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Gavião (Portugal)

Município de Portugal

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Gavião é uma vila portuguesa no distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo.

É sede do município de Gavião com 294,59 km² de área e 3 324 habitantes (2023), subdividido em 4 freguesias. O município é limitado a oeste e norte pelo município de Mação, a leste por Nisa, a sueste pelo Crato, a sudoeste por Ponte de Sor e a oeste por Abrantes.

Constituiu importante possessão da Ordem de Malta ou do Hospital de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, como outrora se denominou esta antiquíssima Ordem Religiosa e Militar. Razão pela qual o brasão autárquico ostenta no todo do campo do escudo a cruz da Ordem de Malta.

Gavião recebeu foral de D. Manuel I em 23 de Novembro de 1519.

Ao que consta, a freguesia de Gavião já seria povoada na época dos romanos, por ser terra fértil e pela sua situação numa extensa campina, tendo em conta alguns elementos arqueológicos desse período. Alguns autores referem mesmo que aqui terá existido a antiga cidade de Fraginum ou Fraxinum, em contradição a outros que afirmam ser a Fraginum a vila de Alpalhão.

Foi no período tardo-medieval uma das doze vilas do priorado do Crato.

O seu povoamento terá começado por volta do século XII, quando o território estava incluído no termo de Guidintesta, uma vasta região compreendida entre os rios Tejo e Zêzere, doada por D. Sancho I à ordem dos freires-cavaleiros de S. João do Hospital com o intuito da salvaguarda do território das investidas muçulmanas.

Ao contrário de outras povoações, Gavião foi aumentando a sua importância com o decorrer dos séculos, como demonstra o Foral de 23 de Novembro de 1519, durante o reinado de D. Manuel I, que instituiu a vila e, por arrastamento dotou-a de todos os privilégios e direitos inerentes à categoria de concelho.

Ao longo dos tempos, a vida no concelho de Gavião decorreu com a regularidade permitida pelo seu afastamento dos grandes centros, embora aqui e além sentindo os estrondos das crises e os fervores nacionalistas da época moderna que aqui chegavam tardiamente e um pouco esfumados.

O concelho foi suprimido entre 26 de Novembro de 1895 e 13 de Janeiro de 1898, na sequência de uma reforma administrativa do País. As suas freguesias passaram então para o concelho de Nisa, à excepção de Comenda, que transitou para o concelho do Crato. A restauração do concelho, em 1898, foi feita num movimento a que muito elucidativamente se designou de contra-reforma administrativa, recebendo Gavião, nesta altura, a freguesia de Belver, que até aqui estivera em Mação

Em termos patrimoniais, "a paisagem é o principal monumento desta vila histórica", como referiu António Nabais em "Viagens na Nossa Terra".

Gavião é um concelho essencialmente agrícola agora e como sempre. A sua população mantém muitos dos traços rurais que fizeram a sua história e etnografia. O artesanato aí está a prová-lo, bem como uma gastronomia regional rica, variada e saborosa.

A bandeira, armas e selo que constituem a heráldica de Gavião são os seguintes, segundo o parecer da Associação dos Arqueólogos Portugueses: bandeira esquartelada de amarelo e verde, coroa e borlas de ouro e verde, lança e haste douradas. Armas - De negro, com uma cruz da ordem de S. João do Hospital ou cruz de Malta de prata carregada no cruzamento por um gavião de sua cor, voando, acompanhado por um ramo de oliveira de verde furtado de ouro e por um ramo de sobreiro de verde landado de ouro, atados de vermelho em ponta, juntamente com um cacho de uvas de prata realçado de purpura, folhado e truncado de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres "Vila de Gavião" a negro. Selo circular, tendo ao centro as peças das armas e em volta, dentro de círculos concêntricos. Dizeres: "Câmara Municipal do Gavião".

Duas últimas palavras nesta breve resenha histórica de/e sobre o Gavião para as figuras célebres de Mouzinho da Silveira, o célebre legislador português, sepultado por desejo testamentado no cemitério da freguesia de Margem deste concelho ("...são gentes agradecidas e boas, e gosto agora da ideia de estar cercado, quando morto, de gente que na minha vida se atreveu a ser agradecida"), e de Eusébio Leão, um dos paladinos e deputado da República em Portugal, natural e digno filho da nossa terra.

Em conformidade com as regras gerais de Administração Política e Administração Civil do Ministério do Interior, atendendo aos desejos municipais da vila de Gavião e pelo estudo solicitado, as armas do Município foram, assim, representadas e descritas:

“Armas de negro com uma cruz de Malta de prata carregada no cruzamento por um gavião sem cor, voando, acompanhado por ramo de oliveira verde frutado de ouro atados de vermelho em ponta, conjuntamente, com um cacho de uvas de prata realçado de púrpura folhado e torneado de verde. Coroa mural de prata e de quatro torres; listel branco e com os dizeres Vila de Gavião, a negro. Bandeira esquartelada de amarelo e verde coroa e borlas de ouro e verde. Eça e haste douradas. Selo circular tendo ao centro das armas com indicação dos esmaltes em volta, dentro de círculos concêntricos os dizeres – Câmara Municipal de Gavião. A bandeira sendo destinada a cortejos e cerimónias é bordada com seda de 1 metro e meio.

A que se destina a ser arvorada é de tule, podendo deixar de ter assentes as armas respectivas. Se a Câmara Municipal concordar com este parecer deverá transcrever na Acta a respectiva descrição.

Como se disse na Acta sobre as armas, bandeira e selo, foi enviada uma cópia da mesma ao Governo Civil e à Direcção Geral Administrativa e Ministério do Interior para aprovação do Ministro (1935) – Sintra, Junho de 1935, Afonso d’Ornelas”.

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