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Guanambi

Município do Estado da Bahia, Brasil

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Guanambi é um município brasileiro do estado da Bahia.

Guanambi abriga, ao lado de Caetité e Igaporã, o maior complexo eólico da América Latina.

Em 2015, foi considerado o município que mais se desenvolveu na Bahia, segundo o IFDM.

A denominação de "Guanambi" deriva do nome Beija-Flor dado ao antigo arraial, pois, em tupi, as palavras guainumbi, guanumbi, guanambi, significariam "beija-flor". O terreno de vazante, sempre úmido, contíguo ao local do arraial, permitia a existência de flores silvestres e, em consequência, a presença de colibris, daí a escolha do nome da localidade.

Outra versão muitas vezes repetida é que a antiga moradora Bela tinha uma filha chamada Flor, sendo comum que durante as cerimônias de Santo Antônio as festividades se iniciassem apenas depois que todos beijassem a imagem do santo, a começar pela filha da dona da casa, a bela Flor. Querendo que a festa se iniciasse logo, todos os presentes pediam: “Beija, Flor! Beija, Flor!” Assim, a população teria passado a chamar o referido lugar de Beija-flor.

A região de Guanambi originalmente era habitada por indígenas jês, apelidados de "tapuias", e foi ocupada durante o século XVIII, devido à expansão da criação de gado vinda do Vale do São Francisco, a descoberta de jazidas de ouro nas nascentes dos rios Paramirim, de Contas e Brumado e a descoberta de salitre na região de Palmas de Monte Alto. Os colonizadores desta região criam suas fazendas ali, sendo as mais importantes a Mata Verde, Pé da Serra, Carnaíbas de Fora, Carnaíbas de Dentro, Barro Vermelho, Umburanas e Santa Rosa da Pedra.

No século XIX, a região de Guanambi era um ponto de encontro entre tropeiros e comerciantes que se dirigiam a diversos pontos do sertão, tendo como ponto de encontro uma feira, ao redor da qual surge uma povoação, situada na Fazenda Carnaíbas de Dentro. Segundo uma lenda local, em um terreno dentro desta fazenda, vivia Belarmina ("Bela") e sua filha Florinda ("Flor"), devotas de Santo Antônio, no qual elas faziam festas que atraíam a vizinhança. Em razão disto, segundo esta lenda, o povoado começou a ser conhecido como "Beija-Flor".

Afirma-se que, em 8 de maio de 1870, o fazendeiro Joaquim Dias Guimarães doou um terreno da Fazenda Carnaíbas de Dentro para a edificação de uma capela em louvor a Santo Antônio no promissor Arraial de Beija-Flor, mas não há comprovação dessa doação. Joaquim Dias Guimarães, filho de Lourenço Dias Guimarães e Joaquina Maria de Jesus, era um dos muitos proprietários da região. O arraial foi constituído inicialmente das famílias de João Pereira de Costa, Gasparino Pereira da Costa, Joaquim e Alexandre Dias Guimarães, Inocêncio Antônio de Oliveira, Donato Pereira do Nascimento, Manoel Pereira do Nascimento, João Ferreira Costa, Manoel Antônio Cotrim, Othon Teixeira de Azevedo e muitos outros, que intensificaram o comércio e a agricultura e a pecuária na região.

Pela lei provincial nº. 1979 de 23 de junho de 1880, foi criado o “Distrito de Paz no Distrito da Subdelegacia de Beija-Flor do termo de Monte Alto". Mais tarde, em 1895, seria adotada a designação de Distrito de Bela-Flor.

Em 14 de agosto de 1919, através da Lei Estadual nº 1.364, o distrito de Bela Flor foi elevado à categoria de município, com a denominação de Guanambi, desmembrado de Palmas de Monte Alto, porém a real instalação do novo município só se deu em 1 de janeiro de 1920, quando Balbino Gabriel de Araújo Cajaíba tomou posse como o primeiro intendente (hoje prefeito).

Desenvolvimento urbano, econômico e populacional e dualidade política

Nas décadas de 1920 e 1930, por influência da política de Caetité, as facções políticas então existentes, passaram a ter nova denominação: "Caititus", a facção liderada pelo engenheiro agrônomo Mário Teixeira e depois pelo farmacêutico Dr. Fernandes, e a dos "Morcegos", que tinha como líderes o Coronel Balbino Cajaíba e seu sobrinho, o Capitão João Exalto de Araújo, que foram os dois primeiros intendentes do município. Essa disputa prolongou-se por vários anos, através dos representantes destes políticos influentes no meio social daquele período. Devido a muitas brigas à mão armada, a população viveu anos de pavor e insegurança provocados pelo embate político que ficou registrado na história.

Na política do município, sempre houve um nome popular para destacar situação e oposição. A partir de 1976 surgia um movimento político muito acirrado, conhecido como "Jacus" e "Carcarás". Os "Jacus" foram liderados, a princípio, por José Humberto Nunes. Essa tendência ainda é presente no município através de alguns representantes políticos. Os "Carcarás" foram chefiados por Binha Teixeira e Nilo Coelho e tiveram maior influência a partir de 1982, época em que Nilo disputava as eleições para prefeito do Município.

Em janeiro de 2017, o prefeito Jairo Magalhães decretou a entrega da chave do município a Deus em seu primeiro decreto oficial, o que causou polêmica. O Ministério Público do Estado da Bahia, por considerar que o decreto fere a Constituição Federal, que afirma que o Estado não está vinculado a nenhuma religião, recomendou a revogação do ato. Em março de 2018, a justiça declarou o decreto inconstitucional e o suspendeu. A prefeitura de Guanambi recorreu da decisão.

Seu clima é basicamente semiárido, com temperatura média anual de 23 °C. O período da chuva se dá entre os meses de outubro a março. Segundo dados da estação meteorológica automática do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) do município, em operação desde abril de 2008, a menor temperatura registrada em Guanambi foi de 14,7 °C em 20 de maio de 2022 e a maior atingiu 40,6 °C em 13 de novembro de 2015. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 105,4 milímetros (mm) em 30 de abril de 2015. A rajada de vento mais forte alcançou 23,5 m/s (84,6 km/h) em 20 de março de 2019 e o menor índice de umidade relativa do ar foi de 9% em várias datas.

O município de Guanambi tem registrado um aumento populacional crescente, consolidando-se como um município em expansão populacional recorrente. Atualmente, no ranking de populações, ocupa a 19ª posição no estado da Bahia, a 72ª no Nordeste e a 365ª no Brasil. Além disso, Guanambi apresenta densidade demográfica igual a 69,02 habitantes por km² e uma média de 2,89 moradores por residência.

Até a década de 1970, a cidade era sustentada pela agropecuária. Nas décadas de 1970 e 1980, o município passou por intensa modificação socioeconômica impulsionada pela indústria algodoeira. O processo culminou na transformação de Guanambi em cidade-polo regional. Em 2013, o setor de serviços constituía a maior parte (74,4%) do produto interno bruto do município, seguido pela indústria (13%).

Guanambi também abriga, ao lado de Caetité e Igaporã, o Complexo Eólico do Alto Sertão, considerado o maior complexo eólico da América Latina.

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