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Gal Costa

Cantora e compositora brasileira (1945–2022)

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Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa OMC • ORB (nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos; Salvador, 26 de setembro de 1945 – São Paulo, 9 de novembro de 2022) (/ɡaw ˈkɔs ta/ () foi uma cantora e compositora brasileira. Considerada uma das cantoras mais plurais do Brasil e do mundo, Gal transitou em diversos gêneros musicais e foi a cantora brasileira mais bem colocada na lista de 200 maiores cantores e cantoras de todos os tempos pela revista Rolling Stone, bem como foi eleita, pela revista Time, uma das 10 maiores cantoras do mundo.

Primeiros anos e início de carreira

Maria da Graça Costa Penna Burgos era filha de Mariah Costa Penna, sua grande incentivadora, falecida em 1993, e de Arnaldo Burgos. Sua mãe contava que durante a gravidez passava horas concentrada ouvindo música clássica, como num ritual, com a intenção de que esse procedimento influenciasse na gestação e fizesse que a criança que estava por nascer fosse, de alguma forma, uma pessoa musical. O pai de Gal, morto quando ela tinha quatorze anos, sempre foi uma figura ausente, um vazio plenamente preenchido pelo amor de sua mãe, além dos parentes. Em certo momento, se torna amiga das irmãs Sandra e Dedé (Andreia) Gadelha, futuras esposas dos compositores Gilberto Gil e Caetano Veloso, respectivamente. As duas a apelidaram "Gau", nome comum na Bahia como diminutivo de Maria da Graça. Em 1959, ouviu pela primeira vez o cantor João Gilberto cantando Chega de Saudade (Tom Jobim/Vinicius de Morais) no rádio; João também exerceu uma influência muito grande na carreira da cantora, que também trabalhou como balconista da principal loja de discos de Salvador da época, a Roni Discos. Em 1963, foi apresentada a Caetano Veloso por Dedé Gadelha, iniciando-se a partir daí uma grande amizade e profunda admiração mútua.

Gal estreou ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé e outros, o espetáculo Nós, Por Exemplo... (22 de agosto de 1964), que inaugurou o Teatro Vila Velha, em Salvador. Neste mesmo ano participou de Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova, no mesmo local e com os mesmos parceiros. Deixou Salvador para viver na casa da prima Nívea, no Rio de Janeiro, seguindo os passos de Maria Bethânia, que havia estourado como cantora no espetáculo Opinião. A primeira gravação em disco se deu no disco de estreia de Maria Bethânia (1965): o duo Sol Negro (Caetano Veloso), seguido do primeiro compacto, com as canções Eu vim da Bahia, de Gilberto Gil, e Sim, foi você, de Caetano Veloso - ambos lançados pela RCA, que posteriormente transformou-se em BMG (atualmente Sony BMG) — gravadora à qual Gal retornaria em 1984, com o álbum Profana. No fim do ano conheceu João Gilberto pessoalmente.

No início da carreira e no primeiro compacto, a cantora se apresentava como Maria da Graça. Por sugestão do produtor Guilherme Araújo, no entanto, adotou o nome artístico Gal, derivado de seu apelido e soletrado seguindo a sugestão jocosa GAL: Guilherme Araújo Limitada. Caetano Veloso não gostou da mudança, argumentando que Gal é abreviatura de general, de modo que o nome Gal Costa a fazia parecer homônima do então Presidente da República, o Gal. Costa e Silva. Em entrevista concedida a Jô Soares, em 2013, a cantora revelou que havia alterado o registro civil para incluir o apelido pelo qual ficou conhecida nacionalmente, passando a se chamar oficialmente Gal Maria da Graça Penna Burgos Costa.

Participou do I Festival Internacional da Canção, em 1966, interpretando a canção Minha Senhora (Gilberto Gil e Torquato Neto), que não emplacou. O primeiro LP foi lançado em 1967, ao lado do também estreante Caetano Veloso, Domingo, pela gravadora Philips, que posteriormente transformou-se em Polygram (atualmente Universal Music), permanecendo neste selo até 1983. Deste disco fez grande sucesso a canção Coração Vagabundo, de Caetano Veloso. Participou também do III Festival de Música Popular Brasileira defendendo as canções Bom Dia (Gilberto Gil/Nana Caymmi) e Dadá Maria (Renato Teixeira), esta última em dueto com Sílvio César no festival e com Renato Teixeira na gravação.

