Neste Dia

Glauber Rocha

Cineasta brasileiro

Anúncio

Glauber Pedro de Andrade Rocha (Vitória da Conquista, 14 de março de 1939 – Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981) foi um cineasta, escritor, ator e ativista político brasileiro. Nos anos 1960, teve uma breve atuação como jornalista, enquanto crítico de cinema após deixar o curso de Direito em 1961. É considerado pela crítica e pelo público como um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro. Foi o principal nome do Cinema Novo, movimento cinematográfico dos anos 1960 e 1970.

Reverenciado como um gênio revolucionário, foi um dos fundadores do movimento de vanguarda Cinema Novo, e muitas de suas obras, como Deus e o Diabo Na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, são frequentemente listadas como alguns dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos.

No município de Vitória da Conquista, Glauber é reconhecido como o patrono da cultura.

Filho de Adamastor Bráulio Silva Rocha e de Lúcia Mendes de Andrade Rocha, Glauber Pedro de Andrade Rocha nasceu em Vitória da Conquista, na Bahia, em 14 de março de 1939. Sua filha mais velha é a cineasta e pesquisadora Paloma Rocha.

Em 1947, com sua família, Glauber mudou-se para Salvador, capital da Bahia. Lá, ingressou no Colégio 2 de Julho, uma instituição presbiteriana.

Ao escrever e atuar numa peça, revelou seu talento e vocação para as artes performativas. Participou de programas de rádio, grupos de teatro e cinema amadores, além do movimento estudantil. Entre 1954 e 1957, compôs o Círculo de Estudo Pensamento e Ação, célula em Salvador do Movimento Águia Branca, o movimento da juventude integralista. Recebeu seu primeiro emprego, de locutor em um programa de rádio sobre cinema, por intermédio do presidente do Círculo, Germano Machado. Com o tempo, aproximou-se da esquerda e afastou-se do integralismo.

No ano de 1959, Glauber entrou na Faculdade de Direito da Bahia, período em que também se envolveu com o movimento estudantil. Em 1961, deixou o curso de Direito para começar uma breve carreira como jornalista, atuando como crítico de cinema.

Sempre controvertido, Glauber escreveu e pensou cinema. Queria uma arte engajada ao pensamento e pregava uma nova estética, uma revisão crítica da realidade. Foi considerado como subversivo pela ditadura militar instalada no Brasil em 1964. No ano de 1971, com o endurecimento do regime, partiu para o exílio. Iniciada em Cuba, sua trajetória estendeu-se por outros países da América do Sul e pela Europa, onde fixou residência. Na época, foi considerado um dos líderes da esquerda brasileira. Em agosto de 1981, devido a problemas de saúde, voltou definitivamente ao Brasil, onde morreu no mesmo ano.

Lúcia Mendes de Andrade Rocha, mãe de Glauber Rocha e guardiã do seu legado, foi o seu maior apoio ao longo da vida e sua investidora mais acérrima. Canalizou todos os recursos para o Cinema Novo, a produção dos filmes do filho e subsequente exílio na Europa, custeando-os com sucessivas liquidações patrimoniais.

Em 30 de junho de 1959, casou-se com Helena Ignez, (Salvador, 23 de maio de 1939), sua vizinha, colega de faculdade e "it girl", com quem tinha filmado Pátio (1959) e de quem se separou em 1961, um ano depois do nascimento da filha dos dois.

Em 1962, iniciou um relacionamento amoroso e profissional com a atriz Rosa Maria Penna, (Minas Gerais, 3 de junho de 1943), com quem filmou O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), Cabezas Cortadas (1970), rodado em Barcelona, Espanha, e O Leão de Sete Cabeças (1971), rodado na República Popular do Congo, em África. Perseguido pelo regime militar e sem trabalho no Brasil, separaram-se em 1971, e Glauber partiu rumo ao exílio com o desejo de viajar pelo mundo e encontrar financiamento para os seus projetos.

Entre novembro de 1971 e dezembro de 1972, durante o seu exílio em Cuba, trabalhou o projeto História do Brasil (1974) com o militante político Marcos Medeiros, e namorou a socióloga e jornalista Maria Tereza Sopeña com quem viveu no hotel Habana Libre.

Em 1973, se relacionou com Letícia Medeiros de Souza, poeta carioca, namorada de Ângela Ro Ro, viajando com ela e a cantora Mossa Bildner para Marrocos.

Em 1974, apaixonou-se perdidamente por Juliet Berto, (Grenoble, 16 de janeiro de 1947 — Breux-Jouy, 10 de janeiro de 1990), icónica atriz francesa de La Chinoise, diretora de cinema, e sua companheira inseparável de 1974 a 1975. Juntos percorreram a Europa e o Egito munidos de uma Super 8, passando por Lisboa, onde assistiram à Revolução de 25 de Abril de 1974 e ao desfile histórico do Dia do Trabalhador depois da queda do Estado Novo em Portugal, participando do filme coletivo As Armas e o Povo, e convivendo com diretores portugueses, entre os quais Manuel Carvalheiro, em casa de quem ficou com Juliet, José Fonseca e Costa, Paulo Rocha, António da Cunha Telles, António-Pedro Vasconcellos. Em Roma, Glauber e Juliet hospedaram-se na Via Aventina e filmaram Claro em duas semanas, convivendo com Bernardo Bertolucci e Marco Bellocchio. A separação ocorreu em 1975, após um período com parentes, no retorno a Paris. Em 1986, Berto dedicou-lhe postumamente seu terceiro filme, Havre, antes da sua própria morte prematura em 1990.

Entre 1976 e 1977, recém-chegado ao Brasil, Glauber iniciou um relacionamento com sua última companheira, a artista franco-colombiana Paula Gaitán, (Paris, 18 de novembro 1954), diretora artística do filme A Idade da Terra (1980) e 14 anos mais jovem. Tiveram dois filhos e viveram uma relação conturbada que passou pelo exílio em Portugal, nos seus últimos meses de vida.

Glauber teve cinco filhos. Paloma Rocha, (Salvador, 12 de junho de 1960), com Helena Ignez; Henrique Cavalleiro, (Rio de Janeiro, 1965), com Clara Regina, criado pela mãe e pelo cineasta Elyseu Visconti Cavalleiro, foi reconhecido postumamente, em 2011, com recurso a um exame de DNA; Pedro Paulo Rocha, (Rio de Janeiro, 4 de agosto de 1977), com Maria Aparecida de Araújo Braga; Eryk Rocha, (Brasília, 19 de janeiro de 1978) e Ava Rocha, (Rio de Janeiro, 21 de março de 1979), com Paula Gaitán.

Daniel Jardim Rocha, (Rio de Janeiro, 21 de Novembro de 1971), com Martha Jardim Gomes, criado pela mãe, embora assumido como filho por Glauber, revelou-se, em 1998, ser filho biológico de Rogério Duarte.

Glauber Rocha realizou vários curtas-metragens, ao mesmo tempo que se dedicava ao cineclubismo e fundava uma produtora cinematográfica. Em toda a sua carreira, produziu 18 filmes.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium