Gaza (em árabe: غَزَّة Ġazzah, IPA: [ɣaz.zah]; Hebraico: עַזָּה, Moderno Aza Tiberiano ʿAzzā) é uma cidade palestina na Faixa de Gaza, com uma população de 590 481 habitantes (em 2017), o que a torna a maior cidade da região.
Habitada desde pelo menos o século XV a.C., Gaza foi dominada por vários povos e impérios diferentes ao longo de sua história. Os filisteus a ornaram parte de sua pentápolis depois que os antigos egípcios a governaram por quase 350 anos. Sob os romanos - em sua forma pagã, bem como após a cristianização de seu império, para o qual os historiadores usam o termo Império Bizantino - Gaza experimentou uma paz relativa e seu porto floresceu. No ano 635, ela se tornou a primeira cidade da Palestina a ser conquistada pelo exército muçulmano do Califado Ortodoxo e rapidamente se tornou um centro da lei islâmica. No entanto, quando os cruzados invadiram a região a partir de 1099, Gaza ficou em ruínas. Nos séculos posteriores, Gaza passou por várias dificuldades - de ataques mongóis a enchentes e pragas de gafanhotos, reduzindo-a a uma vila no século XVI, quando foi incorporada ao Império Otomano. Durante a primeira metade do domínio otomano, a dinastia de Riduão controlou Gaza e sob eles a cidade passou por uma época de grande comércio e paz. O município de Gaza foi estabelecido em 1893.
Gaza caiu nas mãos das forças britânicas durante a Primeira Guerra Mundial, tornando-se parte do Mandato Britânico da Palestina. Como resultado da Guerra Árabe-Israelense de 1948, o Egito administrou o território recém-formado da Faixa de Gaza e várias melhorias foram realizadas na cidade. Gaza foi capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias em 1967, mas em 1993, a cidade foi transferida para a recém-criada Autoridade Nacional Palestina. Nos meses que se seguiram às eleições de 2006, um conflito armado eclodiu entre as facções políticas palestinas do Fatah e do Hamas, resultando na tomada do poder em Gaza por este último em 2007. Consequentemente, o Egito e Israel impuseram um bloqueio à Faixa de Gaza. Israel aliviou as restrições que permitia bens de consumo em junho de 2010 e o Egito reabriu a passagem de fronteira de Rafa em 2011 para pedestres.
As principais atividades econômicas de Gaza são as indústrias de pequena escala e a agricultura. No entanto, o bloqueio e os conflitos recorrentes colocaram a economia local sob forte pressão. A maioria dos habitantes de Gaza é muçulmana, embora haja também uma pequena minoria cristã. Gaza tem uma população muito jovem, com cerca de 75% com menos de 25 anos. A cidade é atualmente administrada por um conselho municipal de 14 membros.
O nome "Gaza" surge pela primeira vez nos registros militares de Tutemés III do Império Novo do Antigo Egito, no século XV. Nas línguas semíticas, o significado do nome da cidade é "feroz, forte". O nome hebraico da cidade é Aza (עזה) - o ayin no início da palavra representava uma fricativa velar expressa em hebraico bíblico, mas em hebraico moderno, é silenciosa.
De acordo com Shahin, os antigos egípcios chamavam-lhe "Gazate" ("cidade valiosa") e os muçulmanos costumavam referirs-se-lhe como "Gazate Haxim", em homenagem a Haxim, bisavô de Maomé, que, de acordo com a tradição islâmica, está enterrado na cidade.
A história de Gaza remonta a 5 mil anos, tornando-a uma das cidades mais antigas do mundo. Localizada na rota costeira do Mediterrâneo entre o Norte da África e o Levante, a cidade, durante a maior parte de sua história, serviu como um importante entreposto do sul da Palestina e uma parada importante na rota de comércio de especiarias que atravessa o Mar Vermelho.
O assentamento na região de Gaza remonta à fortaleza do Antigo Egito construída no território cananeu em Telel Sacã, ao sul da atual Gaza. O local entrou em declínio durante o início da Idade do Bronze, à medida que seu comércio com o Egito diminuía drasticamente. Outro centro urbano conhecido como Telel Ajul começou a crescer ao longo do leito do rio Uádi Gaza. Durante meados da Idade do Bronze, Telel Sacã ressurgiu e tornou-se a localidade mais ao sul da Palestina, servindo como um forte. Em 1 650 a.C., quando os cananeus hicsos ocuparam o Egito, uma segunda cidade se desenvolveu nas ruínas de Telel Sacã. No entanto, ela também foi abandonada por volta do século XIV a.C., no final da Idade do Bronze.
