Neste Dia

Guerra Israel–Hezbollah (2023–2024)

Conflito entre o Hezbollah e Israel de 2023 a 2024

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Os confrontos entre Israel e o Hezbollah iniciaram-se a partir de 8 de outubro de 2023 quando o grupo militante libanês Hezbollah lançou foguetes guiados e projéteis de artilharia contra posições israelenses na região das Fazendas de Shebaa durante a Guerra Israel-Hamas. Israel passou a retaliar com ataques de drones e fogo de artilharia contra posições do Hezbollah. Trocas de ataques entre Israel e o grupo militante libanês Hezbollah vêm ocorrendo ao longo da fronteira Israel-Líbano e na Síria e nas Colinas de Golã ocupadas por Israel desde 7 de outubro de 2023 . Atualmente, é a maior escalada do conflito Hezbollah-Israel ocorrida desde a Guerra do Líbano de 2006 e parte do impacto da Guerra Israel-Hamas.

Em 8 de outubro de 2023, o Hezbollah começou a disparar foguetes guiados e projéteis de artilharia contra posições israelenses nas Fazendas Shebaa ocupadas, o que disse ser uma forma de solidariedade aos palestinos após o ataque do Hamas a Israel ocorrido um dia antes. Israel retaliou lançando ataques de drones e projéteis de artilharia contra posições do Hezbollah perto da fronteira do Líbano com as Colinas de Golã ocupadas por Israel.

No norte de Israel, o conflito em curso forçou aproximadamente 96 mil pessoas a abandonarem as suas casas, enquanto no Líbano, aproximadamente 1 milhão de pessoas foram deslocadas. O Hezbollah declarou que não iria parar os ataques até que Israel parasse as operações militares em Gaza. Entre 21 de outubro de 2023 e 20 de fevereiro de 2024, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) registou cerca de 7.948 incidentes de fogo de artilharia do sul da Linha Azul (de Israel ao Líbano) e 978 incidentes de fogo de artilharia do lado norte (do Líbano a Israel).

Uma escalada significativa ocorreu em setembro e outubro de 2024, começando com as explosões de pagers no Líbano — que tiveram como alvo o Hezbollah e foram amplamente atribuídas a Israel — e seguidas por ataques aéreos israelenses diários que incluíram assassinatos de comandantes seniores do Hezbollah. Israel declarou que seus ataques continuariam até que os cidadãos israelenses próximos à fronteira norte pudessem retornar para casa em segurança. As vítimas mais mortais e mais generalizadas no Líbano resultaram dos ataques aéreos israelenses de 23 de setembro, que resultaram em pelo menos 558 mortes e mais de 1 835 feridos, incluindo crianças, mulheres e paramédicos. Durante esta campanha, as forças das IDF bombardearam e destruíram o quartel-general do comando central do Hezbollah em Beirute. No dia seguinte, o Hezbollah confirmou que o seu líder Hassan Nasrallah tinha sido morto naquele ataque aéreo.

O Hezbollah é um partido político xiita libanês e um grupo paramilitar, formado em 1982 para lutar contra a invasão israelense do Líbano. O grupo foi formado por clérigos muçulmanos, com financiamento iraniano. Durante a década de 1990, o Hezbollah lutou contra a ocupação israelita do sul do Líbano. A eliminação do Estado de Israel tem sido um objetivo primordial do Hezbollah desde o seu início, que opõe-se ao governo e às políticas israelenses.

O Hezbollah travou muitos conflitos com Israel, como o conflito do Sul do Líbano entre 1982 e 2000, o conflito das Fazendas de Shebaa e a Guerra do Líbano de 2006. Um cessar-fogo foi alcançado entre Israel e o Hezbollah no final de 2006, com base nos termos da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que pedia uma zona desmilitarizada entre a fronteira sul do Líbano e o rio Litani. No entanto, tanto Israel como o Hezbollah têm obrigações pendentes ao abrigo da Resolução 1701 do CSNU.

A resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas determinou que apenas o exército libanês e a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) poderiam estar armados no sul do Líbano, e nenhum dos lados deveria cruzar a Linha Azul que marca a fronteira. O Hezbollah posteriormente fortificou a região, obstruiu o acesso da FINUL, construiu túneis para Israel e cruzou a Linha Azul. Israel continua a ocupar territórios libaneses e tem violado repetidamente o espaço aéreo, as águas e as fronteiras libanesas. Segundo consta, Israel entrou no espaço aéreo libanês em mais de 22 mil ocasiões entre 2007 e 2021.

