Gato (nome científico: Felis catus) ou gato doméstico é um mamífero carnívoro da família dos felídeos, muito popular como animal de estimação. Ocupando o topo da cadeia alimentar, é predador natural de diversos animais, como roedores, pássaros, lagartixas e alguns insetos. Segundo pesquisas realizadas por instituições norte-americanas, os gatos consistem no segundo animal de estimação mais popular do mundo, estando numericamente atrás apenas dos peixes de aquário. Consta em trigésimo nono na lista das 100 espécies exóticas invasoras mais daninhas do mundo da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A primeira associação dos gatos com os humanos da qual se tem evidência ocorreu há cerca de 9 500 anos, período mais antigo ao estimado anteriormente, que oscilava entre 3 500 e 8 000 anos. A subfamília dos felíneos (Felinae), que agrupa os gatos domésticos, surgiu há cerca de 12 milhões de anos, expandindo-se a partir da África subsaariana até alcançar as terras do atual Egito. Acredita-se que o gato-selvagem-africano (Felis silvestris lybica) era seu antepassado imediato. Adicionalmente, evidências genéticas assinalam que os gatos domésticos atuais partilham procedência direta com os gatos selvagens do Oriente Médio.
Existem atualmente cerca de 250 raças de gatos domésticos. Por apresentarem pesos médios variáveis entre 2,5 a 12 quilos, a espécie é classificada na categoria de animal doméstico de pequeno a médio porte. Assim como ocorre com algumas raças de cães que apresentam esta mesma faixa de peso, o gato doméstico pode viver entre quinze e vinte anos. Dados censitários apontam que nos Estados Unidos existem mais gatos domésticos do que cachorros. Estimativas recentes indicam que, em breve, o Brasil terá a mesma característica, passando a ter maior população felina do que canina em suas residências.
Devido à sua personalidade independente, tornou-se animal de companhia em diversos lares ao redor do mundo, agradando pessoas dos mais variados estilos de vida. Na cultura humana, figura da mitologia às superstições, passando por personagens de desenhos animados, tiras de jornais, filmes e contos de fadas. Entre suas mais conhecidas representações estão Tom, O Gato de Botas, Garfield, Frajola etc.
A palavra portuguesa gato deriva da palavra latina tardia cattus, que foi usada pela primeira vez no início do século VI. Foi sugerido que cattus é derivado de um precursor egípcio do copta ϣⲁⲩ šau, "gato macho", ou sua forma feminina com o sufixo -t. A palavra latina tardia pode ser derivada de outra língua afro-asiática ou nilo-saariana. A palavra núbia kaddîska ("gato selvagem") e nobiim kadīs são possíveis fontes ou cognatos. No entanto, é "igualmente provável que as formas possam derivar de uma antiga palavra germânica, importada para o latim e daí para o grego, siríaco e árabe". A palavra pode ser derivada de línguas germânicas e do norte da Europa e, finalmente, ser emprestada do urálico, cf. lapão setentrional gáđfi, "arminho fêmea", e húngaro hölgy, "senhora, arminho fêmea"; do proto-urálico *käďwä, "fêmea (de um animal peludo)".
O gato doméstico foi denominado Felis catus por Carlos Lineu na sua obra Systema Naturae, de 1758. Felis catus domesticus foi proposto por Johann Christian Polycarp Erxleben em 1777. O Felis daemon proposto por Konstantin Alexevich Satunin em 1904 era um gato preto da Transcaucásia, mais tarde identificado como um gato doméstico. Johann Christian Daniel von Schreber chamou o gato-bravo de Felis silvestris, em 1775. Pelas regras de prioridade do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica, o nome da espécie deveria ser Felis catus. Na opinião n.º 2 027, publicada no Volume 60 (Parte I) do Bulletin of Zoological Nomenclature (31 de março de 2003), a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica confirmou a utilização de Felis silvestris para denominar o gato-bravo e Felis silvestris catus às subespécies domesticadas. Em 2007, foi considerada subespécie, F. silvestris catus, do gato-bravo após resultados de pesquisas filogenéticas. Não é incomum, aliás, o cruzamento entre gatos domésticos e bravos, formando espécimes híbridos. Em 2017, a Força-Tarefa de Classificação de Gatos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN / IUCN) seguiu a recomendação da Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica em considerar o gato doméstico como espécie distinta, Felis catus.
