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Georges Bataille

Georges Albert Maurice Victor Bataille (Puy-de-Dôme, 10 de Setembro de 1897 – 8 de Julho de 1962) foi um escritor francê

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Georges Albert Maurice Victor Bataille (Puy-de-Dôme, 10 de Setembro de 1897 – 8 de Julho de 1962) foi um escritor francês, cuja obra se enquadra tanto no domínio da literatura como nos campos da filosofia, antropologia, economia, crítica literária, sociologia e história da arte. O erotismo, a transgressão e o sagrado são temas abordados em seus escritos.

Georges Bataille foi filho de Joseph-Aristide Bataille (nascido em 1851), um coletor de impostos (que, posteriormente, ficaria cego e paralítico em decorrência de neurossífilis) e Antoinette-Aglaë Tournarde (nascida em 1865). Georges nasceu em 10 de setembro de 1897, em Billom, na região de Auvergne. Sua família se mudou para Reims em 1898, onde ele foi batizado. Ele frequentou a escola em Reims e, posteriormente, Épernay. Embora tenha crescido sem seguir religião alguma, ele se converteu ao catolicismo em 1914, e se tornou um devoto católico por nove anos. Ele pensou em se tornar padre e frequentou, brevemente, um seminário. No entanto, ele acabou por abandonar essa aspiração, em parte porque precisava arranjar uma ocupação que lhe permitisse sustentar sua mãe. No início da década de 1920, ele renunciou ao cristianismo.

Ele frequentou a Escola Nacional de Cartas, em Paris, onde se graduou em fevereiro de 1922. Ele se graduou com uma tese intitulada "A ordem da cavalaria, conto em verso do século XIII, com introdução e notas". Embora ele sempre seja considerado arquivista e bibliotecário por causa de seu emprego na Biblioteca Nacional da França, seu emprego lidava com coleções de medalhões (ele também publicou artigos acadêmicos sobre numismática). Sua tese na Escola Nacional de Cartas era uma edição crítica do poema medieval "Ordem de cavalaria", que foi reconstruído por Bataille a partir dos oito manuscritos originais. Depois de se graduar, ele se transferiu para a Escola de Estudos Espanhóis Avançados, em Madri. Ele foi amigo, e sofreu uma grande influência, do existencialista russo Lev Shestov.

Fundador de vários jornais e grupos literários, Bataille é autor de obras diversificadas: conferências, poemas e ensaios, sobre variados temas (misticismo da economia, poesia, filosofia, arte, erotismo). Ele publicou sob vários pseudônimos. Foi relativamente desconhecido durante sua vida, e desprezado por contemporâneos como Jean-Paul Sartre como sendo um advogado do misticismo. Após a sua morte, no entanto, passou a exercer considerável influência sobre autores como Michel Foucault, Philippe Sollers e Jacques Derrida, todos afiliados ao jornal Tel Quel. Sua influência é sentida mais explicitamente na obra fenomenológica de Jean-Luc Nancy, mas também é significativa na obra de Jean Baudrillard, nas teorias psicanalíticas de Jacques Lacan e Julia Kristeva, e na recente obra antropológica de Michael Taussig.

Inicialmente atraído pelo surrealismo, Bataille logo se desentendeu com o fundador do movimento, André Breton. Após a Segunda Guerra Mundial, no entanto, Bataille e os surrealistas voltaram a se relacionar amistosamente. Bataille era membro do extremamente influente Colégio de Sociologia, que incluía vários outros surrealistas renegados. Ele foi grandemente influenciado por Hegel, Freud, Marx, Marcel Mauss, o Marquês de Sade, Alexandre Kojève e Friedrich Nietzsche. Bataille defendeu Nietzsche em um notável ensaio contra a apropriação de seu pensamento pelos nazistas.

Fascinado pelo sacrifício humano, ele fundou uma sociedade secreta, Acéfala, que tinha, como símbolo, um homem sem cabeça. De acordo com a lenda, Bataille e os demais membros da sociedade concordaram em ser vítimas de um sacrifício na inauguração da sociedade, mas nenhum deles aceitou ser o carrasco. Uma indenização foi oferecida ao possível carrasco, mas mesmo assim nenhum deles aceitou, até a dissolução da sociedade, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. O grupo também publicou uma crítica da filosofia de Nietzsche que defendia o que Derrida chamou de "antissoberania". Colaboradores nesse projeto incluíram André Masson, Pierre Klossowski, Roger Caillois, Jules Monnerot, Jean Rollin e Jean Wahl.

