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Guerras de independência da Escócia

As Guerras de independência da Escócia foram uma série de campanhas militares entre os reinos da Escócia e Inglaterra en

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As Guerras de independência da Escócia foram uma série de campanhas militares entre os reinos da Escócia e Inglaterra entre os séculos XIII e XIV.

O conflito foi dividido em duas fases: a primeira guerra (1296–1328) que começou como uma crise na monarquia escocesa, convivendo com as brigas incessantes dos clãs, viu Eduardo I da Inglaterra avançar com as suas tropas para tentar a total subjugação do reino vizinho. Após três décadas de violência, Roberto I ascendeu ao trono e repeliu a invasão inimiga. A segunda fase (1332–1357) foi na verdade uma quase guerra civil, quando as forças leais a Eduardo Balliol desafiaram a autoridade do rei David II da Escócia, o que provocou uma resposta inglesa na forma de uma invasão em larga escala. Os escoceses lutaram novamente por sua sobrevivência como nação independente e venceram, porém com perdas terríveis.

Essas guerras não só marcaram a história da ilha da Grã-Bretanha, mas forjou a identidade nacional escocesa. A Inglaterra, apesar de enfraquecida, desenvolveu novas técnicas de batalha, que usaria de forma bem-sucedida durante boa parte da Guerra dos Cem Anos (1337–1453).

O conflito começou quando o rei Alexandre III faleceu, em 1286, sem deixar um herdeiro masculino. Ele seria sucedido por sua neta, Margarida da Escócia, que tinha apenas três anos na época. Em 1290, os Guardiões do Reino haviam concordado, através do tratado de Birgham, que eles casariam Margarida com o então príncipe Eduardo de Caernarfon (o futuro rei Eduardo II), filho do rei Eduardo I de Inglaterra. O casamento tinha por objetivo garantir a paz entre as duas nações, porém os escoceses queriam manter o status quo político, garantindo suas liberdades e independência.

A 26 de setembro de 1290, a caminho para a Inglaterra, Margarida acabou falecendo. Com isso, cerca de treze rivais começaram a competir pelo trono escocês. Os dois principais eram Robert de Bruce, 5º Senhor de Annandale, e João Balliol, Senhor de Galloway. Temendo uma guerra civil, os Guardiões da Escócia pediram para Eduardo I, rei da Inglaterra, que viesse para o norte e arbitrasse a disputa. Ele aceitou e pediu um encontro na cidade fronteiriça de Norham, no começo de 1291. Como pré-requisito para tal, contudo, ele insistiu ser apontado como Senhor Regente do Reino da Escócia e para garantir que os escoceses não recusassem, ele enviou tropas para a fronteira. Além disso, a maioria dos pretendentes ao trono escocês possuíam grandes propriedades na Inglaterra e, portanto, poderiam perde-las se tivessem desafiado o rei inglês. Naquela altura, a Escócia não tinha um exército profissional muito grande, não tinham rei e nem unidade, com vários clãs dividindo o poder. Os dois principais concorrentes ao trono aceitaram as condições do monarca inglês.

Eduardo I ainda exigiu que posições e castelos vitais na Escócia fossem entregues as suas forças. Funcionários públicos foram demitidos e readmitidos após jurarem lealdade a ele. Cidadãos comuns e lordes de todo o país também deveriam prestar homenagens ao rei inglês.

Entre maio e agosto de 1291, ao menos treze encontros foram feitos em Berwick, onde os lordes que reivindicavam a coroa escocesa apresentaram seu caso ao monarca inglês. No final da primeira parte dos debates, apenas João Balliol, Floris V da Holanda, Bruce e John de Hastings sobraram, pois eles conseguiram provar serem descendentes de David I. O conselho de arbitragem, reunido em 17 e 30 de novembro de 1292, deu ganho de causa para João Balliol, o indicando para Rei. Conforme combinado, a 26 de dezembro, o agora Rei João foi até Newcastle upon Tyne e prestou homenagem ao soberano da Inglaterra, Eduardo I. Este, por sua vez, deixou claro que considerava a Escócia como um reino vassalo. Os clãs leias a Bruce consideraram isso uma traição e começaram a minar a autoridade do novo rei. Balliol tentou resistir mas o desdém do seu povo para com Eduardo aumentava. Em 1294, o rei inglês convocou João para que ele reunisse um exército e levantasse fundos para ajudar na guerra da Inglaterra contra a França. O monarca escocês voltou ao seu país e se encontrou com seu conselho. A decisão tomada foi desafiar os ingleses e um conselho de guerra foi convocado pelo parlamento. Emissários foram enviados para se encontrar com o rei francês, Filipe IV. Os dois países concordaram em cooperar. Caso os ingleses invadissem a França, os escoceses aproveitariam para lançar sua própria invasão do norte da Inglaterra. Em troca, a França apoiaria a Escócia quando Eduardo I retaliasse. Também foi combinado um casamento entre o herdeiro de João e uma sobrinha do monarca francês.

