Neste Dia

Guilherme I, Príncipe de Orange

Líder da Casa Orange-Nassau e líder da Revolta Holandesa e da sua independência da Espanha

Anúncio

Guilherme I de Orange-Nassau (24 de abril de 1533 – 10 de julho de 1584), em neerlandês Willem van Oranje, também conhecido como o Guilherme, o Taciturno (Willem de Zwijger), foi Príncipe de Orange, Conde de Nassau (Guilherme IX de Nassau), líder da Casa de Orange-Nassau e o grande impulsionador do movimento de independência dos Países Baixos. Após um período como stadthouder (regente) das províncias da Holanda, Zelândia, Utrecht e Borgonha, ao serviço da Casa de Habsburgo, deu início à revolta que marcou o princípio da Guerra dos Oitenta Anos, sendo declarado como fora-da-lei por Filipe II de Espanha em 1567. Guilherme não assistiu ao sucesso da sua causa, que chegou apenas em 1648 com o fim do poderio espanhol na região, e morreu assassinado por Balthazar Gerardts em Delft.

Nos Países Baixos, Guilherme, o Taciturno, é considerado como o fundador da nação e o hino nacional, Wilhelmus, foi uma canção popular da época escrita em seu apoio. A bandeira é uma adaptação da bandeira do Príncipe e a cor nacional dos Países Baixos — o laranja — é uma referência directa ao nome do principado de Orange (laranja).

Existem várias explicações para o seu apelido de o Taciturno, uma tradução livre do neerlandês o Calado. Uma delas cita a falta de vontade que sempre mostrou em discutir assuntos difíceis ou de estado em público; a explicação alternativa refere a relutância em utilizar informações obtidas enquanto pajem de confiança do Imperador Carlos V, mesmo quando se encontrava em guerra com o seu filho Filipe II.

Guilherme nasceu no castelo de Dillenburg (moderna Alemanha), então sede da casa de Nassau, como filho mais velho do Conde Guilherme de Nassau e de sua mulher Juliana de Stolberg-Werningerode. Os seus primeiros anos foram marcados por uma educação luterana, inspirada pela mãe. Em 1544, com apenas onze anos, Guilherme herdou o título e propriedades do primo Renato de Chalôn, Príncipe de Orange, e tornou-se senhor de um vasto território nos modernos Países Baixos e Bélgica. Dada a sua tenra idade e importância estratégica e política, Guilherme foi chamado à corte do imperador Carlos V de Habsburgo, que se tornou regente do Principado de Orange e terras associadas.

Em Bruxelas, Guilherme estudou línguas estrangeiras, diplomacia e estratégia militar sob a supervisão da princesa Maria da Áustria, mulher do rei Luís II da Hungria e Baviera, e irmã do imperador. Por insistência de Carlos V, Guilherme foi incentivado a esquecer a sua educação protestante e a converter-se ao catolicismo. Durante este período, Guilherme foi um dos pagens favoritos do imperador, que nunca questionou a sua lealdade.

Em 1551, Guilherme tornou-se Senhor de Egmond e Conde de Buren, através do seu casamento com Ana de Egmond, uma herdeira que lhe trouxe ainda mais interesses territoriais nos Países Baixos. No ano seguinte, após servir como capitão de cavalaria, adquiriu o seu primeiro comando militar como general de um dos exércitos do imperador. O poder político depressa se seguiu, com a nomeação, em 1555, para o Conselho de Regência dos Países Baixos. Quatro anos depois, sobe de estatuto e torna-se stadtholder (Regência/governo regente) das províncias da Holanda, Zelândia, Utrecht e Borgonha.

Com estatuto político crescente, Guilherme casou com Ana da Saxónia em 1561, o que lhe permitiu ampliar a sua base de apoio e rede de contactos na Saxónia, Hesse e Palatinado. O casamento resultou em cinco filhos, incluindo Maurício de Nassau, nascido em 1567, mas provou ser um desastre. Ana, de temperamento instável e mal-humorado, tinha problemas psiquiátricos que levaram à dissolução da união dez anos depois.

Embora nunca se tenha oposto em aberto ao rei de Espanha nesta fase da sua carreira, Guilherme tornou-se num dos líderes da oposição na Raad van State, o parlamento neerlandês. Juntamente com os Condes de Hoorn e Egmont, a sua facção procurava obter mais autonomia para os Países Baixos e maior importância política e governativa para a aristocracia local. Outra razão de descontentamento latente era o tratamento dado pela Espanha católica à comunidade protestante local, então ainda em minoria. Tendo sido educado como luterano e mais tarde como católico, Guilherme era profundamente devotado mas defendia a liberdade religiosa, qualquer que fosse a confissão. Neste contexto, as novas iniciativas da Inquisição nos Países Baixos promovidas pela regente Margarida de Parma não caíram bem junto do seu grupo político.