Em 8 de outubro de 2023, um dia após o Hamas ter lançado os seus ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel e o contra-ataque israelense ter começado com o bombardeamento de Gaza, o Hezbollah juntou-se ao conflito em "solidariedade com os palestinos", disparando inicialmente contra postos militares israelitas nas Fazendas de Shebaa e nas Colinas de Golã — ambos os territórios sob ocupação israelense. Desde então, o Hezbollah e Israel estão envolvidos em trocas de ataques militares transfronteiriços que deslocaram comunidades inteiras em Israel e no Líbano, com danos significativos a edifícios e terras ao longo da fronteira. Entre 7 de outubro de 2023 e 20 de setembro de 2024, ocorreram 10,2 mil ataques transfronteiriços, dos quais Israel lançou 8,3 mil. Mais de 96 mil pessoas em Israel e mais de 111 mil no Líbano foram deslocadas durante este período. Israel e o Hezbollah mantiveram os seus ataques a um nível que causa danos sem se transformarem numa guerra em grande escala.

O Hezbollah declarou que continuará a atacar Israel até que Israel interrompa as suas operações em Gaza, onde mais de 40 mil palestinos foram mortos. Israel exigiu que o Hezbollah implementasse a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU e retirasse as suas forças para norte do rio Litani. Os esforços diplomáticos, liderados pelo enviado dos Estados Unidos, Amos Hochstein, e pela França, não tiveram até agora sucesso na resolução do conflito.

Em novembro de 2023, o Ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, alertou que Beirute poderia ter o mesmo destino de Gaza. Ele fez o mesmo aviso em janeiro de 2024. Em junho de 2024, Gallant visitou os Estados Unidos, buscando apoio para uma escalada da guerra com o Hezbollah e uma possível invasão terrestre no Líbano. No mesmo mês, o ministro de relações exteriores de Israel, Israel Katz, em comunicado oficial de seu gabinete, afirmou que o Hezbollah viria a ser "destruído" e o Líbano "atingido com força" em um evento de "guerra total".

Desde a expulsão e fuga palestina de 1948, refugiados palestinos estão presentes no sul do Líbano e vários campos de refugiados foram estabelecidos, o que trouxe muitas facções palestinas para o sul do Líbano, sendo frequentemente usado como um centro para lançar foguetes no norte de Israel. A Organização para a Libertação da Palestina foi sediada no Líbano após ter sido expulsa da Jordânia pelo Rei Hussein em julho de 1971. Depois de se envolverem numa insurgência no sul do Líbano, até serem expulsos para Túnis após a Guerra do Líbano de 1982.

Tensões de abril e julho de 2023

Em 6 de abril de 2023, em resposta aos confrontos de Al-Aqsa de 2023, dezenas de foguetes foram disparados do Líbano para Israel, ferindo três civis israelitas. As Forças de Defesa de Israel disseram ter interceptado 25 foguetes disparados do Líbano, que, segundo disseram, foram disparados pelas facções palestinas Hamas e do Movimento da Jihad Islâmica na Palestina com a aprovação do Hezbollah.

Os ataques foram a maior escalada entre os dois países desde a Guerra do Líbano de 2006. A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) descreveu a situação como “extremamente grave” e apelou à contenção.

Em 15 de julho, as IDF dispararam tiros de aviso e usaram meios de dispersão de motins contra 18 pessoas, incluindo jornalistas e parlamentares que atravessaram a fronteira do Líbano e caminharam 80 metros em território ocupado por Israel.

Na manhã de 8 de outubro, o Hezbollah lançou foguetes e projéteis na região das Fazendas de Shebaa; em resposta, as Forças de Defesa de Israel (IDF) dispararam projéteis de artilharia e um drone no sul do Líbano. Duas crianças libanesas, segundo informações, foram feridas por estilhaços de vidro.

Israel realizou uma série de ataques aéreos no sul do Líbano, perto das cidades de Marwahin, Ayta ash Shab e Dhayra, no distrito de Bint Jbeil. Isso ocorreu depois que vários militantes palestinos se infiltraram na fronteira israelense. As Forças de Defesa de Israel (IDF) mataram pelo menos 2 perpetradores (provavelmente palestinos). A mídia libanesa relatou que dois militantes palestinos foram mortos e um ficou ferido, enquanto um quarto conseguiu retornar ao Líbano. Uma fonte de mídia do Hezbollah anunciou a morte de um de seus membros na retaliação das IDF. O Hezbollah negou envolvimento no incidente, mas a milícia palestina Jihad Islâmica Palestina reivindicou a responsabilidade pela infiltração armada. Mais tarde, o Hezbollah anunciou a morte de outros 2 militantes à noite.

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