Neste Dia

Giuseppe Meazza

Futebolista italiano

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Giuseppe Meazza (Milão, 23 de agosto de 1910 — Lissone, 21 de agosto de 1979) foi um treinador e futebolista italiano que atuava como atacante, considerado um dos melhores futebolistas italianos de todos os tempos. Para alguns especialistas, o maior.

Com a Seleção Italiana foi campeão mundial em 1934 (onde foi eleito o melhor jogador da competição) e 1938 (como capitão da equipe), sendo um dos dois únicos titulares em ambos os títulos (ao lado de Giovanni Ferrari), detendo por quarenta anos o recorde de artilharia pela Azzurra.

Meazza jogou nos três maiores clubes italianos, o que inclui os dois de sua cidade-natal, Internazionale e Milan, além da Juventus, de Turim. Nas rivalidades envolvendo o trio, destacou-se como o maior artilheiro do clássico entre Inter e Juventus (doze gols), embora tal rivalidade só tenha florescido na década de 1960; e segundo maior artilheiro do clássico de Milão (treze gols, apenas um a menos que o do recordista Andriy Shevchenko. Durante o século XX, Meazza foi o maior). Foi apenas o segundo a jogar em todos esses três times e um dos cinco que pertenceram ao trio durante o século XX, quantidade que à altura de 2017 continuava seleta (apenas onze).

Mesmo tendo passado pelos dois maiores rivais da Inter, tem sua imagem clubística mais apegada à equipe azul e preta, da qual ainda é o maior artilheiro. Considera-se Meazza o segundo maior jogador da história interista, abaixo somente do longevo Javier Zanetti. O estádio da cidade de Milão, o San Siro, que também é o maior estádio do país, leva oficialmente o nome do craque da década de 1930. A mudança ocorreu em 28 de outubro de 1979, justamente no primeiro clássico entre Internazionale e Milan após a morte de Meazza.

Marcou época também por suas fintas; sua jogada característica era provocar os goleiros adversários quando ficava sozinho de frente para eles, chamando-os em sua direção, para driblá-los e completar para o gol vazio. Além dos dribles, também tinha uma finalização precisa; mesmo atualmente, um gol concluído após jogada individual no qual o jogador livra-se do goleiro e de outros adversários é chamado na Itália de "gol à Meazza". Similarmente, o tempo em que jogou costuma ser referido como "os anos Meazza" pelos italianos. Fora dos campos, era vaidoso, bon-vivant e boêmio, chegando a frequentar bordéis horas antes de algumas partidas.

Aos dezessete anos, começou a carreira, na Internazionale. Logo o centroavante firmou-se como titular, sendo artilheiro do campeonato na temporada 1929–30, com 31 gols, e o clube, campeão pela primeira vez do campeonato na era profissional, no formato da Serie A. Voltaria a ser artilheiro nas temporadas 1935–36 e 1937–38, temporada esta em que foi novamente campeão. Nesse período, foi um dos únicos presentes em ambos os títulos da Seleção Italiana no bicampeonato seguido da Copa do Mundo FIFA. Na época, por pressão fascista, a Internazionale, cujo nome era visto como possível referência à Internacional Comunista, precisou chamar-se Ambrosiana a partir de 1929, e de Ambrosiana-Inter a partir de 1931.

O grande adversário da época, impedindo que Meazza acumulasse mais títulos em tempos de poucos torneios internacionais de clubes, era a Juventus, pentacampeã italiana na década de 1930. A rivalidade entre os dois clubes só cresceria a partir da década de 1960, mas Meazza está nos registros do chamado Derby D'Italia por ser o primeiro dos três jogadores que já conseguiram marcar três gols em um só encontro entre os dois (Franco Causio e Alessandro Altobelli foram os outros), em um 4 a 0 na vitoriosa temporada 1935–36. Dos doze gols que Meazza fez nesse duelo, dez foram pela Inter. Ele ainda é o maior artilheiro do clássico, ao lado de Roberto Boninsegna, que também jogou pelos dois.

Meazza também destacou-se no clássico entre Internazionale o Milan, com doze gols acumulados pelos dois lados, sobretudo pela Inter, sendo o maior artilheiro da rivalidade milanesa até ser superado em um gol por Andriy Shevchenko. Ele iria ao Milan em 1940, após a conquista de novo título italiano com a Inter. Meazza já não vinha jogando regularmente nos nerazzurri; lesões lhe tiravam o espaço da equipe desde a temporada anterior, com seu pé esquerdo tendo problemas de fluxo sanguíneo. Chegou a passar um ano inteiro parado até ter sua saída decretada. Ganhou ainda a primeira Copa da Itália interista, em 1939.

