Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg (Estocolmo, 3 de janeiro de 2003) é uma ativista ambiental sueca. É conhecida por ter protestado fora do prédio do parlamento sueco, e por ser a líder do movimento Greve das escolas pelo clima.
O ativismo de Greta Thunberg começou depois de convencer seus pais a adotar várias opções de estilo de vida para reduzir sua própria pegada de carbono. Em agosto de 2018, Thunberg ausentava-se das aulas para protestar, próxima ao parlamento sueco, exigindo por mais ações para mitigar as mudanças climáticas por parte dos políticos de seu país. Eventualmente, estudantes de outras comunidades se organizaram para protestos semelhantes ao de Greta Thunberg. Juntos, Thunberg e os milhares de estudantes que começaram a segui-la fizeram manifestações pelo clima em diversos países, chamado de Sextas para o Futuro. Depois que Thunberg discursou na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática de 2018, greves estudantis aconteceram todas as semanas em algum lugar do mundo. Para evitar voar e emitir carbono, Thunberg atravessou o Oceano Atlântico via veleiro para chegar aos Estados Unidos, onde participou da Cúpula das Nações Unidas sobre Ação Climática de 2019. Seu discurso lá, no qual ela exclamou "How dare you" ("como você se atreve" em português), foi amplamente retomado pela imprensa e incorporado à música. Como adulta, seus protestos incluíram tanto manifestações pacíficas quanto atos de desobediência civil, como desafiar ordens legais para se dispersar, o que levou a prisões, condenações e uma absolvição. Seu ativismo evoluiu para incluir outras causas, apoiando a Ucrânia, a Palestina e a Armênia em seus respectivos conflitos com a Rússia, Israel e Azerbaijão.
Sua repentina ascensão à fama mundial a tornou uma ativista líder, apesar dos criticismos crescentes. Sua influência no cenário mundial foi descrita pelo jornal The Guardian e outros jornais como o "efeito Greta". Ela recebeu inúmeras honrarias e prêmios, incluindo uma bolsa honorária da Royal Scottish Geographical Society, inclusão nas 100 pessoas mais influentes do Time, sendo a pessoa mais jovem do prêmio Pessoa do Ano da revista, inclusão na lista das 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo de acordo com a Forbes em 2019, e duas indicações consecutivas para o Prêmio Nobel da Paz (2019 e 2020).
Greta Thunberg nasceu em 3 de janeiro de 2003. Sua família tem uma ligação muito grande com o entretenimento e as artes. Sua mãe Malena Ernman é uma cantora de ópera do país e música pop, chegando a representar a Suécia no Festival Eurovisão da Canção de 2009, e seu pai é o ator Svante Thunberg, enquanto seus avós paternos são o ator e diretor Olof Thunberg e a também atriz Mona Andersson.
Greta Thunberg foi diagnosticada com síndrome de Asperger (chamado de transtorno do espectro autista), TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo, mutismo seletivo e depressão. Embora reconheça algumas dificuldades por causa de seu diagnóstico, Thunberg diz que dependendo das circunstâncias, "ser diferente é um superpoder".
Thunberg é vegetariana e ativista pelos direitos dos animais.
Em 20 de agosto de 2018, Greta Thunberg, cursando o nono ano na Suécia, decidiu não frequentar a escola até as eleições gerais de 2018 na Suécia, em 9 de setembro, depois de ondas de calor e incêndios na Suécia. Seus pedidos foram que o governo da Suécia reduzisse as emissões de carbono, de acordo com o Acordo de Paris, e protestou sentando-se do lado de fora do Riksdag, o parlamento de seu país, todos os dias, durante o horário escolar com o sinal de "Skolstrejk för klimatet" (de greve da escola pelo clima em português).
Após as eleições gerais, continuou a greve somente nas sextas-feiras, que ganhou atenção mundial. Protestos semelhantes foram organizados em outros países, como a Holanda, a Alemanha, a Finlândia e a Dinamarca. Na Austrália, milhares de estudantes foram inspirados por Thunberg a fazer greve na sexta-feira, ignorando os comentários do Primeiro-Ministro Scott Morrison que diziam "mais de aprendizagem nas escolas e menos ativismo".
No Twitter, usou hashtags e disseminou a consciência online. Thunberg participou na manifestação Rise for Climate (Erga-se pelo clima em português) em frente ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, e a Declaração de Rebelião organizada pela Extinção Rebelião em Londres.
