Guarabira é um município brasileiro do estado da Paraíba. Situa-se a 96,7 quilômetros da capital paraibana, João Pessoa; a 90,4 quilômetros de Campina Grande, a cidade mais populosa do interior paraibano; a 174 quilômetros da capital potiguar, Natal; e a menos de 203 quilômetros do Recife, a capital de Pernambuco. Está inserida na Região Geográfica Imediata de Guarabira e na Região Geográfica Intermediária de João Pessoa.
O topônimo "Guarabira" é referenciado por alguns autores como de origem indígena com o significado de "o Berço das Garças Azuis". O tupinólogo paraibano Vanderley de Brito, em seu trabalho Missões na Capitania da Paraíba, defende o significado "pássaro azul" ao invés de "verde", sendo a preferência pelo azul no antropônimo em questão devida principalmente aos usos e costumes. Segundo o autor, erroneamente se atribuiu ao nome da cidade o significado "garças azuis", concluindo que a origem do nome da cidade deriva do termo tupi Guiraobira, que seria o nome do chefe da tribo geograficamente localizada na região e catalogada pelo cartógrafo George Marcgraf, quando mapeou as missões franciscanas na Paraíba durante expedições na região realizadas em 1620. Segundo o missionário, o termo poderia ser traduzido como "pássaro azul ou verde": Guirá ("pássaro") e Obi ("azul ou verde"). A partícula "yra" designaria, o clã ao qual pertencia o chefe.
Para o historiador e antropólogo Câmara Cascudo, em seu Novo Dicionário de História do Brasil, grafa que Guiraobi se traduz por pássaro verde. Em sentido diverso, o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro concorda que "Guarabira" procede do tupi antigo, mas sendo gûaraembira, a origem da palavra, que designaria o guaravira, um peixe da família dos gimnotídeos.
Por volta do ano 1000, a região foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os habitantes originais, falantes de línguas macro-jês, para o interior do continente.
No século XVI, quando os primeiros exploradores europeus chegaram à região, ela era habitada pela tribo tupi dos potiguares. Reinando, no século XVI, dom Felipe III, Duarte Gomes da Silveira teve notável influência nas remotas origens de Guarabira. Foi durante o domínio espanhol que ele iniciou, nas férteis caatingas em Quandus, perto de Araçagi, a pecuária e latifúndios. Nascera em Olinda, filho de pais portugueses (Pedro Alves da Silveira e Maria Gomes Bezerra).
Digno de relevo no fim das guerras dos potiguares, em 1578, veio, em missão catequizadora, da vila de Natal para Cupuoba e Quandus, aldeia de indígenas, o padre jesuíta Gaspar de Samperes. Ele viajou até seu destino, as aldeias indígenas Potiguar, onde ao chegar, começou modificando a cultura indígena local, trazendo consigo os ideais de sua fé cristã. O padre Gaspar, engenheiro arquiteto especialista em fortificações militares, era espanhol.
Tempos após, holandeses garimpeiros, sob as ordens de Elias Herckmans, procuravam minas no Rio Araçagi desta zona. Esse ocorrido se deu na segunda metade do século XVI, quando da criação da capitania da Paraíba e fundação do município de Nossa Senhora das Neves (a atual cidade de João Pessoa), em 1585.
Em 1592, o governador da capitania, Feliciano Coelho de Carvalho, com a colaboração dos tabajaras, conseguiu, por diversas vezes, travar combates com os índigenas potiguares e seus aliados franceses localizados na Serra da Copaoba, atual Serra da Raiz. Nesse período, Duarte Gomes recebeu o título de capitão-mor da Serra de Cupaoba.
A fundação de Guarabira vem do ano de 1694, em terras do Engenho Morgado, pertencente a Duarte Gomes da Silveira. As primeiras residências edificadas dariam, mais tarde, origem à Vila da Independência (primeiro nome da cidade de Guarabira), que, em virtude de sua localização e da excelência de seu solo, tornou-se dona de grande prestígio e influência nas cercanias.