Bataille sofreu várias influências e usou vários modos de discurso para criar sua obra. Sua novela História do Olho, publicada sob o pseudônimo Lord Auch (literalmente, "senhor vá à merda", pois Auch é a abreviação de aux chiottes, "vá à merda"), foi lida inicialmente como pura pornografia. Gradualmente, a interpretação da obra foi evoluindo, até atingir a profundidade filosófica e emocional de outros autores também incluídos na chamada "literatura de transgressão". O imaginário da novela é construído sobre uma série de metáforas que se referem a elementos dos trabalhos de Bataille: o olho, o ovo, o sol, a terra, o testículo.

Outras famosas novelas incluem publicações póstumas como "Minha mãe" (que se tornou a base do filme homônimo de Christophe Honoré), "O impossível" e "O azul do céu", que, com sua necrofilia, incesto, política e sugestões autobiográficas, compõe uma descrição muito mais sombria da realidade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Bataille escreveu Summa Atheologica (cujo título lembra Summa Theologica, de Tomás de Aquino), que inclui suas obras "A experiência interior", "Culpado" e "Sobre Nitzsche". Depois da guerra, ele compôs "A parte maldita", que ele disse representar trinta anos de trabalho. O singular conceito de soberania aí exposto se tornaria um importante tópico de discussão para Derrida, Giorgio Agamben, Jean-Luc Nancy e outros. Bataille também fundou o influente jornal "Crítica".

O primeiro casamento de Bataille foi com a atriz Sylvia Maklès, em 1928; eles divorciaram em 1934, e posteriormente ela se casou com o psicanalista Jacques Lacan. Bataille também teve um relacionamento amoroso com Colette Peignot, que morreu em 1938. Em 1946, Bataille se casou com Diane de Beauharnais, com quem teve uma filha.

Em 1955, Bataille foi diagnosticado com arteriosclerose cerebral, mas não foi informado na época sobre o caráter terminal de sua doença. Ele morreu sete anos depois, em nove de julho de 1962.

Filho de "pai descrente, mãe indiferente", conforme descrito pelo próprio, converteu-se aos 15 anos ao catolicismo, vindo a abandoná-lo anos após. Muito cedo estudou psicanálise, marxismo e a antropologia de Marcel Mauss; bebeu das águas de Nietzsche, filiando-se ao seu pensamento: em 1929-30, seu caráter contestador já podia ser observado. Preocupado em escapar ao cativeiro da modernidade, do universo fechado da razão ocidental, Bataille, diferente do que fez Heidegger, não pretende encontrar os fundamentos mais profundos da subjetividade, mas sim libertá-la dos seus limites (Habermas).

Começou a escrever por sugestão de seu psicanalista, tendo seu primeiro livro, "História do Olho", publicado em 1928 sob o pseudônimo de Lord Auch, que permanecerá até sua morte por vontade do autor, uma vez que o livro, com traços autobiográficos, foi escrito com a intenção de expurgar sua mente - uma maneira de livrar-se das obsessões atormentadoras ou, como dizia, "Escrevo para apagar meu nome".

Após a "História do Olho", Bataille prossegue sua obra erótica, tributária de Sade, publica em 1937, sob o pseudônimo de Pierre Angélique, "Madame Edwarda". É uma ficção erótica onde encontramos seres angustiados e torturados por conflitos íntimos, que Bataille utiliza para nos mostrar a perda do indivíduo em torno de suas paixões até a morte.

Esse gosto pela literatura o levou a reunir, em "A Literatura e o Mal", diversos estudos onde analisa a obra de Emily Brontë, Baudelaire, Jules Michelet, William Blake, Sade, Proust, Kafka e Jean Genet, parcialmente publicados na revista "Critique", nos anos que se seguiram à Primeira Guerra Mundial. Eles nos oferecem o sentido que tinha a literatura para Bataille - a literatura é comunicação, impõe uma lealdade, uma moral rigorosa. Não é inocente.

A literatura é o essencial ou não é nada. O mal - uma forma penetrante do Mal - de que ela é a expressão tem, para nós, creio eu, o valor soberano.

Duas obras são fundamentais para compreendermos o pensamento de Bataille. Em "A Parte Maldita", Bataille buscou a elaboração de um pensamento sobre economia partindo da antropologia de Mauss, bastante distinta do liberalismo e do marxismo dominantes em sua época. É o único livro onde ele teria tentado construir sua visão de mundo: filosofia da natureza, filosofia do homem, filosofia da economia, filosofia da história (Jean Piel).

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