Guilherme Muraro Derrite (Sorocaba, 10 de outubro de 1984), também conhecido como Capitão Derrite, é um policial militar e político brasileiro, filiado ao Progressistas (PP). Desde fevereiro de 2019, exerce o cargo de deputado federal por São Paulo, eleito em 2018 e reeleito em 2022. Também foi secretário de Segurança Pública de São Paulo no governo Tarcísio de Freitas, cargo do qual se licenciou para reassumir seu mandato na Câmara dos Deputados. Foi o primeiro oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) a ocupar a pasta.
Formado pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco, Derrite serviu na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), unidade de elite da PMESP, onde comandou pelotões entre 2010 e 2015. Recebeu a Medalha do Pacificador e formou mais de mil policiais ao longo da carreira. Passou para a reserva remunerada como capitão em 2018, ao ingressar na política.
Sua trajetória política inclui relatoria de projetos como a Lei Complementar 191/2022, que retomou a contagem de tempo de serviço para profissionais de segurança durante a pandemia, e apoio ao fim das saídas temporárias de presos. Na Secretaria de Segurança Pública, implementou programas como Muralha Paulista e Moradia Segura, além de expandir o uso de câmeras corporais. Sua gestão é marcada por aumento de 98% nas mortes em intervenção policial entre 2023 e 2024, gerando críticas por suposta "milicianização" da pasta e pedidos de impeachment[carece de fontes?].
Derrite defende a classificação de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas, elogia o modelo de segurança de exceção de Nayib Bukele em El Salvador e anunciou pré-candidatura ao Senado Federal em 2026. A proposta de enquadrar facções como grupos terroristas, segundo Derrite, permitiria ampliar mecanismos de cooperação internacional, endurecendo não apenas ações de combate internas, mas também fragilizando a soberania nacional por possibilitar a ocorrência de intervenções externas, isto é, operações ou pressões conduzidas por outros países e/ou organismos internacionais e justificadas pelo alinhamento a acordos globais de combate ao terrorismo.
Guilherme Muraro Derrite nasceu em 10 de outubro de 1984 em Sorocaba, no interior do estado de São Paulo. Cursou o ensino médio em escola pública estadual da cidade e, aprovado no vestibular, ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco em 2003. Formou-se como aspirante a oficial em 2006, iniciando a carreira na Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). Durante sua formação, destacou-se em disciplinas relacionadas a segurança pública e táticas operacionais, o que pavimentou sua trajetória na corporação.
É bacharel em ciências sociais e segurança pública, em direito, e possui pós-graduação em ciências jurídicas e direito constitucional pela Universidade Cruzeiro do Sul. Antes de entrar na política, atuou como professor em cursos de formação policial e integrou temporariamente o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.
Derrite é casado e pai de dois filhos. Reside na capital paulista e mantém perfil ativo nas redes sociais, onde compartilha posicionamentos sobre segurança pública e política.
Derrite ingressou na carreira militar aos 18 anos, motivado por um "sonho de infância" de servir na polícia, conforme relatado em entrevistas. Aprovado no vestibular da Fuvest e com bolsas em instituições como o Colégio Universitário e o Anglo, optou pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco, em São Paulo, onde iniciou sua formação em 2003, formando-se em dezembro de 2006 como aspirante a oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP).
Após sua graduação, Derrite serviu inicialmente em batalhões operacionais na capital. Nesses batalhões, Derrite foi acusado de comandar o grupo de extermínio osasquense batizado de "Eu sou a morte" pelo seu colega de corporação e implicado no crime Wallace Oliveira Faria. Apesar disso, os depoimentos careciam de provas concretas e portanto não avançaram.
Em 2010, promovido a 1º tenente, Derrite ingressou na Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA), unidade de elite da PMESP especializada no combate ao crime organizado. Entre 2010 e 2013, comandou um pelotão da ROTA, participando de operações contra facções criminosas na capital paulista e região metropolitana. Em 2013, assumiu o comando de outro pelotão de Força Tática no 49º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano.
