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Galileo Emendabili

Escultor italiano

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Galileo Ugo Emendabili (Ancona, 8 de maio de 1898 - São Paulo, 14 de janeiro de 1974) foi um escultor ítalo-brasileiro responsável pela criação de diversas esculturas funerárias e de célebres monumentos artísticos na cidade de São Paulo, como o Obelisco Mausoléu dos Heróis de 32 (1970), o Monumento a Luiz Pereira Barreto (1929) e o Monumento a Ramos de Azevedo (1934). Nascido e criado nas regiões de Ancona, Urbino e Genova, na Itália, Emendabili se mudou para São Paulo, Brasil com 25 anos de idade e residiu na capital até o fim da vida.

Filho de Ludovico Emendabili, que era artesão moveleiro, e de Enrica Angioletti, Galileo Emendabili nasceu em 1898 na comuna de Ancona, na Itália. Parte de uma família numerosa de dez filhos, já aos oito anos de idade Galileo virou aprendiz de entalhador de móveis no atelier de Augusto Clementi, um ebanista (marceneiro especializado em Ébano), surdo-mudo, de grande relevância na Itália. Por meio deste contato com o mestre surdo-mudo e com os demais aprendizes do atelier, Emendabili começa a dominar a linguagem gestual, que foi essencial para a comunicação dentro do atelier. Em 1908, Galileo ajuda o pai com o trabalho produzindo móveis artesanais na fábrica do progenitor.

Um dos primeiros incentivos que Galileo teve para ingressar no ofício de escultor foi em 1909 através de Don Enrico Ruschioni, Capelão da Igreja do Santíssimo Sacramento. Ao ver o jovem esboçando uma Nossa Senhora sobre um fragmento de pedra lavrada com cacos de tijolos e cerâmicas, o capelão recomendou que Emendabili estudasse Belas Artes, o que de fato aconteceu 6 anos depois.

Estudos na Real Academia de Belas Artes de Urbino

Ingressando no Curso Superior de Escultura na Real Academia de Belas Artes de Urbino, Emendabili matricula-se para a turma de 1915 especializando-se em escultura. Por conta do início da Primeira Guerra Mundial, a classe que havia começado com 52 alunos em 1915, em 1918 apenas tinha 32 alunos. Durante os seus anos de estudo, Emendabili dividiu o aluguel de um quarto com o colega Urbano Polverini, além de ter que fazer suas refeições diárias com apenas 75 centavos cada. Com o colega de quarto, em 1916 Emendabili abriu seu primeiro atelier artístico no Palazzo Passerini, no Corso Vittorio Emanuele II.

Sendo destaque entre os colegas de turma, em 1918 Emendabili recebeu pela banca examinadora do Real Instituto de Belas Artes uma bolsa de estudos artísticos para financiar as viagens que ele faria pelo eixo Urbino - Roma. Junto ao Ministério da Instrução Pública, Emendabili foi nomeado para receber a bolsa por unanimidade, o que o possibilitou entrar em contato com obras de grandes nomes da escultura como Ivan Mestrovic e Adolfo Wildt, além de conseguir visitar com frequência o escultor Arturo Dazzi, que possuía um atelier em Roma.

Ganhando notoriedade na seara da escultura na Itália, Emendabili passa a assinar, ainda em 1918, a revista artística conservadora Valori Plastici, fundada por Mario Broglio no mesmo ano. Emendabili também assinava em 1918 outra revista que exaltava o retorno aos conceitos clássicos da arte: chamada Architettura e Arti Figurative, o periódico tinha como diretor Gustavo Gianoni e Marcelo Piacentini, que mais tarde seria nomeado como arquiteto do regime fascista de Benito Mussolini. Foi por meio da contribuição na Architettura e Arti Figurative que Emendabili aprofundou contato com o expressionismo de Adolfo Wildt.

Depois de 5 anos estudando na Real Academia de Belas Artes, Emendabili gradua-se com distinção em Escultura no ano de 1919.