Em 4 de dezembro de 2018, Thunberg abordou a COP24 das Nações Unidas para a cúpula das alterações climáticas. Em sua declaração para o COP24 em 12 de dezembro de 2018 na assembleia plenária, observouːMas para o fazer, temos de falar claramente, por muito desconfortável que isso possa ser. Só se fala de crescimento econômico verde e eterno porque se tem demasiado medo de ser impopular. Só se fala em avançar com as mesmas más ideias que nos meteram nesta confusão, mesmo quando a única coisa sensata a fazer é puxar o freio de emergência. Vocês não são maduros o suficiente para dizer que a situação é essa. Até esse fardo vocês deixam para nós, crianças.
No dia 17 de janeiro de 2023, foi presa durante um protesto contra a demolição de uma vila para a construção de uma mina de carvão, nas cercanias da cidade de Luetzerath, na Alemanha.
Em Londres em outubro de 2018, escreveu a 'Declaração de Rebelião' organizada pelo Extinction Rebellion, um movimento político-social que utiliza de formas não violentas sob o argumento de chamar a atenção sobre as ações governamentais em diversos países no combate as mudanças climáticas, se opondo aos parlamentos nacionais. Disse: "Estamos enfrentando uma crise sem precedentes que nunca foi tratada como uma crise e nossos líderes estão agindo como crianças. Nós precisamos acordar e mudar tudo".
Em 24 de novembro de 2018, falou no TEDxStockholm. Falou sobre quando percebeu, com 8 anos de idade, que as mudanças climáticas existiam e ficou imaginando o motivo de não ser manchete em todos os canais, como se tivesse uma guerra acontecendo. Disse que não foi à escola para se tornar uma cientista do clima, como alguns sugeriram, porque a ciência chegou ao seu fim e somente restaram a negação, ignorância e a inatividade. Especulando que nossos filhos e netos nos perguntariam o motivo pelo qual não agimos em 2018 enquanto ainda restava tempo, concluiu que "nós não podemos mudar o mundo jogando pelas regras, porque as regras precisam ser mudadas".
Greta enviou uma carta para à Conferência das Nações Unidas pelas Mudanças Climáticas, conhecida como COP24, em 4 de dezembro de 2018, e também falou diante da plenária em 12 de dezembro de 2018. Durante a conferência, participou também em um painel falando junto aos representantes da fundação "We Don't Have Time" (fundação Nós Não Temos Tempo, em português), na qual falou sobre o início da greve escolar.
Críticas a Thunberg e sua campanha
Greta Thunberg e sua campanha foram criticadas por políticos e outros; o primeiro-ministro da Austrália Scott Morrison, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente russo Vladimir Putin, o presidente americano Donald Trump, o presidente da França Emmanuel Macron, o primeiro ministro italiano Giuseppe Conte, OPEP e alguns comentaristas da mídia. As críticas variam de ataques pessoais a alegações de que ela simplifica demais as questões complexas envolvidas.
Em Julho de 2019, a Agence France-Presse informou que o secretário-geral da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) Mohammed Barkindo "reclamou do que chamou de ataques 'não científicos' à indústria do petróleo por ativistas da mudança climática, chamando-os de 'talvez a maior ameaça para a nossa indústria daqui para frente'", e disse que estava aparentemente referindo-se "à recente onda de greves escolares inspiradas no movimento' Sextas-feiras para o Futuro' da adolescente sueca Greta Thunberg". Thunberg e outros ativistas climáticos responderam classificando tais comentários como uma distinção de honra.
Após a ação de Thunberg contra a França, a Alemanha e outros países que não cumpriram suas metas de redução de emissões do Acordo de Paris, Emmanuel Macron disse: "essas posições radicais (como as defendidas por Thunberg) antagonizam nossas sociedades... Ela deve se concentrar naqueles que estão postergando, os que estão mais longe... Não sinto que os governos franceses ou alemães estejam tentando postergar". A secretária de Estado francesa para a transição ecológica e inclusiva Brune Poirson também a criticou, dizendo que "ela não sabe que soluções está apresentando", acrescentando que "você não pode se mobilizar com base no desespero, ou até no ódio". Em uma coluna de opinião, Christopher Caldwell afirmou que a abordagem direta de Thunberg às mudanças climáticas colocará manifestantes em conflito com as complexidades da tomada de decisões nas democracias ocidentais. Madeline Grant, escrevendo no Daily Telegraph, disse que Thunberg é "uma santa do ambientalismo", enquanto Guillaume Larrivé, candidato à liderança dos republicanos na França, a chama de "Guru do Apocalipse".