A Guerra Civil Iraquiana foi uma guerra assimétrica iniciada por diversos grupos iraquianos e jihadistas contra o governo central iraquiano. Os eventos que levaram a este conflito começaram logo após a invasão do país por forças anglo-americanas em 2003. A estimativa do total de pessoas mortas durante o período da ocupação estrangeira (2003-2011) diverge de fonte para fonte, com os números variando de 150 000 a até 500 000 fatalidades. Entre 2007 e 2009, a violência caiu drasticamente de intensidade. A insurgência voltou com toda a intensidade após a retirada das tropas americanas em 2011, com o conflito sectário e religioso também voltando à tona, levando a mais uma brutal onda de violência. Atentados com carros bombas, emboscadas e ações armadas em larga escala acabaram se tornando muito mais frequentes, ameaçando desestabilizar o governo iraquiano. Grupos sunitas, contrários a administração do país (controlada por xiitas, que são a maioria da população), lançaram-se em diversas ofensivas pontuais para tentar lentamente minar as autoridades de Bagdá que, apesar de receber apoio logístico e militar dos americanos, não tinha mais a alternativa de pedir auxílio direto dos exércitos dos Estados Unidos.
Milícias armadas dentro do Iraque se fortaleceram e ganharam novos recrutas durante seu envolvimento na Guerra Civil Síria. O grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (também conhecido pelas siglas EIIL ou ISIS, do inglês Islamic State in Iraq and Syria ou, ainda, ISIL, de Islamic State in Iraq and the Levant) se tornou a maior força de combate dos extremistas e uma das facções mais influentes e violentas da região. A luta para derrubar o regime do presidente da Síria, Bashar al-Assad (apoiado pelos xiitas), aumentou a rixa entre as duas vertentes do islamismo e intensificou o conflito sectário em toda a região.
Em junho de 2014, grupos fundamentalistas, encabeçados pelo EIIL, iniciaram uma nova e grande ofensiva no Iraque, focando na parte norte, centro e oeste do país. Eles rapidamente tomaram diversas cidades, como Mossul e Ticrite, e tinham planos de marchar até a capital, Bagdá. Centenas de pessoas teriam morrido nos combates. O grupo soltou diversos presos de cadeias locais e capturaram dezenas de armas. O objetivo dos insurgentes era construir um grande califado islâmico englobando uma enorme área da região e por isso impuseram uma visão estrita da lei islâmica nos territórios que ocupavam. As autoridades iraquianas foram acusadas de incompetência para lidar com o ressurgente problema. Muitos soldados teriam se recusado a lutar e recuaram, frente aos avanços dos rebeldes islamitas. O governo posteriormente tentou reagir, se reagrupando e convocando tropas para futuras operações militares contra os jihadistas. Diante da escalada da violência e ameaça de desestabilização do Iraque e da região do Curdistão, os Estados Unidos e vários países da OTAN lançaram, no começo de agosto, uma campanha de bombardeio aéreo contra alvos dos militantes do EIIL. Com apoio ocidental, o governo iraquiano foi, lentamente, reconquistando terreno. Então, a 9 de dezembro de 2017, o primeiro-ministro Haider al-Abadi declarou vitória sobre o Estado Islâmico, embora ações de guerrilha e insurgência prossigam, ainda que em pequena escala.
Antes da invasão do Iraque, existia uma insurgência sunita na zona curda iraquiana representada pelo Ansar Al Islam na região protegida pelos americanos desde a Guerra do Golfo. Desde dezembro de 2013, perto de dois anos após a saída das forças estrangeiras de ocupação do Iraque, combates violentos vinham ocorrendo entre tribos, as forças de segurança e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). As lutas mais sangrentas aconteciam na região noroeste. Em janeiro de 2014, militantes do EIIL assumiram o controle de cidades como Faluja e Ramadi, conquistando assim boa parte da província de Ambar. Tentando retaliar, o exército iraquiano lançou várias ofensivas visando retomar o controle da região. Antes das batalhas começarem, o primeiro-ministro do país, Nouri al-Maliki, deu um discurso controverso onde afirmou que a campanha militar era uma continuação da antiga luta sectária entre "os seguidores de Hussein e os de Yazid", em referência a uma importante batalha para os xiitas no século VII, alienando assim ainda mais a população sunita em Ambar, que até aquele momento havia demonstrado simpatia pelo governo.
