Gene Eliza Tierney (Nova Iorque, 19 de novembro de 1920 — Houston, 6 de novembro de 1991) foi uma atriz norte-americana de cinema e teatro. Aclamada por sua grande beleza, Tierney foi uma proeminente atriz principal durante a Era de Ouro de Hollywood. Interpretou Laura Hunt em Laura (1944), de Otto Preminger, um clássico do film noir, e Ellen Berent em Leave Her to Heaven (1945), de John M. Stahl, papel pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Darryl F. Zanuck, um dos fundadores da 20th Century Fox, declarou que Tierney era "indiscutivelmente, a mulher mais bonita da história do cinema".
Tierney foi contratada pela 20th Century Fox, estúdio para o qual realizou grande parte de seus trabalhos. Estrelou numerosas produções de sucesso comercial da Fox, incluindo The Return of Frank James (1940; sua estreia no cinema), Tobacco Road (1941), Son of Fury (1942), Heaven Can Wait (1943), A Bell for Adano (1945), The Razor’s Edge (1946), The Ghost and Mrs. Muir (1947), The Iron Curtain (1948), Whirlpool e Night and the City (ambos de 1950), The Mating Season (1951), On the Riviera (1951), O Egípcio (1954), The Left Hand of God (1955) e The Pleasure Seekers (1964; seu último papel no cinema). Após o declínio de sua carreira em Hollywood, a artista passou a realizar aparições esporádicas em diversas produções televisivas. Seu papel na minissérie Scruples (1980) marcou seu último trabalho creditado.
Gene Eliza Tierney nasceu em 19 de novembro de 1920, no Brooklyn, Nova York, filha de Howard Sherwood Tierney e Belle Lavinia Taylor. Ela recebeu o nome de um tio querido, que morreu jovem. Gene tinha um irmão mais velho, Howard Sherwood "Butch" Tierney Jr., e uma irmã mais nova, Patricia "Pat" Tierney. Seu pai era um corretor de seguros bem-sucedido, de ascendência irlandesa por parte de pai; sua mãe era uma ex-professora de educação física.
Ela frequentou a St. Margaret's School for Girls no município de Waterbury no Connecticut (que se fundiu com o que se tornou a Chase Collegiate School) e a Unquowa School em Fairfield, Connecticut. Tierney passou dois anos na Europa, participando de programas de intercâmbio na Brillantmont International School em Lausana da Suíça, onde aprendeu a falar francês fluentemente. E retornou aos Estados Unidos em 1936 para frequentar a Miss Porter's School em Farmington, Connecticut. Em uma viagem em família para a Costa Oeste, ela visitou os estúdios da Warner Bros. onde o primo de sua mãe – Gordon Hollingshead – trabalhava como produtor de curtas-metragens históricos. O diretor Anatole Litvak, impressionado com a beleza da jovem de 17 anos, disse a Tierney que ela deveria se tornar atriz. A Warner Bros. queria contratá-la, mas seus pais a aconselharam a não fazê-lo devido ao salário relativamente baixo.
A estreia de Tierney na sociedade ocorreu em 24 de setembro de 1938, quando ela tinha 17 anos. Rapidamente entediada com a vida social, ela decidiu seguir a carreira de atriz. Seu pai disse: "Se Gene for para ser atriz, deve ser no teatro legítimo". Tierney estudou atuação em um pequeno estúdio de atuação em Greenwich Village, Nova York, com o ator/diretor iídiche da Broadway, Benno Schneider. Ela se tornou aluna do produtor e diretor, George Abbott.
Em sua estreia na Broadway, Tierney carregou um balde d'água pelo palco em "What a Life!" (1938). Um crítico da revista Variety declarou: "A Srta. Tierney é certamente a mais bela carregadora de água que já vi!". No ano seguinte, ela apareceu no papel de Molly O'Day na produção da peça "Mrs. O'Brien Entertains" (1939). Brooks Atkinson para o The New York Times escreveu: "Como uma jovem irlandesa recém-chegada da velha Irlanda, Gene Tierney, em sua primeira atuação no palco, é muito bonita, refrescante e modesta". Naquele mesmo ano, Tierney apareceu como Peggy Carr em "Ring Two" (1939), recebendo críticas favoráveis. O crítico de teatro Richard Watts Jr., do New York Herald Tribune, escreveu: "Não vejo razão para que a Srta. Tierney não tenha uma carreira teatral interessante – isto é, se o cinema não a sequestrar".