Em 1295, Eduardo I descobriu o acordo secreto entre os franceses e os escoceses. Em outubro, ele deu ordens para que as defesas do norte fossem fortalecidas. O rei inglês então ordenou que João entregasse os seus castelos em Berwick, Jedburgo e Roxburgh. Tropas também foram convocadas e milícias pró Inglaterra se formaram. Toda essa movimentação forçou João Balliol a convocar todos os clãs e todos os cidadãos escoceses para a luta, reunindo um exército em Caddonlee, na região de fronteira. Vários nobres escoceses, como Robert Bruce VI, o novo senhor de Carrick, ignoraram o chamado do seu rei, pois o consideravam fraco.

Em março de 1296 a guerra começou a todo o vapor, quando tropas inglesas saquearam a importante cidade de Berwick. No mês seguinte, as forças escocesas foram massacradas na batalha de Dunbar. Com o exército inglês avançando e esmagando qualquer resistência, João Balliol acabou capturado, despojado de seus títulos e foi obrigado a renunciar o trono. Naquela altura, a vitória inglesa parecia garantida, com quase todo o sul da Escócia em suas mãos e o norte no processo de ser também conquistado. No começo do ano seguinte, uma revolta começou, liderada por vários senhorios escoceses, como Andrew Moray e William Wallace. Eduardo I enviou tropas para enfrenta-los. Nesse meio tempo, vários nobres escoceses se renderam a ele em Irvine.

Com a guerra indo muito mal para os escoceses, Wallace e Moray, que estavam realizando campanhas individuais contra os ingleses, reuniram suas forças para enfrentar uma tropa de soldados ingleses vastamente superior que se movia do Castelo de Stirling, que era considerado o coração do país. No final, um pouco mais de 5 000 escoceses detiveram mais de 10 000 soldados ingleses na batalha da ponte de Stirling. Esta foi a primeira grande vitória da Escócia no conflito e se provou decisiva na primeira fase da guerra. Andrew de Moray acabou falecendo devido a um ferimento, o que deu a William Wallace o comando das forças rebeldes. Ele então foi proclamado o novo Guardião da Escócia e ordenou uma série de arrastões no norte da Inglaterra em 1298. Eduardo reagiu, enviando reforços. Ao mesmo tempo que ele tentava trazer nobres escoceses para o seu lado (através de subornos e prometendo terras), o rei inglês avançava com suas tropas a partir de Edimburgo, a capital do reino. Wallace e seus seguidores posicionaram-se na cidade de Falkirk para resistir ao avanço de Eduardo, mas eles acabaram sendo derrotados numa sangrenta batalha. William renunciou ao posto de Guardião e fugiu para evitar a captura. Roberto Bruce VII e John Comyn assumiram o cargo vago por ele. Novas campanhas militares lançadas pelos ingleses em 1301 e 1302 terminaram em impasse. No ano seguinte uma trégua foi firmada.

As hostilidades recomeçaram entre 1303 e 1304. O castelo de Stirling, o principal do país, acabou caindo em mãos inglesas. Novas negociações feitas acabaram por fazer com que vários nobres escoceses prestassem homenagem a Eduardo I da Inglaterra. Naquele momento, parecia que a guerra estava chegando ao fim com uma grande derrota escocesa e a subjugação do seu reino. Contudo, em 1305, novas alianças foram feitas, e William de Lamberton e Roberto Bruce se uniram com o objetivo de conquistar o trono para este último. Nesse mesmo ano, William Wallace, que aos olhos do povo já era um herói nacional, foi capturado pelos ingleses e executado, dando-lhe agora os status de mártir para os escoceses. Porém isso não significou em aumento das hostilidades e um período de calma se seguiu.

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