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Guerra Greco-Turca de 1919–1922

Conflito armado

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A Guerra Greco-Turca de 1919–1922, também chamada de Guerra da Ásia Menor ou campanha grega da guerra de independência turca, foi uma série de confrontos militares ocorridos entre maio de 1919 e outubro de 1922, durante a partilha do Império Otomano, ocorrida ao término da Primeira Guerra Mundial. A guerra foi travada entre a Grécia e os revolucionários turcos do Movimento Nacional Turco, que posteriormente fundaria a República da Turquia

A campanha grega foi iniciada depois que os Aliados, especialmente o primeiro-ministro britânico David Lloyd George, haviam prometido à Grécia território que pertencia ao Império Otomano. Ao fim da guerra a Grécia foi forçada a devolver todos os territórios conquistados durante o confronto, e iniciou um processo de troca de populações com a recém-fundada República da Turquia, de acordo com o Tratado de Lausanne — processo que deixou marcas nas sociedades dos países, e acirrou ainda mais as rivalidades já existentes.

O contexto geopolítico deste conflito está ligado à partilha do Império Otomano, que foi uma consequência direta da Primeira Guerra Mundial e do envolvimento dos otomanos no teatro do Médio Oriente. Os gregos receberam da Tríplice Entente a ordem para desembarcar em Esmirna como parte da partilha. Durante esta guerra, o governo otomano ruiu completamente e o Império Otomano foi dividido entre as potências vitoriosas da Entente com a assinatura do Tratado de Sèvres a 10 de agosto de 1920.

Existiram vários acordos secretos relativos à partilha do Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial. A Tríplice Entente fizera promessas contraditórias sobre os arranjos do pós-guerra no que dizia respeito às aspirações gregas na Ásia Menor.

Os Aliados ocidentais, nomeadamente o Primeiro-Ministro britânico David Lloyd George, tinham prometido à Grécia ganhos territoriais à custa do Império Otomano se a Grécia entrasse na guerra do lado dos Aliados. Estes incluíam a Trácia Oriental, as ilhas de Imbros (İmroz, desde 29 de julho de 1979 Gökçeada) e Tenedos (Bozcaada), e partes da Anatólia ocidental em redor da cidade de Esmirna, que albergavam populações consideráveis de etnia grega.

O repúdio italiano e anglo-francês do Acordo de Saint-Jean-de-Maurienne, assinado a 26 de abril de 1917, o qual estabelecia os "interesses no Médio Oriente" de Itália, foi anulado com a ocupação grega, uma vez que Esmirna fazia parte do território prometido a Itália. Antes da ocupação, a delegação italiana na Conferência de Paz de Paris em 1919, irritada com a possibilidade da ocupação grega da Anatólia Ocidental, abandonou a conferência e não regressou a Paris até ao dia 5 de maio. A ausência da delegação italiana na Conferência acabou por facilitar os esforços de Lloyd George para persuadir a França e os Estados Unidos a apoiarem a Grécia e a impedirem operações italianas na Anatólia Ocidental.

Segundo alguns historiadores, foi a ocupação grega de Esmirna que criou o movimento nacional turco. Arnold J. Toynbee argumenta: "A guerra entre a Turquia e a Grécia que rebentou nesta altura foi uma guerra defensiva para salvaguardar as pátrias turcas na Anatólia. Foi um resultado da política aliada de imperialismo a atuar num Estado estrangeiro, cujos recursos e poderes militares foram gravemente subestimados; foi provocada pela invasão injustificada de um exército de ocupação grego." Segundo outros, o desembarque das tropas gregas em Esmirna fazia parte do plano de Elefthérios Venizélos, inspirado pela Megáli Idea, para libertar as vastas populações gregas na Ásia Menor. Antes do Grande Incêndio de Esmirna, Esmirna tinha uma população grega superior à da capital grega, Atenas. Atenas, antes da troca de populações entre a Grécia e a Turquia, tinha uma população de 473.000 habitantes, enquanto a kaza (distrito) central de Esmirna, de acordo com o censo otomano de 1914, possuía uma população grega de 73.676. Todo o Vilayet de Aidin (incluindo as modernas províncias de Esmirna, Manisa, Aydın e Denizli) tinha uma população grega de 299.096, ao passo que o sanjaco (subprovíncia) de Muğla contabilizava uma população grega de 19.923 habitantes.

A comunidade grega na Anatólia

Uma das razões propostas pelo governo grego para o lançamento da expedição à Ásia Menor foi a existência de uma considerável população cristã ortodoxa de língua grega habitando a Anatólia, que necessitava de proteção. Os gregos viviam na Ásia Menor desde a antiguidade e, em 1912, havia 2,5 milhões de gregos no Império Otomano. O Censo Otomano de 1906–1907 apresenta um número superior, estimando a população greco-ortodoxa total do império (incluindo albaneses ortodoxos, falantes de línguas eslavas (Grecomanos), valáquios e cristãos árabes ortodoxos) em 2.823.063 habitantes. De acordo com o Censo otomano de 1914, a população greco-ortodoxa do Império Otomano, após a perda das suas províncias nas regiões dos Balcãs e das Ilhas do Egeu, era de 1.729.738 (incluindo 188.047 cristãos árabes ortodoxos dos territórios correspondentes às atuais Síria, Líbano e Israel). A sugestão de que os gregos constituíam a maioria da população nas terras reclamadas pela Grécia tem sido contestada por vários historiadores. Cedric James Lowe e Michael L. Dockrill também argumentaram que as reivindicações gregas sobre Esmirna eram, na melhor das hipóteses, discutíveis, uma vez que os gregos constituíam possivelmente uma escassa maioria, ou mais provavelmente uma grande minoria no Vilayet de Esmirna, "o qual se situava numa Anatólia esmagadoramente turca." A demografia precisa é ainda mais obscurecida pela política otomana de dividir a população de acordo com a religião em vez da ascendência, língua ou autoidentificação. Por outro lado, estatísticas britânicas e americanas da época (1919) apoiam a tese de que o elemento grego era o mais numeroso na região de Esmirna, contando 375.000 pessoas, enquanto os muçulmanos seriam 325.000.

O Primeiro-Ministro grego, Venizélos, declarou a um jornal britânico que "a Grécia não está a fazer a guerra contra o Islão, mas contra o anacrónico governo otomano e a sua administração corrupta, ignominiosa e sanguinária, com vista a expulsá-lo daqueles territórios onde a maioria da população é constituída por gregos."

Até certo ponto, o perigo supramencionado pode ter sido exagerado por Venizélos como um trunfo de negociação na mesa de Sèvres, a fim de obter o apoio dos governos aliados. Por exemplo, os Jovens Turcos não estavam no poder à época da guerra, o que torna essa justificação menos direta. A maioria dos líderes daquele regime tinha fugido do país no final da Primeira Guerra Mundial e o governo otomano em Constantinopla já estava sob controlo britânico. Além disso, Venizélos já havia revelado os seus desejos de anexação de territórios do Império Otomano nas fases iniciais da Primeira Guerra Mundial, antes destas atrocidades terem ocorrido. Numa carta enviada ao rei Constantino da Grécia em janeiro de 1915, escreveu que: "Tenho a impressão de que as concessões à Grécia na Ásia Menor... seriam tão extensas que outra Grécia igualmente grande e não menos rica será adicionada à Grécia duplicada que emergiu das vitoriosas guerras balcânicas."

Através do seu fracasso, a invasão grega pode ter, em vez disso, exacerbado as atrocidades que supostamente deveria prevenir. Arnold J. Toynbee culpou as políticas seguidas pela Grã-Bretanha e pela Grécia, bem como as decisões da conferência de Paz de Paris, como fatores que conduziram às atrocidades cometidas por ambos os lados durante e após a guerra: "Os gregos do 'Ponto' e os turcos dos territórios ocupados pelos gregos foram, em certa medida, vítimas dos erros de cálculo originais do Sr. Venizélos e do Sr. Lloyd George em Paris."

Uma das principais motivações para iniciar a guerra foi a concretização da Megáli Idea (Grande Ideia), um conceito central do nacionalismo grego. A Megáli Idea era uma visão irredentista de uma restauração de uma Grande Grécia em ambos os lados do mar Egeu que incorporaria territórios com populações gregas fora das fronteiras do Reino da Grécia, o qual era inicialmente muito pequeno — cerca de metade do tamanho da atual República Helénica. Desde a época da independência grega do Império Otomano em 1830, a Megáli Idea tinha desempenhado um papel fundamental na política grega. Políticos gregos, desde a independência do Estado grego, tinham proferido vários discursos sobre a questão da "inevitabilidade histórica da expansão do Reino Grego." Por exemplo, o político grego Ioánnis Koléttis expressou esta convicção na assembleia em 1844: "Existem dois grandes centros do Helenismo. Atenas é a capital do Reino. Constantinopla é a grande capital, a Cidade, o sonho e a esperança de todos os gregos."

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