Em 1 de novembro de 1755, com um grande e devastador terremoto em Portugal, um senhor, por nome de José Rodrigues Gonçalves da Costa, tomado de pânico, fugiu de Póvoa de Varzim, na província de Porto, sua terra. Chegando em Guarabira com toda sua família, o senhor Costa Beiriz (como ficou conhecido) construiu uma capela colocando, nela, a imagem de Nossa Senhora da Luz que trouxera de Portugal. Esta tornou-se a padroeira do município, embora o padre João Milanez já houvesse construído a primeira igreja do município, a capela de Nossa Senhora da Conceição, em 1730. Em 1760, começavam as primeiras orações e novenas à Virgem da Luz. A primeira casa de oração era de taipa, oficializando, nela, o padre Cosme.
Em 1820, tendo dom João VI jurado a Constituição Portuguesa, levantou-se um motim e, em sinal de protesto, muitos pegaram as armas. Os revoltosos reunidos em Cuitegi deste termo atacaram Alagoa Grande, avançando até Areia, onde morreu a questão.
Por força da lei de 29 de novembro de 1832, foi constituído o Distrito de Paz; o povoado foi crescendo e, em 1837, foi elevado à condição de vila, com o nome de Independência, através da Lei Provincial 17, de 7 de abril de 1837, instalando-se efetivamente no dia 11 de novembro do mesmo ano. Vinte anos depois, no dia 10 de outubro de 1857, foi criada a comarca de Guarabira.
A comarca foi criada em 10 de outubro de 1857, um ano após extinta, e restaurada em 1870. Novamente extinta em 1871 e definitivamente restabelecida em 25 de julho desse mesmo ano. Em 1874, deu-se a invasão dos "quebra-quilos", havendo depredações. Pela lei 841, de 26 de novembro de 1887, finalmente foi elevada à categoria de cidade, considerada uma das maiores do estado.
Pela divisão territorial de 1938, o município contava com os distritos de Alagoinha, Araçaji, Cuitegi, Mulungu e Pirpirituba. Em 1951, foi criado o Distrito de Pilõezinhos. Esses distritos foram se emancipando e tornando-se municípios. Atualmente, temos os distritos de Cachoeira, Pirpiri e Maciel.
O município está localizado no Piemonte da Borborema, na Região Imediata de Guarabira. Com uma área de 162,387 quilômetros quadrados, o município ocupa o 115º lugar em extensão territorial no estado. Localiza-se a 98 quilômetros de distância de João Pessoa, 100 quilômetros de Campina Grande, 199 quilômetros do Recife, 145 quilômetros de Natal e a 230 quilômetros de Caruaru. Limita-se ao norte com o município de Pirpirituba, ao sul com Mulungu e Alagoinha, a leste com Araçagi, a oeste com Pilõezinhos e Cuitegi. A sede do município fica a 97 metros de altitude e sua posição geográfica é determinada pelas coordenadas 06° 51’18" de latitude sul e 35° 29’24" de longitude oeste.
O ponto mais alto do município é a Serra da Jurema, localiza-se ao Norte do município, na divisa com o município de Pirpirituba, com 300 metros de altitude. Nela, localiza-se o Memorial Frei Damião, principal ponto turístico-religioso do município. O relevo não é plano, pois é circuncidado de montes, formando uma espécie de cordilheira, na região de transição entre a planície litorânea e as elevações do Planalto da Borborema, sendo que o centro urbano situa-se em um vale que caracteriza uma depressão.
O território de Guarabira é cortado por pequenos rios, como o Guarabira, o Araçagi e o Mamanguape. O Rio Guarabira tem origem na localidade João da Silva, no município de Pilõezinhos. Em Guarabira, o rio tem uma extensão de 18 quilômetros, desaguando no rio Mamanguape, junto ao povoado do Maciel. O rio Mamanguape nasce em Três Lagoas, na cidade de Pocinhos.
A cidade é circundada por montanhas, o que dificulta a passagem dos ventos durante os dias secos, fazendo a sensação térmica aumentar nos períodos quentes. O clima de Guarabira é quente e seco no verão e úmido no inverno.