Geraldo Azevedo de Amorim (Petrolina, 11 de janeiro de 1945) é um compositor, cantor e violonista brasileiro. É conhecido por sucessos como "Dia Branco", "Táxi Lunar" e "Dona da Minha Cabeça", e por importantes parcerias com Zé Ramalho, Alceu Valença e Elba Ramalho. Geraldo é um dos maiores artistas da música popular brasileira, de forte expressão e contribuição para a música nordestina, unindo ritmos como frevo, forró, xote, maracatu e baião em suas canções. Exímio autodidata, é violonista desde os cinco anos de idade.
Geraldo Azevedo de Amorim nasceu em Petrolina, Pernambuco, no bairro Jatobá (então zona rural da cidade), à beira do Rio São Francisco. Conviveu com a música desde os seus primeiros anos de vida: sua mãe, Dona Nenzinha, professora, cantava e promovia eventos culturais na escola que funcionava em sua própria casa; nestes eventos, aos quatro anos de idade, Geraldo já cantava e se apresentava.
Aos cinco anos de idade, ganhou seu primeiro violão (confeccionado pelo pai, José Amorim) e inspirado pela família, arrisca os primeiros acordes. Mais tarde, na adolescência, com o surgimento da bossa nova, Geraldo encanta-se pela música de João Gilberto, e passa a estudar violão com mais afinco, chegando a frequentar bailes apenas para observar e aprender novas harmonias com os músicos.
Sua carreira musical inicia-se ainda em Petrolina, quando é convidado para trabalhar com Reinaldo Belo em um programa de rock na difusora da cidade. Logo é criada a primeira rádio de Petrolina, Emissora Rural A Voz do São Francisco, onde Geraldo é convidado para apresentar o programa Por Falar em Bossa Nova; anos depois, é chamado para integrar o grupo Sambossa.
A fim de cursar o ensino superior, muda-se para Recife e prepara-se para o vestibular de Arquitetura; trabalha como projetista e participa de projetos arquitetônicos tradicionais da capital de Pernambuco. No entanto, não chega a concluir os estudos, pois a música ganha cada vez mais espaço na sua vida.
Cedo conhece Naná Vasconcelos, Teca Calazans e Paulo Guimarães, passando a integrar o grupo Construção. Toca nas noites de Recife, em universidades e espaços culturais. Foi na capital onde ganhou seu primeiro violão profissional, presente de um grupo de estudantes.
Em 1965, funda o grupo Raiz, baseado nas artes teatrais, literárias e musicais. Conhece um dos seus mais importantes parceiros, o compositor e produtor Carlos Fernando e trabalha na produção musical das peças de Emilio Borba Filho, no Teatro Popular do Nordeste, onde faz melodias para os poemas dos espetáculos. Nos finais de semana, tratava de animar o Bar Aroeira, apresentando cirandeiros e bandas de pífano ao quadro cultural de Recife. Ainda com o grupo Raiz, é convidado para um programa quinzenal na TV Jornal do Commercio (Canal 2); Geraldo apresenta o quadro Chegou a Vez. Conhece Eliana Pittman, cantora e atriz que, na época, acompanhava o seu pai, o clarinetista Booker Pittman.
Em 1966, compõe Aquela Rosa, sua primeira composição completa, em parceira com Carlos Fernando; a música é gravada por Teca Calazans e inscrita no Festival de Música Popular do Nordeste, tornando-se a canção vencedora. Em 1967, Geraldo assume a direção musical do 2º Festival de Música do Nordeste e é considerado um dos melhores violonistas da época.
Neste mesmo ano, é convidado por Eliana Pittman para acompanhá-la em seu primeiro show solo, já que o pai da cantora encontrava-se impossibilitado de continuar sua carreira. Geraldo resiste, mas com a insistência dos amigos, acaba aceitando e mudando para o Rio de Janeiro, onde acompanha e integra a banda do show Eliana em tom maior.
Primeiros anos no Rio de Janeiro
Muda-se para o Rio de Janeiro e acompanha Eliana Pittman, tendo a oportunidade de fazer uma participação especial solo durante o show, enquanto a cantora trocava o figurino. Segue com Eliana durante a turnê de seu segundo show É Preciso Cantar, ao lado de músicos como Marcos Vinicius de Andrade, Antônio Adolfo, Novelli e Victor Manga.
Terminada a turnê, Geraldo une-se aos amigos Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Franklin da Flauta, recém-chegados de Recife, e formam o Quarteto Livre, acompanhando Geraldo Vandré nos seus shows. Na época, o país vivia a ditadura militar e os músicos sofriam constantes perseguições. Durante o tempo que excursionou pelo Brasil com Geraldo Vandré, Geraldo compôs a Canção da Despedida com o mesmo; porém, devido às perseguições sofridas, Vandré foge do país e termina a composição no exílio.
Com a dissolução do grupo e perseguições políticas, Geraldo participa de reuniões clandestinas no Teatro Gláucio Gil, ao lado de muitos artistas, e conhece Glauber Rocha, Caetano Veloso, Walter Lima Júnior, entre outros; ele fica responsável por colher assinaturas para o manifesto contra a censura.
Porém, em 1969, os militares invadem o apartamento onde Geraldo morava com a esposa e um casal de amigos, levando-os presos. Geraldo passa 40 dias na prisão, onde é duramente torturado. Sua esposa, Vitória, fica 80 dias na prisão. Após ser solto, Geraldo volta a trabalhar como projetista na Montreal Engenharia, e chega a desenhar para alguns jornais de protesto contra o regime militar da época.
Anos 70: amizade com Alceu Valença e primeiros discos
Com a chegada de Alceu Valença ao Rio de Janeiro, Geraldo retorna aos poucos à vida musical. Já conhecidos de Recife, os dois voltam a se encontrar e, a convite de Geraldo, Alceu aparece na primeira hora da manhã na porta da casa do amigo; naquele mesmo dia, compuseram sua primeira música juntos, Talismã, censurada pela ditadura. Participam juntos do IV Festival Universitário da MPB com as canções 78 Rotações e Planetário, e do Festival Internacional da Canção com Papagaio do Futuro, ao lado de Jackson do Pandeiro.
A apresentação chamou a atenção dos produtores da gravadora Copacabana; os dois recebem o convite para gravarem o primeiro disco da dupla, chamado de Alceu Valença & Geraldo Azevedo (1972), popularmente conhecido como Quadrafônico, pois foi o primeiro LP gravado na tecnologia quadrafônica. Com influência da psicodelia, o disco apresenta os sucessos Novena (Geraldo Azevedo/Marcus Vinicius) e Talismã (Alceu Valença/Geraldo Azevedo).
Apesar da gravação do disco como dupla, os artistas seguiram carreira solo e, em 1974, Geraldo compõe Caravana (Alceu Valença/Geraldo Azevedo), a qual faz parte da trilha sonora da novela Gabriela, da TV Globo.