Granada é uma cidade e município espanhol, capital da homónima e da comarca da Veiga de Granada. Tem 88 km² de área e em 2021 tinha 231 775 habitantes (densidade: 2 633,8 hab./km²). Em 2011, a área metropolitana de Granada tinha 523 845 habitantes.
A cidade situa-se na ampla depressão de Granada formada pelo rio Genil, para o qual confluem na cidade os rios Darro e Beiro. A planície fértil da Veiga de Granada é limitada pelas serras de Huétor, situado a nordeste da cidade, Tejeda, Almijara e Alhama a sudoeste e pela Serra Nevada a sudeste. Nesta última encontram-se as montanhas mais altas da Península Ibérica.
A cidade destacou-se na história como capital dos reinos muçulmanos Zírida (século XI) e Nacérida (séculos XIII a XV). Após a conquista pelos Reis Católicos em 1492, manteve-se como capital do reino castelhano de Granada, que mais não era que uma jurisdição territorial que perdurou até 1833, quando foi levada a cabo a divisão da Espanha em províncias que ainda vigora atualmente. O seu escudo municipal ostenta os títulos de "Mui nobre, mui leal, nomeada, grande, celebérrima e heroica cidade de Granada". Granada é sede da arquidiocese homónima, do “Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia, Ceuta e Melilla” e do “Conselho Consultivo da Andaluzia”. Estes últimos são órgãos autonómicos da comunidade da Andaluzia, apesar da capital oficial ser Sevilha.
Atualmente é um centro turístico importante, devido aos seus monumentos e à proximidade da estância de esqui, bem como da região histórica das Alpujarras e também da zona balnear mediterrânica conhecida como Costa Tropical. Dentre os seus numerosos monumentos, destaca-se a Alhambra, um dos célebres de Espanha, classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 1984 juntamente com os vizinhos jardim do Generalife e bairro de Albaicín. A catedral é considerada a primeira igreja renascentista espanhola. Em 2007 a Universidade de Granada era a quarta maior universidade de Espanha em número de alunos e era um dos cinco destinos mais populares dos universitários do programa europeu Erasmus. A cidade é servida pelo Aeroporto Federico García Lorca, situado 15 km a oeste do núcleo urbano. Foi inaugurado em 1973 e remodelado na década de 1990. Em 2007 serviu 1 467 590 passageiros, mas desde então o tráfego tem vindo a diminuir e em 2011 teve 872 752 passageiros.
No século XI os Zíridas transferiram a sua capital ibérica de Medina Elvira (Cidade Elvira), situada 13 km a noroeste do centro atual de Granada, para Medina Garnata (Cidade Garnata). A etimologia do topónimo é controversa e tanto pode ter origem no árabe Gar-anat (colina de peregrinos) como do latim granatum (romã ou, em espanhol, granada). Há também uma lenda fantasiosa muito antiga que atribui a origem do nome a uma filha de Noé de nome Grana.
Os símbolos do município de Granada foram oficializados em 2009 pela Junta da Andaluzia.
O escudo foi outorgado pelos Reis Católicos pouco depois de terem tomado a cidade no final do século XV. Outrora era formado por dois quartéis onde eram representados os Reis Católicos e uma romã, mas em 1843 a rainha Isabel II juntou um terceiro quartel com a Torre da Vela (da Alhambra) e uma bandeira espanhola, juntamente os novos títulos, representados na fita dourada que o rodeia. Com isso quis premiar a atitude do povo granadino pelo levantamento a seu favor contra o regente Baldomero Espartero. No documento então lavrado, o escudo é definido da seguinte forma:
A descrição oficial da bandeira, cujas cores têm origem na bandeira dos nacéridas e cuja versão atual (2012) está em vigor desde 1983, é a seguinte:
Os vestígios arqueológicos mais antigos escavados em Granada datam de meados do século VII a.C. e correspondem a habitações dum ópido (povoado) ibero chamado Ilturir. Não se conhecem assentamentos anteriores a essa época, embora nos arredores tenha, existido povoados importantes, como o assentamento argárico (2º milénio a.C.) do Cerro de la Encina, em Monachil, a cerca de 7 km a leste, que foi abandonado cerca de 1 200 a.C. O Cerro dos Infantes, em Pinos Puente, a cerca de 10 km a oeste, data do final da Idade do Bronze, entre 800 e 700 a.C. e depois continuou a ser povoado com o nome de Ilurco.
