Gilberto Aparecido da Silva, mais conhecido como Gilberto Silva (Lagoa da Prata, 7 de outubro de 1976), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como volante.
Gilberto Silva cresceu em uma família pobre e, quando criança, teve que compartilhar o gosto pelo futebol com vários empregos. Iniciou sua carreira em 1997, no América Mineiro e sua boa performance rendeu-lhe um contrato com o Atlético Mineiro no ano 2000. Ele se tornou um dos principais jogadores da equipe, defendendo-a por três anos no campeonato brasileiro. Ganhou notoriedade fazendo parte da seleção que conquistou a Copa do Mundo de 2002, atuando em todas as sete partidas disputadas pelo Brasil.
Em agosto de 2002 assinou um contrato de 4 milhões e meio de libras com o Arsenal. No clube londrino, conquistou duas FA Cup e o título da Premier League na temporada 2003-04. No clube inglês, Gilberto recebeu o apelido de Muralha Invisível, devido à sua movimentação na marcação, o que lhe rendeu um fansite com esse nome.
Na Copa América de 2007, Gilberto Silva foi o escolhido para a braçadeira de capitão da Seleção Brasileira.
Quando criança, Gilberto Silva morou em Lagoa da Prata com seu pai (um ferreiro), sua mãe (dona-de-casa) e com três irmãs. Sua família morava numa pequena casa, construída pelo seu próprio pai e, devido às dificuldades financeiras, era obrigado a dividir o mesmo quarto com suas irmãs. Apesar disso, Gilberto considera que teve uma infância feliz: "Era um tempo onde eu não tinha responsabilidades, jogava futebol na rua com meus primos e amigos, e nós nunca tivemos nenhum contato com drogas ou violência".
Em 1988, aos 12 anos de idade, começou a jogar futebol no América Mineiro na categoria de juniores. Foi durante o período que jogou no América que Gilberto adquiriu habilidades defensivas atuando como volante. Quando não estava jogando futebol, Gilberto estava acompanhado do pai, aprimorando suas habilidades como ferreiro; habilidades estas que foram essenciais alguns anos depois. Em 1991 o pai de Gilberto se aposenta, obrigando o filho, então com apenas 15 anos de idade, a fornecer apoio financeiro para toda a família, sendo que a saúde frágil de sua mãe tornava a tarefa mais complicada.
Devido ao baixo salário que recebia no América Mineiro, teve que abandonar o futebol conseguir outros empregos, como operário, carpinteiro e trabalhador em uma fábrica de doces; e ficava pesando se isso acabaria com seu sonho de jogar futebol. Na fábrica, Gilberto ganhava em torno de 150 reais por mês. Passados três anos de trabalho na fábrica, Gilberto, então com 18 anos de idade, decidiu tentar a sorte no futebol, entrando para a equipe de juniores do clube local. Ficou lá pouco tempo, pois o estado de saúde de sua mãe se agravara e ele teve que voltar a trabalhar na fábrica, com pouca esperança de poder voltar ao futebol.
Em 1997 alguns amigos tentaram convencê-lo a retornar ao futebol. Ele, então, assinou um novo contrato com o América Mineiro em 1º de junho de 1997, desta vez na equipe profissional. Com 21 anos de idade, atuava como volante titular da equipe. Na sua primeira temporada pelo clube foi considerado o principal jogador, apesar de de ser considerado inconsistente por alguns torcedores. Ele ajudou a equipe a vencer a série B, conquistando, consequentemente, o direito de participar da série A.
Durante sua terceira temporada no América Mineiro, a equipe foi rebaixada e voltou à série B. Em 1999 houve uma larga modificação no regulamento do Campeonato Brasileiro e a equipe do América Mineiro acabou por retornar à elite, disputando o Módulo Azul da competição, tendo Gilberto Silva marcado 20 gols naquele ano. Em 2000, aos 24 anos de idade, conquistou pelo América a Copa Sul-Minas e, logo após, se transferiu para o Atlético Mineiro. Mas, durante sua primeira temporada no clube, fraturou a tíbia direita, ficando afastado por quase todo o ano. Em seu segundo ano no Atlético Mineiro o técnico Carlos Alberto Parreira trocou sua função, deixando de ser zagueiro central para atuar como volante. Ele marcou três gols e foi considerado o jogador revelação do campeonato de 2001.
Em outubro de 2001 o técnico Luiz Felipe Scolari escalou Gilberto Silva para a seleção que disputou as Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. Ele estreou na competição enfrentando o Chile no dia 7 de outubro, iniciando no banco de reservas e entrando durante a partida. Em 7 de novembro fez sua estreia como titular, enfrentando a Bolívia. Até então marcara três gols pela seleção, dois contra a Bolívia e um gol em um amistoso contra a Islândia.
No ano de 2002, foi escalado para a seleção que disputou a Copa do Mundo. Com a lesão do titular Emerson, Gilberto Silva atuou como titular na competição. Foi titular em todos os jogos da campanha do pentacampeonato, sem sequer ter sido substituído.[carece de fontes?] De acordo com a revista Veja, Gilberto "carregou o piano para Ronaldo e Rivaldo para que estes pudessem se destacar". Ele não se limitava a defender e, na semifinal, deu o passe que resultou no gol de Ronaldo que classificou o Brasil para a final. A atuação de Gilberto nesta Copa do Mundo o colocou entre os maiores volantes do mundo.
Após a Copa, Gilberto mudou-se para a Inglaterra, quando foi contratado pelo Arsenal, um dos clubes do chamado Big Four inglês, denominação dada ao grupo dos quatro melhores clubes do país. Foi anunciado oficialmente em 7 de agosto de 2002, tendo custado cerca de 4 milhões e meio de libras aos cofres do clube londrino. Ao chegar, ganhou o respeito da torcida do Arsenal, os Gunners, por recusar a camisa número 6 que pertenceu a Tony Adams, eterno ídolo dos Gunners.
No Arsenal, tornou-se titular logo em sua primeira temporada, atuando como volante. Em algumas poucas oportunidades, também foi improvisado como zagueiro.
Em 2006, foi convocado para a sua segunda Copa do Mundo, na Alemanha, e fez parte da equipe que terminou eliminada nas quartas-de-final pela França, após uma derrota pelo placar mínimo com gol marcado por Thierry Henry, até então companheiro de clube de Gilberto Silva.
Após a Copa, em 19 de agosto de 2006, Gilberto marcou o primeiro gol do Arsenal em jogos oficiais no recém-construído Emirates Stadium, após o empate em 1-1 com o Aston Villa, válido pela Premier League 2006-07.
Em 2007, após a saída do então capitão Thierry Henry, que havia se transferido para o Barcelona, era quase certo que Gilberto Silva se tornaria o novo capitão da equipe, pelo fato de ter sido a segunda opção para ocupar a braçadeira enquanto Henry ainda jogava pelos gunners. No entanto, a braçadeira de capitão foi dada a William Gallas, fato que despertou algumas especulações sobre um possível desentendimento entre Gilberto e Arsène Wenger.
Decadência no Arsenal e a saída para o Panathinaikos
Após a Copa América 2007, em julho de 2007, quando Gilberto foi convocado e faltou as primeiras partidas do clube na temporada 2007-08, o jogador brasileiro perdeu a vaga de titular para Mathieu Flamini, reacendendo as especulações de uma saída na janela de transferências de janeiro de 2008. Entretanto, Gilberto optou por permanecer no clube. Aliado ao fato de estar no banco de reservas, o mau futebol apresentado nas partidas em que atuava fez com que Gilberto permanecesse com poucas chances no time titular durante todo o restante da temporada.