Deixou a equipe, mas não saiu de Milão, uma vez que se transferiu para o arquirrival Milan, então chamado Milano também por orientação fascista, que pregava o nacionalismo da língua italiana (o termo "Milan" vem da língua inglesa, idioma dos fundadores do clube). Meazza foi rossonero por duas temporadas, mas não conseguiu títulos: no máximo, um vice na Copa da Itália de 1942, perdida contra um antigo rival dos tempos de Inter, a Juventus. Foram apenas nove gols, sem conseguir êxito na outra força milanesa.

Para a própria Juventus iria em seguida, ficando a temporada de 1942–43 na equipe bianconera, conseguindo razoáveis 10 gols em 27 partidas do campeonato italiano, mas sem conquistá-lo. A Segunda Guerra Mundial, a interromper o campeonato com o agravamento do conflito em solo italiano, também brecou sua recuperação. No ano de 1944, jogou por uma equipe dos arredores de Milão, o Varese, onde manteve a média de gols. A temporada 1945–46 o viu novamente vestir um uniforme nerazzurro, mas o da Atalanta, onde já demonstrou sinais de decadência. Atuou simultaneamente como jogador e técnico da equipe de Bérgamo.

A temporada seguinte, a de 1946–47, foi a sua última, jogando novamente pela sua querida Internazionale, que recuperara o nome original após a queda do fascismo na Segunda Guerra Mundial. Também atuou como técnico, permanecendo exclusivamente na nova função até a temporada seguinte.

Meazza estreou pela Itália em 1930, logo marcando dois gols, na partida contra a Suíça. Eles seriam essenciais em sua afirmação, pois o técnico Vittorio Pozzo o escalara no lugar de Attila Sallustro, ídolo do Napoli, fazendo com que três mil napolitanos indignados se prestassem a ir a Roma ver a partida apenas para vaiar o novato toda vez que ele tocasse na bola. Após sair perdendo por 2-0, os italianos viraram a partida com Meazza marcando os dois últimos gols.

Em 1933, o até então centroavante Meazza foi recuado por Pozzo para a posição de meia, ideia que se mostrou produtiva: na Copa do Mundo de 1934, a primeira jogada pela Azzurra, que também foi a anfitriã, o país foi campeão com Meazza no meio e o artilheiro Angelo Schiavio na frente.

Mesmo recuado, anotou duas vezes na Copa: na estreia, em que os italianos massacraram por 7-1 os Estados Unidos; e no jogo-desempate das quartas-de-final, contra a forte Espanha. A partida extra era a regra prevista na época para decidir jogos empatados após prorrogação: no primeiro jogo contra os espanhóis, o resultado em 1-1 prolongou-se até o fim dos 120 minutos, sendo bastante extenuante para Meazza, que desmaiou após a partida.

Mesmo saído carregado, voltou a campo no dia seguinte, quando realizou-se o jogo-desempate. E foi dele o gol salvador, em cabeçada indefensável para o goleiro Joan Josep Nogués, em lance de muita malandragem: embora não lhe faltasse impulsão apesar da baixa estatura, apoiou-se nas costas de um colega para conseguir cabecear. O gol foi o único da nova partida, permitindo aos italianos avançar no torneio.

Naquele mesmo ano, os italianos foram convidados pela Seleção Inglesa para um embate. Isto fazia parte da mentalidade inglesa: a seleção recusava-se a jogar mundiais, proclamando-se a melhor do mundo e convidando adversários que se declarassem os melhores. As contínuas derrotas dos oponentes mantiveram essa postura, que só viria a se alterar após as derrota de 6 a 3 em Wembley para os "mágicos magiares" da Hungria no início da década de 1950, no que foi a primeira derrota inglesa em casa para equipes não-britânicas. Nesse contexto, Meazza e os italianos conseguiram um resultado honroso para a época: a Inglaterra abriu 3 a 0 no primeiro tempo. No segundo, Meazza, mesmo em um gramado lamacento ocasionado pela chuva no estádio de Highbury, diminuiu a contagem para 3 a 2, e só não empatou por causa da trave.

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Giuseppe Meazza | World in Stories