Depois que um cinegrafista a aconselhou a perder um pouco de peso, a atriz escreveu para a revista Harper's Bazaar pedindo uma dieta, que seguiu pelos próximos 25 anos. Inicialmente, a artista recebeu a oferta para o papel principal em "National Velvet", mas a produção foi adiada. Quando a Columbia Pictures não conseguiu encontrar um projeto para Tierney, ela retornou à Broadway e estrelou como Patricia Stanley, obtendo sucesso de crítica e público em "The Male Animal" (1940). No The New York Times, Brooks Atkinson escreveu: "Tierney brilha com vivacidade na melhor atuação que já deu". "The Male Animal" foi um sucesso, e Tierney foi destaque na revista Life. Ela também foi fotografada pela Harper's Bazaar, Vogue e Collier's Weekly.
Duas semanas após a estreia de "The Male Animal", rumores indicavam que Darryl F. Zanuck, chefe da 20th Century Fox estava na plateia. Durante a apresentação, ele teria pedido a um assistente para anotar o nome de Tierney. Mais tarde naquela noite, Zanuck passou pelo Stork Club, onde viu uma jovem na pista de dança. Ele disse ao assistente: "Esqueça a garota da peça. Veja se consegue contratar aquela ali", Era Tierney. A princípio, Zanuck não acreditou que fosse a atriz que tinha visto. A citada foi citada (posteriormente) dizendo: "Eu sempre tive vários 'aparências' diferentes, uma qualidade que se mostrou útil na minha carreira".
Gene Tierney assinou com a 20th Century-Fox e sua estreia no cinema foi em um papel coadjuvante como Eleanor Stone no faroeste de Fritz Lang, The Return of Frank James (1940), ao lado de Henry Fonda. Seguiu-se um pequeno papel como Barbara Hall em Hudson's Bay (1941), com Paul Muni e ela coestrelou como Ellie Mae Lester na comédia de John Ford, Tobacco Road (também de 1941), e interpretou o papel principal em Belle Starr ao lado do coestrela Randolph Scott, Zia em Sundown e Victoria Charteris (Poppy Smith) em The Shanghai Gesture. Ela incorporou Eve em Son of Fury: The Story of Benjamin Blake (1942), bem como o papel duplo de Susan Miller (Linda Worthington) na comédia maluca de Rouben Mamoulian, Rings on Her Fingers, e papéis como Kay Saunders em Thunderbirds e Miss Young em China Girl (todos de 1942).
A atriz relembrou mais tarde sua experiência durante as gravações de Heaven Can Wait (1943) de Ernst Lubitsch:
Lubitsch era um tirano no set, o mais exigente dos diretores. Depois de uma cena, que levou do meio-dia às cinco da tarde para ser filmada, eu estava quase em lágrimas de tanto ouvir Ernst Lubitsch gritar comigo. No dia seguinte, procurei-o, olhei-o nos olhos e disse: 'Sr. Lubitsch, estou disposto a dar o meu melhor, mas não posso continuar trabalhando neste filme se o senhor continuar gritando comigo.' 'Sou pago para gritar com você', ele berrou. 'Sim', eu disse, 'e sou pago para aguentar – mas não o suficiente.' Após uma pausa tensa, Lubitsch caiu na gargalhada. A partir daí, nos demos muito bem.
Tierney estrelou naquele que se tornou seu papel mais lembrado: o papel principal no filme noir de Otto Preminger, Laura (1944), contracenando com Dana Andrews (com quem ela trabalharia novamente em The Iron Curtain e Where The Sidewalk Ends).
Depois de interpretar Tina Tomasino em A Bell for Adano (1945), ela atuou como a ciumenta e narcisista femme fatale Ellen Berent Harland em Leave Her to Heaven (1945) adaptado de um romance best-seller de Ben Ames Williams, Tierney foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Este foi o longa-metragem de maior sucesso da 20th Century-Fox na década de 1940 e sendo citado pelo diretor Martin Scorsese como um de seus filmes favoritos, e ele avaliou Tierney como uma das atrizes mais subestimadas da Era de Ouro de Hollywood. No ano seguinte participou como Miranda Wells na fantasia Dragonwyck (1946), ao lado de Walter Huston e Vincent Price sendo o filme de estreia de Joseph L. Mankiewicz como diretor. No mesmo período, ela estrelou como Isabel Bradley, contracenando com Tyrone Power em O Fio da Navalha (também de 1946), uma adaptação do romance homônimo de W. Somerset Maugham. Em 1947, voltou a trabalhar com Mankiewicz sendo o interesse romântico de Rex Harrison em O Fantasma Apaixonado.