Gerhard "Gerd" Müller (Nördlingen, 3 de novembro de 1945 — Wolfratshausen, 15 de agosto de 2021) foi um futebolista alemão que atuou como centroavante. É amplamente considerado o maior centroavante da história do futebol europeu, e um dos maiores do futebol mundial.
Seu diferencial era a sua explosão e velocidade de movimentos em pequenos espaços e seu chute potente e preciso. A imprensa alemã gostava de chamá-lo de caubói por ser "rápido no gatilho e absolutamente certeiro". Sua humilde explicação era a de que nunca procurava ângulos ou efeitos plásticos, "só tentava colocar a bola rente ao chão, pois é mais difícil para o goleiro a bola rasteira do que a alta". Suas rápidas mudanças de lado em espaços curtos faziam os adversários caírem; em seus anos de glória, soube usar seu baixo centro de gravidade de forma sobrenatural.
Com essas características, tornou-se de longe o maior artilheiro da Seleção Alemã (contabilizando seus jogos pela então Alemanha Ocidental), com incríveis 68 gols em 62 partidas, uma média quase insuperável de 1,1 gols por jogo. Supera até a média de Ferenc Puskás (que fizera 83 gols em 84 jogos pela Hungria). Nas doze partidas de alto nível que fez (quatro finais de Copa dos Campeões da UEFA — um delas como desempate —, oito jogos decisivos em Copas do Mundo e Eurocopas), marcou treze.
Artilheiro da Copa do Mundo FIFA de 1970 com dez gols, foi por muito tempo o maior artilheiro das Copas, com 14 (somado aos quatro gols que fizera na de 1974, quando foi campeão), até ser superado com o 15º gol do brasileiro Ronaldo na de 2006 e o 16º de Miroslav Klose em 2014, marcado no histórico jogo do Mineirão, onde a Alemanha superou o Brasil por 7 a 1. É também o terceiro que mais marcou em uma única Copa, atrás do francês Just Fontaine (13 gols em 1958) e do húngaro Sándor Kocsis (11 em 1954).
É também o maior artilheiro da Bundesliga (do qual foi campeão quatro vezes) e era o detentor do recorde de mais gols em uma única edição: Müller marcou 40 gols 31 jogos em 1972, mas foi superado pelo polonês Robert Lewandowski que marcou 41 gols em 29 jogos em 2021. No total pelo Campeonato Alemão, foi sete vezes artilheiro e marcou 367 gols em 421 partidas. Sobre sua importância, Paul Breitner e Franz Beckenbauer, seus ex-colegas de Bayern de Munique e Seleção Alemã-Ocidental declarariam:
Começou no Nördlingen, após desistir do sonho inicial de ser tecelão. Em sua primeira temporada, já demonstrando a incrível artilharia que lhe caracterizaria, marcou 73 gols em 50 partidas não oficiais e foi campeão da terceira divisão alemã.[carece de fontes?] Ao todo, o clube marcara 216 gols não oficiais, sendo 187 dele, então com 17 anos. Acabou contratado por uma equipe da Bavária, de porte relativamente maior, mas também pequena: o Bayern de Munique, que estava na segunda.[carece de fontes?]
Com o Bayern, não foi diferente: marcou 48 vezes em 35 partidas[carece de fontes?] e também conseguiu o acesso de seu novo clube, que finalmente estrearia na recém-criada divisão de elite do Campeonato Alemão: a Bundesliga. Na época, o rival Munique 1860 vivia melhor momento: havia acabado de ser vice-campeão da Recopa Europeia, tendo levantado em 1964 a Copa da Alemanha pela segunda vez. O Bayern tinha como títulos a Copa da Alemanha de 1959 e um longínquo campeonato alemão em 1932, fora o fato de haver acabado de subir da segunda divisão. A chegada de Müller ao Bayern não foi muito bem vista pelo treinador Zlatko Čajkovski, que só passou a escalá-lo na décima partida, por pressão do presidente. Müller estreou marcando duas vezes.
Em sua segunda temporada no Bayern, finalmente jogando na Bundes, passou a conviver com dois jovens que vinham das categorias de base do clube: o volante Franz Beckenbauer e o goleiro Sepp Maier. A primeira temporada na elite não lhe foi das melhores: desacostumado a melhores adversários, anotou apenas 15 vezes em 39 partidas.[carece de fontes?] O Bayern ficou em terceiro no campeonato e viu o rival 1860 ser campeão, igualando-o em número de títulos. A temporada se encerraria com os rivais tendo os mesmos títulos também na Copa da Alemanha: nela, os campeões foram os vermelhos. Entretanto, o time azul possuía a expressão internacional que o Bayern ainda não tinha.
