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Godofredo de Bulhão

Godofredo de Bulhão ou Godofredo de Bolhões (em francês: Godefroy de Bouillon; Bolonha do Mar, por volta de 1058 – Jerus

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Godofredo de Bulhão ou Godofredo de Bolhões (em francês: Godefroy de Bouillon; Bolonha do Mar, por volta de 1058 – Jerusalém, 18 de julho de 1100), foi um nobre e militar franco, duque da Baixa Lorena (1087-1100), senhor de Bulhão (1076-1096), um dos líderes da Primeira Cruzada e o primeiro soberano do Reino Latino de Jerusalém, apesar de recusar o título de rei.

Godofredo de Bulhão nasceu em c.1060, mais provavelmente em 1058 no condado de Bolonha, parte do Sacro Império Romano-Germânico, em Bolonha do Mar (atualmente na França) ou em Baisy (cidade da atual província do Brabante Valão na Bélgica).

Descendente de Carlos Magno, era filho do conde Eustácio II de Bolonha com a Santa Ida da Lorena, filha de Godofredo o Barbudo, duque da Baixa Lorena e conde de Verdun. Os seus irmãos foram Eustácio III de Bolonha e Balduíno I de Jerusalém. O fato de ser o segundo filho determinou o seu futuro, uma vez que na Idade Média o filho primogénito, neste caso o seu irmão Eustácio, geralmente herdava todos os territórios dos pais.

A sua oportunidade surgiu pelo seu tio materno Godofredo o Corcunda: foi ele quem o instruiu sobre a cavalaria no seu castelo de Bulhão; e quando foi assassinado, morrendo sem descendência, nomeou-o seu herdeiro e sucessor no Ducado da Baixa Lorena.

Este território tinha um papel político importante na época, uma vez que ficava na fronteira do reino da França com o Sacro Império. De fato, a Baixa Lorena era tão importante que Henrique IV, rei da Germânia e futuro imperador (1084-1105), decidiu ceder esse domínio ao seu filho Conrado II da Itália em 1076, e deixar a Godofredo apenas Bulhão e a Marca de Antuérpia, como um teste às suas capacidades e lealdade.

O jovem nobre serviu Henrique IV, apoiando-o na questão das investiduras contra o papa Gregório VII, lutando ao seu lado contra as forças do seu rival Rudolfo da Suábia e em batalhas na Itália, ajudando o imperador a tomar a cidade de Roma do papa.

Ao memo tempo, Godofredo lutava para manter o controle sobre as terras que lhe restaram contra a viúva do seu tio, Matilde da Toscana, que contestava a legitimidade desta herança. Houve também outras tentativas de lhe tomarem parte das suas terras, e nesses conflitos foi auxiliado pelos seus dois irmãos.

Após um longo período de lutas, e depois de provar ser um súbdito leal de Henrique IV, este finalmente atribuiu-lhe o Ducado da Baixa Lorena em 1087. Mas manteve-se um nobre menor, e a mais forte influência que deixaria na Europa seria criada posteriormente, nas cruzadas.

Em 1095, e em resposta a um apelo do Império Bizantino, o novo papa, Urbano II, proclamou uma guerra santa contra as forças islâmicas que estavam na posse de Jerusalém e dos outros lugares santos da Palestina. A ideia das cruzadas ganhou ímpeto por toda a Europa, em parte devido ao zelo religioso, uma vez que papa prometia indulgência plenária (algo que não é perdão dos pecados e não pode ser nunca confundido com isso, a indulgência plenária é apenas a anulação das penas que levariam a alma ao purgatório, sendo a indulgência plenária apenas uma substituta às penitências)

Os filhos não primogénitos de nobres, como Godofredo, viram a oportunidade de estabelecer um domínio seu no exterior, em terras que se podiam conquistar aos muçulmanos. Este foi o segundo movimento da Primeira Cruzada, ou a Cruzada dos Nobres, tendo ocorrido anteriormente a fracassada Cruzada Popular(que não foi convocada pelo papa) que por onde passara na Europa causara muita destruição e fora aniquilada na Ásia Menor.

Godofredo tinha adoecido pouco depois da expedição contra Gregório VII, pelo que é provável que a sua participação nas cruzadas fosse também uma forma de penitência.

Assim, vendeu Bulhão ao príncipe-bispo Otberto de Liège e Stenay ao príncipe-bispo de Verdun, e tomou empréstimos sobre a maioria das suas terras. Com este dinheiro juntou um exército de cavaleiros para o acompanharem à Terra Santa. Também os seus irmãos, o agora conde Eustácio III de Bolonha, o mais velho, e Balduíno, o mais novo, que não possuía terras de importância na Europa.

Muitos outros nobres, de maior ou menor importância, juntaram o seu próprio exército. Raimundo de Saint-Gilles tinha o maior número de seguidores. Aos 55 anos de idade era o mais velho e talvez o mais célebre cruzado, e por causa disto tencionava ser o líder de toda a expedição. Ademar de Monteil, o legado papal e bispo de Le Puy, viajava com este conde de Toulouse.

Outros dos mais importantes participantes desta cruzada, que não incluiu nenhum rei, foram o conde Roberto II da Flandres, Hugo de Vermandois, filho do rei Henrique I da França, e Boemundo de Taranto, um cavaleiro normando que já enfrentara os bizantinos devido à política externa do seu principado. Cada um destes exércitos viajou em separado, uns atravessando a Europa de Leste e outros navegando pelo mar Adriático a partir do sul da Itália.

Os irmãos bolonheses iniciaram a longa viagem para Jerusalém em 15 de agosto de 1096, à frente de provavelmente 40 000 homens da Lorena, pela "Estrada de Carlos Magno" como, segundo o cronista Roberto o Monge, Urbano II terá chamado a este trajecto (que passava por Ratisbona, Viena, Belgrado e Sófia). Ao passarem pela Hungria, depois dos distúrbios causado pela Cruzada Popular e de agora algumas pilhagens dos francos, o rei Colomano exigiu um refém para garantir a conduta correcta dos cruzados. Por isso o jovem Balduíno ficou em poder dos húngaros até os seus companheiros saírem deste território.

Depois de entrar nos domínios do Império Bizantino, houve algumas escaramuças com os gregos, que também tinham sido vítimas da Cruzada Popular(que não foi convocada pelo papa nem teve apoio da Igreja). Os bolonheses foram o segundo exército a chegar a Constantinopla, em Novembro, depois de Hugo de Vermandois, e mais uma vez não conseguiram evitar que as suas forças pilhassem os territórios vizinhos. O imperador Aleixo I Comneno foi forçado a ceder um refém aos cruzados para repor a paz, e o escolhido foi o seu filho e futuro imperador João II Comneno, que foi confiado a Balduíno.

Durante vários meses foram chegando mais forças cruzadas, e subitamente os bizantinos tinham um exército de cerca de 4 000 cavaleiros e 25 000 soldados a pé acampados às portas da sua capital. Mas os cristãos ocidentais e orientais tinham objectivos diferentes: os segundos queriam ajuda para reconquistar as terras que os turcos seljúcidas lhes haviam tomado.

Para os cruzados que pretendiam conquistar a Terra Santa e estabelecer lá um domínio cristão, os problemas de Aleixo I com os seljúcidas eram uma questão menor. Mas como condição para permitir a passagem dos cruzados para o Levante através do Bósforo, o imperador bizantino exigiu deles um juramento de vassalagem. Godofredo e quase todos os outros nobres acabaram por concordar com uma versão alterada deste juramento, prometendo ajudar a devolver algumas terras a Aleixo. E na Primavera de 1097 estavam prontos para a batalha.

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