Os avanços do EIIL também eram extensos na vizinha Síria, onde eles conseguiram recrutar pessoal e, acima de tudo, pegar várias armas, fortalecendo ainda mais sua posição. No começo de junho de 2014, os insurgentes começaram uma avanço efetivo nas regiões central e setentrional do Iraque. Até então, seus avanços na província de Ambar já era extensos, controlando Faluja e Garmah, além de partes de Hadita, Jurf Al Sakhar, Anah, Abu Ghraib e várias vilas pela região. Fortalecidos e bem armados, sua ofensiva chegou aos arredores de Bagdá.
Combates no norte do Iraque e conflito generalizado
No começo de junho de 2014, o grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL, também conhecido simplesmente como Estado Islâmico) lançou várias ofensivas no norte e no oeste do Iraque. Os ataques eram encabeçados por grupos insurgentes sunitas iraquianos contra o governo majoritariamente xiita do país e que resultaram na tomada de importantes cidades da região norte. Ainda em meados de junho, o grupo armado jihadista wahabista Estado Islâmico do Iraque, juntamente com vários militantes sunitas leais ao antigo governo de Saddam Hussein (ligado a facção iraquiana do Partido Baath) e tribos contrárias ao governo central em Bagdá, tomaram o controle de Mossul, a segunda cidade mais populosa do país.
À medida que as forças governamentais iraquianas fugiam para o sul, as forças curdas preenchiam o vazio, ocupando parte dos territórios disputados entre o Iraque e o Curdistão. O parlamentar curdo Shoresh Haji expressou seu desejo de que "a liderança curda não perca esta oportunidade de ouro para que as terras curdas nos territórios disputados voltem ao controle curdo". Os observadores internacionais interpretaram a mobilização curda como o último sinal da "crescente anarquia" reinante no Iraque.
Entre 9 e 10 de junho de 2014, membros do Estado Islâmico haviam conquistado a cidade de Mossul, capital da província de Nínive e segunda maior cidade do Iraque. Estima-se que cerca de 500.000 residentes teriam fugido. Duas semanas mais tarde, Ticrite, cidade natal de Saladino e de Saddam Hussein, também foi tomada pelos extremistas. Prédios do governo foram queimados e centenas de detentos foram libertados das cadeias. Duas divisões do exército iraquiano abandonaram os postos, não oferecendo resistência à invasão. Enormes quantidades de armamentos e milhões de dólares deixados para atrás pelo governo foram capturados pelos insurgentes. A maior refinaria de petróleo do Iraque, em Baiji, foi atacada. Foi reportado que Atheel al-Nujaifi, o então governador da província de Nínive, fugiu de Mossul antes do ataque.
O Estado Islâmico do Iraque e do Levante avisou as mulheres cristãs de Mossul para usarem hijabe. O marido de uma mulher assíria foi sequestrado e ameaçado de morte caso sua mulher não usasse o véu. Uma igreja armênia, perto do Hospital Al-Salaam, foi bombardeada. Uma estátua do poeta árabe, filho de cristãos, Abu Tamame, foi destruída. O grupo também ameaçou destruir outros sítios arqueológicos. Na Síria, os combatentes atacaram sítios arqueológicos e destruíram objetos dados de aproximadamente há 3000 anos.
Os cristãos foram obrigados a se livrar de símbolos de sua fé, e as mulheres precisam cobrir o rosto com o nicabe. "Somos tão poucos agora e nos tornamos muito vulneráveis", diz alguém. O número de cristãos no Iraque passou de 1,5 milhão, em 2003, para cerca de 35 mil, em 2014, principalmente por causa da emigração em massa, depois da queda de Saddam Hussein.
Ao final de 2014, grandes porções das províncias de Ninawa, Saladino e Ambar já haviam sido conquistadas pelos guerrilheiros do Estado Islâmico. Mesmo em menor número, os combatentes islamitas chegaram até mesmo a ameaçar uma investida contra a província de Bagdá, no centro do país. Embora tal ataque em larga escala nunca tenha ocorrido, "células dormentes" (jihadistas infiltrados entre os habitantes da capital), realizaram vários atentados. Enquanto isso, o EIIL continuava suas ofensivas pelo país, tomando parte da região de fronteira com a Jordânia e lutando contra as tropas do governo iraquiano em posições estratégicas próximas ao centro da nação. Combates particularmente violentos aconteciam perto de refinarias de petróleo ao norte da cidade de Baiji, a menos de 210 km da capital iraquiana. O município de Dhuluiya, que fica a 100 km de Bagdá, teria sido tomado em 12 de junho pelos insurgentes, enquanto eles prosseguiam suas ofensivas rumo ao sul, em áreas controladas por xiitas. A 20 de junho, os islamitas tomaram uma antiga instalação de fabricação de armas químicas em Al-Muthanna.