Seu início modesto na elite acabou não lhe credenciando aos olhos do técnico da Seleção Alemã-Ocidental, Helmut Schön, que levaria para a Copa do Mundo FIFA de 1966 seus colegas Beckenbauer e Maier, mas não ele: para Schön, "Müller é gordo, não é bom um jogador de futebol, e faz gols por sorte". Seu tipo físico era realmente longe do ideal para um atacante: baixo (1,74 m), atarracado, pernas curtas e grossas. Era chamado de gordo (der Dick) desde a infância; no Bayern, o técnico Čajkovski ainda o tachava de Kleines, Dickes Müller ("pequeno e gordo Müller").
Schön mudaria de ideia após o mundial, na temporada que se seguiu. Nela, Müller começou a deixar a pecha de der Dick para trás para tornar-se der Bomber: marcaria 48 gols em 49 partidas oficiais e finalmente receberia sua primeira convocação. 28 deles foram na Bundesliga, na primeira das vezes em que terminaria artilheiro do campeonato. Em 1966/67, o Bayern conseguiria nova Copa da Alemanha e o melhor, aquilo que o título que o 1860 perdera três anos antes: a Recopa Europeia, primeiro título internacional do clube.
O título no campeonato alemão demoraria ainda dois anos para vir, o que ocorreu em 1969, encerrando um jejum de 37 anos, bem conduzidos pela artilharia de Müller, que anotou 30 tentos. A conquista ofuscou a decepção da Alemanha Ocidental em relação à Eurocopa 1968: nas Eliminatórias, o país foi desclassificado ao empatar com a inexpressiva Albânia. Na mesma temporada, a equipe conquistou nova Copa da Alemanha, pelo Bayern foram 576 gols em 605 partidas.
O Bayern começava sua transição de sair da posição de equipe média do cenário nacional. Nos dois anos seguintes, Müller continuou com seu faro de gol (na primeira delas, foi novamente o artilheiro com incríveis 38 gols, o que o fez receber sua primeira Chuteira de Ouro como maior goleador do continente na temporada; ganharia também a Bola de Ouro como melhor jogador europeu), mas o título nacional ficaria com o Borussia Mönchengladbach, com quem o Bayern passara a ter rivalidade momentânea, deixando o 1860 de lado.
A Bundesliga voltaria a ser conquistada em 1973, prolongando-se em um tricampeonato seguido, com todos eles celebrados conjuntamente com a artilharia de Müller no torneio: no primeiro, quebrou a marca que já era sua e fez 40, recebendo nova Chuteira de Ouro. Na segunda e terceira, 36 e 30, respectivamente. Os dois últimos títulos foram comemorados juntamente também com duas conquistas seguidas na Copa dos Campeões da UEFA, o mais importante torneio interclubes europeu, que clube alemão algum havia conquistado. Como não poderia deixar de ser, foi artilheiro também das competições continentais (doze e oito gols).
Na primeiro conquista, passou em branco na final, e o título quase ficou com o Atlético de Madrid: os espanhóis marcaram a seis minutos do fim da prorrogação, até que o lateral Hans-Georg Schwarzenbeck empatou a segundos do fim, forçando um jogo-desempate. Dessa vez, seria fácil para der Bomber, que marcou duas vezes na goleada por 4 a 0 sobre um adversário abatido. O primeiro deles é apontado pelo próprio como mais bonito da carreira: dominou a bola com o pé após um cruzamento e afundou a bola nas redes, sem ângulo, para o delírio do colega Uli Hoeneß, que caiu para trás, maravilhado. No segundo, encobriu o goleiro Miguel Reina. Semanas depois, ele, Beckenbauer, Maier, Schwarzenbeck, Hoeneß e Paul Breitner venceriam a Copa do Mundo FIFA de 1974 como titulares da Alemanha Ocidental. Daí vinha a relação que perdura até os dias atuais entre os grandes jogadores da Seleção Alemã e o Bayern.
A temporada 1974–75 viu pela primeira vez em três anos a artilharia da Bundes ficar com outro jogador, Jupp Heynckes, e o título ficar com outra equipe - o Mönchengladbach, time de Heynckes. O novo rival responderia ao Bayern aplicando também um tricampeonato alemão. Os dois primeiros anos de jejum em casa não foram muito sentidos: os muniquenses encerravam seu tricampeonato continental, com vitórias de 2 a 0 (com o segundo gol sendo dele, saindo atrás do marcador Paul Madeley em velocidade e completando um cruzamento rasteiro) e 1 a 0 nas final sobre, respectivamente, Leeds United e Saint-Étienne. O Bayern tornava-se, ao lado do Ajax, o segundo maior vencedor da Copa dos Campeões até então, atrás apenas dos seis títulos do Real Madrid do lendário Alfredo Di Stéfano.