Ilturir ocupava aproximadamente cinco hectares no cimo da colina de San Nicolás, na margem direita do rio Darro, na curva da veiga do rio Genil. Era rodeada por uma muralha que foi ampliada no século VI a.C. devido ao crescimento da população. No século IV ou III a.C. passou a ser conhecida como Ilíberis, sendo então incluído na área controlada pelos Bastetanos e, numa perspetiva mais económica do que militar, pelos Cartagineses.
A derrota definitiva de Cartago na Segunda Guerra Púnica em 201 a.C. abriu as portas da cidade aos Romanos. Baseando-se em Tito Lívio, alguns autores relatam que as tropas de Emílio Paulo foram derrotadas em Ilurco c. 190 a.C., antes de Tibério Semprónio Graco ca. 180 a.C. No entanto, aparentemente a submissão a Roma deveu-se mais a um pacto ou acordo do que a uma verdadeira conquista militar. Incluída na província romana da Hispânia Ulterior, Ilíberis obteve de Júlio César o título de município com o nome de Município Florentino Iliberitano (em latim: Municipium Florentinum Iliberitanum), pelo que as fontes romanas dos séculos seguintes a citam quase sempre como Florência (Florentia). Mais tarde foi incorporada na província da Bética e, no século I, no Convento Astigitano.
Para alguns autores tratou-se duma cidade com grande relevância. Todavia, as escavações arqueológicas não confirmam esse carácter de cidade importante, que deu três senadores e um cônsul a Roma, além de ter sido a sede dum concílio cristão (Concílio de Elvira) cerca do ano 304 d.C. De qualquer forma, deve ter caído em ruínas em algum momento da Alta Idade Média, pois no início do século VIII a área da atual cidade estava despovoada.
Desde a criação do Emirado de Córdova até à queda do califado homónimo que se lhe seguiu, ou seja, entre os séculos VIII e XI, a área da cidade de Granada atual esteve desabitada. As ruínas do ópido ibérico foram usadas como fortaleza (hisn) durante a rebelião dos muladis liderados por Omar ibne Hafeçune no século IX. Alguns autores consideram que pode ter subsistido um pequeno núcleo ou alcaria em redor de Hisn Garnata, o nome pelo qual era conhecida a antiga Ilíberis. Em qualquer caso, a cidade importante na região no período entre 712 e 1012 foi a vizinha Madinat Ilbira (Medina Elvira), cerca de 10 km a oeste, que chegou a ser a capital da Cora de Elvira e uma das cidades mais importante do Alandalus.
Na sequência das turbulências que originaram a formação dos Reinos de Taifas, os Zíridas tomaram o controlo da Cora de Elvira e fundaram a Taifa de Granada. O primeiro monarca zírida, Zaui ibne Ziri, fundou a nova cidade de Medina Garnata em 1013, em redor do castelo existente, abandonando Medina Elvira, que ficou despovoada por volta do ano 1020, caindo em ruínas. A partir de então, a Granada muçulmana teve três fases distintas de evolução: a zírida, a berbere e a nacérida.
Durante o período zírida, começou por ser ocupada de forma intensiva a zona do centro do atual bairro do Albaicín, conhecida como Alcazaba Cadima (Alcáçova Cadima; em árabe: al-Qasba Qadima). Em finais do século XI, a maior parte da colina do Albaicín já estava urbanizada e rodeada duma muralha que em grande parte ainda subsiste nos nossos dias, embora parcialmente embutida no casario urbano. A cidade zírida ocupava uma área de 75 hectares e tinha cerca de 4 400 casas repartidas por vários bairros situados na colina do Albaicín.
Durante o período berbere, nome dado à época de domínio das dinastias berberes dos Almorávidas e dos almóadas (1090–1269), não houve mudanças significativas na estrutura da cidade. Das análises das fontes árabes feitas por diversos estudiosos, depreende-se que na época almorávida o recinto muralhado foi ampliado, tendo sido construídas portas como o Arco de las Pesas e a Porta Monaita (Bib-Albunaida), ambas ainda de pé. São também desta época as desaparecidas Bib-Alfajjarin, ou Porta dos Alfareros (oleiros) e o castelo conhecido como Torres Bermejas ("torres ruivas"). Os almóadas deixaram alguns edifícios notáveis, como o Alcázar Genil, e muralharam os arrabaldes a leste, onde hoje se situa o bairro de Realejo.