A guerra econômica entre China e Estados Unidos está em curso desde janeiro de 2018, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, começou a impor tarifas e outras barreiras comerciais à China com o objetivo de a forçar a alterar práticas comerciais consideradas desleais pelos EUA e roubo de propriedade intelectual.
O primeiro governo Trump declarou que estas práticas podem contribuir para o déficit comercial entre os EUA e a China e que o governo chinês exige a transferência de tecnologia americana. Em resposta às medidas comerciais dos EUA, o governo chinês acusou a administração Trump de protecionismo nacionalista e tomou medidas retaliatórias.
Após a guerra comercial ter-se intensificado em 2019, em janeiro de 2020, ambas as partes chegaram a um tenso acordo de primeira fase. No final da primeira presidência de Trump, a guerra comercial foi amplamente caracterizada como um fracasso americano.
A administração de Joe Biden manteve as tarifas em vigor e acrescentou taxas adicionais sobre produtos chineses, como veículos elétricos e painéis solares. Em 2024, a campanha presidencial de Trump propôs uma tarifa de 60 por cento sobre os produtos chineses. Em 1º de fevereiro de 2025, o governo Trump aumentou as tarifas sobre a China em 10%, enquanto em 4 de março, o governo as aumentou em outros 10%. Desde fevereiro de 2025, o governo Trump impôs um total de tarifas de 20% à China. Em 2 de abril de 2025, o governo Trump elevou a tarifa total de importação da China para 54%, com o governo chinês prometendo retaliação em resposta.
O ano de 2025 marcou uma intensificação do conflito comercial entre os Estados Unidos e a China no começo do segundo governo Trump, com a imposição de tarifas significativas por ambas as partes. Os EUA estabeleceram uma tarifa de 145% sobre produtos chineses, enquanto a China respondeu com uma tarifa de 125% sobre produtos americanos. Em 11 de abril de 2025, a China anunciou o aumento de suas tarifas sobre importações dos EUA de 84% para 125%, em retaliação às medidas tarifárias dos EUA. O Ministério das Finanças da China afirmou que, caso os EUA continuem impondo tarifas adicionais sobre produtos chineses, essas ações serão ignoradas, pois as importações americanas já não são mais comercializáveis nos níveis tarifários atuais. Apesar das tarifas elevadas, os EUA isentaram certos produtos eletrônicos chineses, como celulares, computadores e microprocessadores, das novas tarifas, buscando mitigar o impacto sobre os consumidores e empresas tecnológicas. A escalada tarifária entre as duas maiores economias do mundo tem gerado preocupações sobre os efeitos nas cadeias de suprimentos globais e no comércio internacional.
Os motivos para essa disputa comercial estão profundamente enraizados na transformação cenário econômico global em relação a uma relativa mudança de poder entre as principais economias, na qual a ascensão econômica da China e a queda no crescimento dos EUA desempenharam um papel crucial. O comércio entre os dois países também passa por um grande desequilíbrio. Em 2017, as exportações dos EUA para China contabilizavam apenas US$ 130,37 bilhões de dólares, enquanto as importações de produtos chineses somavam US$ 505,6 bilhões, causando um déficit de US$ 375,23 bilhões para os EUA, o que desagradou profundamente Trump e líderes do governo.
A taxa de crescimento potencial dos EUA caiu substancialmente no século 21 após um declínio gradual nas décadas anteriores. A queda na taxa de crescimento econômico dos EUA veio acompanhada de aumento de desigualdade, conflitos étnicos, problemas migratórios e recessão estrutural nos chamados “cinturões da ferrugem”. O governo dos EUA está sob pressão para adotar medidas para reverter essa tendência de enfraquecimento do crescimento econômico. Como a desaceleração do crescimento estadunidense ocorreu em um período onde houve aumento da globalização e cada vez mais dependência econômica com outros países, particularmente com a China, fatores externos podem ser comumente vistos como as principais causas desses problemas. Juntamente com o rápido crescimento econômico da China (e de outros países emergentes), a globalização serve como uma importante justificativa para mudanças na política econômica e comercial dos EUA em relação à China.
Utilizando indicadores como a escala de investimento e poupança e o valor agregado de bens industriais e manufaturados, a China já superou os EUA. A China também já ultrapassou os EUA em paridade do poder de compra. Com base nas tendências atuais, a China pode passar os EUA em termos de tamanho geral da economia (medido pela taxa de câmbio do mercado) em aproximadamente 10 anos.Não somente, os EUA têm amplas críticas ao sistema econômico chinês e considera suas práticas desleais à competitividade internacional, argumentando que a China não respeita as regras da OMC, danificando o sistema global de comércio e o prejudicando o crescimento de novas indústria nos EUA e na Europa. O cenário institucional específico da economia chinesa pode ser facilmente interpretado como um dos principais fatores que causam o desequilíbrio comercial e outros problemas enfrentados pela economia dos EUA.
Um exemplo de política industrial adotada pela China que é criticada é o projeto Made in China 2025, que estaria promovendo o desenvolvimento da indústria de alta tecnologia chinesa e restringindo investimento direto de empresas estrangeiras e suas tecnologias, serviços e produtos, segundo o governo dos EUA. Na visão americana o objetivo chinês é retirar de cena os “líderes industriais globais”, particularmente as empresas americanas. Dessa forma a China poderia alcançar a dominância do mercado global.
No relatório da investigação, baseado na seção 301 da Lei de Comércio, os EUA alegam que a China utiliza quatro táticas não competitivas para adquirir tecnologia.
Impondo restrições para empresas estrangeiras de países rivais em benefício de seus parceiros, e aumentando a burocracia na licença administrativa. A China também implementou uma estratégia que exigia que investidores estrangeiros fornecessem tecnologia de ponta e em troca da entrada no mercado chinês.
Exigindo processos burocráticos para emissão de licença para empresas estabelecerem operações no país. Isso, segundo os EUA, desobedece as regras da OMC.
Retirando investimentos estrangeiros no setor de alta tecnologia dirigida por meio de intervenção estatal.
Invadindo as redes comerciais de computador americanas, assim como roubando propriedade intelectual dos EUA. Segundo os EUA, o governo da China apoia e também é responsável pela invasão não autorizada em redes estadunidenses e, deste modo consegue acesso a uma ampla gama de informações comerciais valiosas sobre negócio, onde se incluem segredos comerciais e dados técnicos.
Período eleitoral e início do mandato de Trump
Durante a eleição presidencial norte-americana de 2016, Donald Trump defendeu a renegociação de acordos comerciais dos Estados Unidos. Em uma reunião com o Conselho Editorial do jornal The New York Times em janeiro de 2016, Trump afirmou que taxaria as importações chinesas para os EUA em 45 por cento. Após ser eleito, prometeu "colocar os EUA em primeiro lugar" e renegociar "acordos bilaterais de comércio justos que tragam empregos e a indústria de volta para a América", se mostrando particularmente preocupado com as relações econômicas entre China e Estados Unidos.
Porém, além de não implementar essas medidas imediatamente após assumir a presidência, a liberação de relatórios em 2017 por parte do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, relatando uma “nova abordagem” para a política de comércio estadunidense, sinalizou uma mudança na direção da política comercial dos EUA, colocando a China como o alvo mais importante. O presidente chinês Xi Jinping realizou uma visita a Trump no início de 2017, e foi anunciado o início de um período de negociações que duraria 100 dias sob uma nova plataforma de diálogo, com o objetivo de reduzir o desequilíbrio do comércio bilateral. Esse período de diálogos marcou um momento de estabilidade e cooperação entre os países.