Os gatos, assim como todos os felinos, originaram-se da evolução de Miacis, um mamífero predador, que habitou a Terra no Paleoceno, há aproximadamente 55 milhões de anos, época em que surgiram os mais antigos mamíferos carnívoros. O mais antigo felino identificado por meio de fósseis é o Dinictis, datado de 37 milhões de anos, do qual derivou Proailurus, ancestral comum de todas as espécies de gatos atuais, o qual viveu há aproximadamente 20 milhões de anos.
Os gatos domésticos são membros da família dos felídeos (Felidae), que apresentava Proilurus como ancestral em comum há cerca de 10 ou 20 milhões de anos. O gênero Felis, ao qual pertencem os gatos, divergiu geneticamente dos felídeos há 6 ou 7 milhões de anos. Este gênero inclui diversas subespécies de gato-bravo, incluindo o gato-selvagem-africano (Felis silvestris lybica), entre outros. Os resultados da pesquisa filogenética confirmam que as espécies selvagens de Felis evoluíram por meio de especiação simpátrica ou parapátrica, enquanto o gato doméstico evoluiu por meio de seleções artificiais empreendidas por antigas sociedades humanas. O gato domesticado e seu ancestral selvagem mais próximo são diploides e ambos possuem 38 cromossomos e aproximadamente 20 mil genes. O gato-leopardo (Prionailurus bengalensis) foi domesticado de forma independente na China por volta de 5 500 a.C.. Esta linhagem de gatos parcialmente domesticados não deixa vestígios nas populações de gatos domésticos de hoje.
Os gatos domésticos atuais são uma adaptação evolutiva dos gatos-bravo, cujos cruzamentos entre diferentes espécimes os tornaram menores e menos agressivos aos humanos. A primeira indicação conhecida da domesticação de um gato-selvagem-africano (F. lybica) foi escavada perto de uma sepultura neolítica humana em Silurocambo, ao sul de Chipre, datando de cerca de 7 500–7 200 a.C.. Uma vez que não há evidências de fauna nativa de mamíferos no Chipre, os habitantes desta aldeia neolítica provavelmente trouxeram o gato e outros mamíferos selvagens à ilha do Oriente Médio continental. Quando as populações humanas deixaram de ser nômades, a vida das pessoas passou a depender substancialmente da agricultura. A produção e armazenamento de cereais, porém, acabou por atrair roedores. Foi neste momento que os gatos vieram a fazer parte do cotidiano do ser humano. Os cientistas, portanto, assumem que os gatos-selvagens-africanos foram atraídos aos primeiros assentamentos humanos no Crescente Fértil por roedores, em particular o rato-doméstico (Mus musculus), e foram domesticados por agricultores neolíticos. Por possuírem forte instinto caçador, esses animais espontaneamente passaram a viver nas cidades e exerciam importante função na sociedade: eliminar os ratos e camundongos, que invadiam os silos de cereais e outros lugares onde eram armazenados os alimentos. Essa relação mútua entre os primeiros fazendeiros e os gatos domesticados durou milhares de anos. À medida que as práticas agrícolas se espalharam, também se espalharam os gatos mansos e domesticados. Os gatos selvagens do Egito contribuíram posteriormente para o fundo genético materno do gato doméstico.
Registros encontrados no Egito Antigo, como gravuras, pinturas e estátuas de gatos, indicam que a relação desse animal com os egípcios data de pelo menos 5 mil anos. Elementos encontrados em escavações indicam que, nessa época, os gatos eram venerados e considerados animais sagrados. Bastete, a deusa da fertilidade e da felicidade, considerada benfeitora e protetora do homem, era representada na forma de uma mulher com a cabeça de um gato e frequentemente figurava acompanhada de vários outros gatos em seu entorno. Na verdade, o amor dos egípcios por esse animal era tão intenso que havia leis proibindo que os gatos fossem "exportados". Qualquer viajante que fosse encontrado traficando um gato era punido com a pena de morte. Quem matasse um gato era punido da mesma forma e, em caso de morte natural do animal, seus donos deveriam usar trajes de luto. Ao chegarem à Pérsia antiga, também passaram a ser venerados. Ali havia a crença de que, quando maltratados, corria-se o risco de estar maltratando um espírito amigo, criado especialmente para fazer companhia ao homem durante sua passagem na Terra.