os participantes da Conferência de Paz de Paris restaurassem o trono a alguém que havia lutado recentemente contra eles.[carece de fontes?]

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Guilherme da Albânia | World in Stories