A população depressa se organizou contra os atropelos à liberdade religiosa. Em 1566 foi formada uma comissão de nobres, entre os quais Luís de Nassau, um dos irmãos de Guilherme, que entregou uma petição à Duquesa de Parma, exigindo o fim das perseguições. Como seria de esperar, a ideia foi mal aceite pela regente e a situação tornou-se instável. Em agosto do mesmo ano a violência estalou e grupos de calvinistas atacaram igrejas e capelas católicas, destruindo as imagens de santos, que consideravam ser uma ofensa ao segundo mandamento. Os motins, conhecidos como Beeldenstorm, prolongaram-se até outubro e obrigaram Margarida de Parma a negociar. Ficou acordado que as principais exigências de tolerância religiosa seriam atendidas se os nobres envolvidos ajudassem a estabelecer a ordem. As promessas ficaram por cumprir e o clima de tensão manteve-se. Descontente com a situação no terreno, Filipe II de Espanha enviou Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel, Duque de Alba, conhecido como o Duque de Ferro, para pacificar a região. O anúncio da chegada provocou o exílio de muitos luteranos, calvinistas e seus simpatizantes, com medo de represálias. Guilherme, que prestara apoio financeiro aos amotinados, seguiu o exemplo e retirou-se com a família para Nassau.

Os receios provaram estar correctos pois logo na sua chegada em 1567, o Duque de Alba criou um tribunal especial para apurar responsabilidades na rebelião. Cerca de 10 000 pessoas foram convocadas para responder perante o Duque de Alba e muitas delas acabaram por ser aprisionadas. Guilherme foi também chamado para responder a acusações, mas não compareceu. Em consequência, foi declarado inimigo público e as suas propriedades nos Países Baixos confiscadas pela coroa espanhola. Sem nada já a perder, Guilherme tomou então a tarefa de organizar a resistência armada ao regime do Duque de Alba. Financiado pelas suas propriedades alemãs, recrutou um exército de mercenários e nomeou o irmão Luís de Nassau como general. A região estava agora a um passo da guerra.

O exército de Nassau invadiu os Países Baixos pelo Norte na primavera de 1568 e a 23 de maio ocorreu a Batalha de Heiligerlee, contra um contingente espanhol comandado por João de Ligne, Duque de Aremberg e stadtholder das províncias do Norte. O resultado foi uma vitória marcada de Luís de Nassau, o que custou a vida de Aremberg e despoletou a ira do Duque de Alba. Como represália, Alba mandou executar vários nobres que se encontravam presos, incluindo os Condes de Egmont e Hoorn, e mobilizou o seu exército para Groningen. A 21 de julho, encontrou as tropas de Nassau na Batalha de Jemmingen e obteve a sua vingança. O exército recrutado por Guilherme foi aniquilado e o seu irmão Luís teve que fugir para salvar a vida. Estas duas batalhas marcaram o início da Guerra dos Oitenta Anos.

A resposta surgiu pouco tempo depois, com uma invasão da província de Brabante, no Sul, com o próprio Guilherme à cabeça de um grande exército. Desta vez, o Duque de Alba não aceitou o desafio para uma batalha e evitou a rota do inimigo, na esperança que a ameaça desaparecesse sozinha. A estratégia mostrou-se acertada quando os problemas financeiros de Guilherme o impediram de pagar aos mercenários e provocaram a dissolução da sua força militar. Guilherme foi obrigado a retirar-se de novo para Nassau, mas não desistiu.

Nos anos seguintes, não lhe foi possível recrutar novo exército devido a falta de fundos e, por isso, recorreu a outros métodos para minar o poderio espanhol. Assim, Guilherme iniciou uma campanha de propaganda com distribuições de panfletos e inspirou diversas canções populares, alusivas à causa rebelde. O moderno hino nacional dos Países Baixos, Wilhelmus, foi uma destas canções de propaganda. Os motivos da propaganda eram cimentar a sua já enorme popularidade e fazer passar as suas ideias políticas. A principal, que viria a alterar-se nos anos seguintes, era a de que Guilherme não estava contra a pessoa do rei de Espanha, senhor dos Países Baixos, mas sim contra as políticas injustas implementadas pelos seus regentes estrangeiros.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Guilherme I, Príncipe de Orange | World in Stories