Durante o reinado de Tutemés III (r. 1479–1425 a.C.), a cidade se tornou uma parada na rota de caravanas sírio-egípcias e foi mencionada nas Cartas de Amarna como "Azzati". Mais tarde, Gaza serviu como capital administrativa do Egito em Canaã. A cidade permaneceu sob controle egípcio por 350 anos, até ser conquistada pelos filisteus no século XII a.C.. No século XII a.C., Gaza tornou-se parte da pentápole dos filisteus. De acordo com o Livro dos Juízes da Bíblia Hebraica, Gaza foi o lugar onde Sansão foi preso pelos filisteus e morreu.
Depois de ser governada pelos israelitas, assírios e depois pelos egípcios, Gaza alcançou relativa independência e prosperidade sob o Império Aquemênida. Alexandre, o Grande sitiou Gaza, a última cidade a resistir à sua conquista em seu caminho para o Egito, por cinco meses antes de finalmente capturá-la em 332 a.C.; os habitantes foram mortos ou levados cativos. Alexandre trouxe beduínos locais para povoar Gaza e organizou a cidade em uma pólis (ou "cidade-Estado").
No período dos selêucidas, Seleuco I Nicátor, ou um de seus sucessores renomeou Gaza para Selêucia com o intuito de controlar a área circundante contra os ptolemaicos. A cultura grega, consequentemente, criou raízes e Gaza ganhou a reputação de um próspero centro helenístico de aprendizagem e filosofia. Durante a Terceira Guerra do Diádocos, Ptolemeu I Sóter derrotou Demétrio I da Macedônia em uma batalha perto de Gaza em 312 a.C.. Em 277 a.C., após a campanha bem-sucedida de Ptolomeu II contra os nabateus, a fortaleza ptolomaica de Gaza assumiu o controle do comércio de especiarias com Gerra e o sul da Arábia. Gaza experimentou outro cerco em 96 a.C. pelo rei asmoneu Alexandre Janeu, que "derrubou totalmente" a cidade, matando 500 senadores que fugiram para o templo de Apolo em busca de segurança.
Josefo observa que Gaza foi reassentada sob o governo de Antípatro, que cultivou relações amigáveis com os habitantes de Gaza, de Ascalão e cidades vizinhas após ser nomeado governador de Edom por Janeu. Reconstruída depois de ter sido incorporada ao Império Romano em 63 a.C. sob o comando de Pompeu, Gaza tornou-se então uma parte da província romana da Judeia. Foi alvo de forças judaicas durante a rebelião contra o domínio romano em 66 a.C. e foi parcialmente destruída. No entanto, continuou sendo uma cidade importante, ainda mais após a destruição de Jerusalém.
Durante o período romano, Gaza foi uma cidade próspera e recebeu doações e atenção de vários imperadores. Um senado de 500 membros governava Gaza e uma grande variedade de gregos, romanos, fenícios, judeus, egípcios, persas e beduínos povoavam a cidade. A casa da moeda de Gaza emitia moedas adornadas com bustos de deuses e imperadores. Durante sua visita no ano 130 d.C., o imperador Adriano inaugurou pessoalmente competições de luta livre, boxe e oratória no novo anfiteatro de Gaza, que se tornou famoso de Alexandria até Damasco. A cidade era adornada com muitos templos pagãos; o culto principal era ao deus Dagom. Outros templos eram dedicados a Zeus, Hélio, Afrodite, Apolo, Atena e Tique. O cristianismo começou a se espalhar por Gaza por volta do ano 250, inclusive no porto de Maiuma.
Após a divisão do Império Romano no século III, Gaza permaneceu sob o controle do Império Romano do Oriente. A cidade prosperou e foi um importante centro para o sul da Palestina. Um bispado cristão foi estabelecido em Gaza . A conversão ao cristianismo em Gaza foi acelerada sob Santo Porfírio entre 396 e 420. Em 402, Teodósio II ordenou a destruição de todos os oito templos pagãos da cidade, e quatro anos depois a Imperatriz Élia Eudócia encomendou a construção de uma igreja no topo das ruínas do Templo de Marnas. Foi nessa época que o filósofo cristão Enéas de Gaza chamou Gaza, sua cidade natal, de "a Atenas da Ásia". Uma grande sinagoga existia em Gaza no século VI, de acordo com escavações.