Em 1968 participou do disco Tropicália ou Panis et Circencis (1968), com as canções Mamãe Coragem (Caetano Veloso e Torquato Neto), Parque Industrial (Tom Zé) e Enquanto seu lobo não vem (Caetano Veloso), além de Baby (Caetano Veloso), o primeiro grande sucesso solo, que se tornou um clássico. Em novembro participou do IV Festival da Record defendendo a canção Divino Maravilhoso (Caetano Veloso e Gilberto Gil). Lançou seu primeiro disco solo, Gal Costa (1969), que além de Baby e Divino Maravilhoso trouxe Que Pena (Ele já não gosta mais de mim) (Jorge Ben Jor) e Não Identificado (Caetano Veloso), todos grandes sucessos. No mesmo ano gravou o segundo disco solo, Gal, conhecido como o psicodélico, que trouxe os hits Meu Nome É Gal (Roberto e Erasmo Carlos) e Cinema Olympia (Caetano Veloso). Deste disco foi gerado o espetáculo Gal!, e o mesmo figura como um dos registros mais radicais já feito na história da música brasileira.[carece de fontes?]

Em 1973 gravou o disco Índia, dirigido por Gil, que trouxe os sucessos Índia (J. A. Flores - M. O. Guerreiro - versão José Fortuna) e Volta (Lupicínio Rodrigues), e desse disco faz outro show muito bem-sucedido, também dirigido por Waly Salomão, Índia. Nesse mesmo ano participou do festival Phono 73, que gerou três discos, onde Gal gravou com sucesso as músicas Trem das Onze (Adoniran Barbosa) e Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi), em dueto com Maria Bethânia. Em 1974 Gal gravou o disco Cantar, dirigido por Caetano Veloso, que trouxe os sucessos Barato total (Gilberto Gil), Flor de maracujá e Até quem sabe (ambas de João Donato e Lysia Enio) e A Rã (João Donato e Caetano Veloso). Desse disco gerou o show Cantar, que não foi bem recebido pelo público de Gal, por se tratar de um disco muito suave, contrastando com a imagem forte que a cantora criara a partir do movimento tropicalista.

Em 1981, em seu especial produzido e exibido na TV Globo no programa Grandes Nomes, ao qual o nome do seu especial foi seu nome de batismo, Maria da Graça Costa Penna Burgos, ao qual no fim do especial usou uma roupa de franjas rosas, que foi comparado a um boneco infantil da época. No entanto, os críticos disseram que o que salvou o especial foi sua apresentação com a renomada cantora Elis Regina — o encontro de duas divas populares, além de uma aula de musicalidade. Nessa participação, Gal começou cantando Amor Até o Fim, música que fazia parte da discografia das duas, e ao meado da canção Elis Regina chegou fazendo um dueto com Gal. Em seguida Elis cantou uma música recém-lançada, Aprendendo a Jogar, e mais dois duetos: Ilusão À Toa e Estrada do Sol. Além disso, também teve outro encontro histórico de revisitar o repertório de Grande Otelo, música gravada originalmente por Carmen Miranda e depois regravada por ele e Eliana Macedo em 1952, sendo que dessa vez foi interpretada por ele e Gal numa interpretação bem-humorada de ambos.

Em 1982 Gal gravou outro disco de sucesso, Minha Voz, em que se destacaram as gravações de Azul (Djavan), Dom de Iludir, Luz do Sol (ambas de Caetano Veloso), Bloco do Prazer (Moraes Moreira - Fausto Nilo), Verbos do Amor (João Donato e Abel Silva) e Pegando Fogo (Francisco Mattoso - José Maria de Abreu). Em 1983 Gal gravou outro disco bem-sucedido comercialmente, Baby Gal, que também se tornou um show, e que trouxe os sucessos Eternamente (Tunai - Sérgio Natureza - Liliane), Mil Perdões (Chico Buarque), Rumba Louca (Moacyr Albuquerque - Tavinho Paes), além da regravação de Baby.

Originalmente idealizado para a montagem do ballet teatro do Balé Teatro Guaíra (Curitiba, 1982), o espetáculo O Grande Circo Místico foi lançado em 1983. Gal Costa integrou o grupo seleto de artistas da MPB que viajaram pelo país apresentando o projeto, um dos maiores e mais completos espetáculos teatrais, para uma plateia de mais de 200 mil pessoas, em quase 200 apresentações. Gal interpretou a canção A História de Lili Braun, musicado pela dupla Chico Buarque e Edu Lobo. O espetáculo conta a história de amor entre um aristocrata e uma acrobata e a saga da família austríaca proprietária do Circo Knie, que vagava pelo mundo nas primeiras décadas do século.

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