Início da carreira e primeiras obras

Depois de ter graduado em Escultura, Emendabili abre, em 1919, o seu segundo atelier italiano na Via Barilari, em Ancona, no mesmo quarteirão em que seu pai Ludovico Emendabili havia transferido a fábrica de móveis que possuía. Lá, Emendabili esculpe Busto femminile. Em 1920, o escultor abre o seu terceiro atelier na Itália, na Via Stagni, em Ancona, onde ele entalha a escultura o Porta-Bandeira de Combate do Real Explorador Ancona, que mais tarde foi exposta no Museo Sacrario della Marina al Vittoriano, em Roma.

Em 1921, Galileo Emendabili esculpe o busto a Giuseppe Mazzini, político revolucionário responsável pela unificação italiana, sediado na Residenza Municipale; a sede do Governo Municipal de Ancona. Sua primeira exposição artística, a Esposizione Regionale D'Arte, foi feita em conjunto com outros artistas, como Urbano Polverini, Filandro Castellani e Vittorio Morelli. Aclamada pela crítica italiana de arte, a exposição foi considerada por Luigi Serra da revista Emporium como revolucionária e capaz de romper com a "monotonia de uma homogeneidade meticulosamente lapidada, de agrupamentos metódicos".

Em 1921 Emendabili foi escolhido para esculpir a obra Libertà, um monumento em homenagem ao republicano Giuseppe Meloni, jovem que fora emboscado e assassinado por guardas do fascismo italiano. A escultura memoriral, que mescla traços do art déco e do expressionismo, foi erigida no cemitério Tavernelle no túmulo de Giuseppe Meloni. Entretanto, a construção da obra apenas acentuou a oposição de Emendabili ao fascismo italiano, tornando-o oficialmente um intelectual de oposição pelo regime de Mussolini.

Em 1923, Galileo Emendabili casa-se com Malvina Manfrini, com quem permaneceu casado até o fim da vida. Galileo e Malvina tiveram dois filho, Plínio e Fiammetta.

Para fugir do governo fascista de Mussolini, em junho de 1923 Emendabili parte de Genova a navio com a esposa para Buenos Aires. Durante a viagem a bordo, Emendabili é avisado pelo comandante de que estão tramando o assassinato do escultor a bordo, por conta de sua oposição ao regime político italiano vigente. Por isso, Emendabili decide mudar de destino e desembarca com a esposa no Porto de Santos, em São Paulo, no dia 3 de julho de 1923. De lá, parte para São Paulo, cidade que já sediava grande comunidade italiana. Em São Paulo, Emendabili reside até a morte.

Galileo Emendabili inicia sua trajetória artística no Brasil na cidade de São Paulo, no ano de 1923. Começa trabalhando como vendedor de tintas, mas, no mesmo ano, consegue seu primeiro ofício artístico no novo país, remontando ao primeiro trabalho que teve em Ancona: entalhador. A direção do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo contratou Emendabili prontamente quando viu um esboço que ele fizera com primazia em um recorte de papel. No mesmo ano, Emendabili esculpe sua primeira obra fora da Itália, a Maternidade Eslava, que atualmente está na coleção de Emanuel Araújo.

Em 1924, Emendabili abre seu primeiro atelier artístico em São Paulo, na Rua das Flores, que hoje é a Praça Clóvis Bevilaqua. É neste estúdio que Emendabili planeja o memorial Sons Celestiais para o túmulo da família Borin Refinetti Rappa, obra consoante com a arquitetura do art-déco que está no Cemitério Araçá. Constituído por duas figuras femininas com liras e um pranteador no centro, o memorial foi uma de suas primeiras esculturas feitas em São Paulo, e marca o início da trajetória de arte funerária de Emendabili em São Paulo. Como reflete Silvana Brunelli Zimmerman, estudiosa do escultorː

Em 1925, Emendabili ganha seu primeiro concurso artístico, obtendo o primeiro lugar no prêmio Concurso Internacional para o Monumento a Luiz Pereira Barreto, cientista e cafeicultor.

Monumento a Luiz Pereira Barreto

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