Durante sua passagem pela ROTA, Derrite participou de diversas operações de combate ao crime organizado, recebendo elogios por sua atuação, incluindo a Medalha do Pacificador, concedida por serviços relevantes à corporação. Comandou pelotão da ROTA de 2013 a 2015, e contribuiu para a formação de mais de mil policiais militares no Curso de Formação de Soldados da PMESP. Prestou concurso interno e passou a servir no Corpo de Bombeiros, onde atuou como porta-voz durante o incêndio e desabamento do prédio no Largo do Paissandu, em 2018.
Confrontos armados e afastamentos
A carreira de Derrite na ROTA gerou elevado número de confrontos armados e mortes em serviço. Em entrevistas, ele admitiu ter participado de pelo menos cinco trocas de tiros que resultaram em óbitos, afirmando que foi "convidado a se retirar" da unidade em 2015 por "excesso de letalidade", por ordem superior de cunho político. Relatórios da Ouvidoria da Polícia apontaram críticas por suposto excesso de força, incluindo acusações de envolvimento em dez homicídios durante três anos e nove meses de serviço, embora sem condenação judicial ou provas concretas. Derrite retornou à ativa após revisões internas e seguiu carreira até alcançar o posto de capitão.
Declarações de Derrite levantam questões a respeito de sua postura de trabalho, em 2021 o político afirmou que saiu da Rota “porque eu matei muito ladrão. A real é essa, simples. Pá!”. Além disso, Derrite criticou policiais que matam menos de três indivíduos em 5 anos de serviço, classificando isso como "vergonhoso". O Capitão depois se desculpou por suas declarações.
Promovido a capitão em 2018, Derrite passou para a reserva remunerada no mesmo ano, aos 34 anos, para concorrer ao cargo de deputado federal, conforme exigido pela Lei Complementar nº 64/1990. Ao longo de 15 anos de serviço ativo (2003–2018), acumulou experiência em comandos operacionais e formação de pessoal, mas sua saída da ROTA e controvérsias sobre letalidade influenciaram sua transição para a política, onde continuou a defender pautas de endurecimento penal.
Derrite iniciou sua carreira política em 2018, ao deixar a reserva da Polícia Militar para concorrer ao cargo de deputado federal por São Paulo. Foi eleito na ocasião com 119.034 votos para uma vaga de deputado federal pelo Partido Progressista (PP) pelo estado de São Paulo, na 56.ª legislatura da Câmara dos Deputados (2019-2023). Sua campanha enfatizou pautas de segurança pública, com o slogan "Capitão Derrite: Polícia que protege", e contou com apoio de alas conservadoras, incluindo bolsonaristas. Derrite integrou o grupo de deputados policiais e defendeu a defesa das forças de segurança em debates sobre letalidade policial e crime organizado.
Durante seu primeiro mandato, Derrite destacou-se por sua atuação em pautas relacionadas à segurança pública. Atuou como 2º vice-presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado (CSPCCO), de março de 2019 a março de 2021, onde influenciou discussões sobre políticas antiterrorismo e fortalecimento das polícias. Foi suplente nas Comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial (CDHMIR) e de Cultura (CCULT). Como vice-líder do governo Jair Bolsonaro de maio de 2019 a setembro de 2020, e vice-líder do PP em 2021, alinhou-se a pautas conservadoras, como o endurecimento penal e a oposição a medidas de desarmamento civil.
Derrite foi relator do Projeto de Lei Complementar (PLP) 150/2020, aprovado como Lei Complementar 191/2022, que retomou a contagem de tempo de serviço para profissionais de segurança pública e saúde afetados pela pandemia de COVID-19. Relatou também o PL 6.579/2013, sancionado em 2024 como lei que extingue as saídas temporárias de presos (conhecidas como "saidinhas"), após licença temporária em 2024 para acelerar sua tramitação. Foi coautor de outros três projetos aprovados relacionados à segurança, incluindo propostas para aumento de penas em crimes contra agentes de segurança.