O Fundo Monetário Internacional (FMI), em inglês International Monetary Fund (IMF) é uma instituição financeira internacional e agência especializada das Nações Unidas com sede em Washington, D.C., nos Estados Unidos. Reúne 191 países-membros e tem como objetivos declarados promover a cooperação monetária internacional, preservar a estabilidade financeira, facilitar o comércio internacional, estimular o emprego e o crescimento econômico sustentável e contribuir para a redução da pobreza. Atua também como financiador de última instância de seus membros diante de crises efetivas ou potenciais do balanço de pagamentos.
Criado durante a Conferência de Bretton Woods, em julho de 1944, a partir de propostas de Harry Dexter White e John Maynard Keynes, o FMI passou a existir formalmente em 1945, com 29 membros fundadores, para auxiliar na reconstrução do sistema monetário internacional. Durante suas primeiras décadas, supervisionou o sistema de taxas de câmbio fixas estabelecido em Bretton Woods. Depois do colapso desse sistema, iniciado em 1971, suas atividades passaram a se concentrar sobretudo nos desequilíbrios externos e nas crises financeiras internacionais.
Por meio de um sistema de cotas, os países contribuem para os recursos financeiros disponíveis para empréstimos. A cota de cada membro também determina sua participação nas votações. Na concessão de crédito, o Fundo pode exigir a adoção de reformas econômicas, conhecidas em determinados programas como ajuste estrutural. O FMI oferece ainda assistência técnica, treinamento e acompanhamento das políticas econômicas de seus integrantes.
As condições exigidas para os empréstimos são criticadas quando impõem austeridade, redução de serviços públicos ou perda de autonomia dos governos na definição de suas políticas. A distribuição desigual do poder de voto entre os países ricos e os demais membros também é objeto de controvérsia. A economista búlgara Kristalina Gueorguieva ocupa a direção-geral desde 1.º de outubro de 2019 e iniciou um segundo mandato de cinco anos em 1.º de outubro de 2024.
Durante a Grande Depressão, os países haviam aumentado as barreiras comerciais para proteger suas economias e recorrido à desvalorização cambial, contribuindo para a contração do comércio internacional. Em julho de 1944, representantes de 44 países reuniram-se no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, no estado norte-americano de New Hampshire, para negociar regras de cooperação monetária, discutir a reconstrução europeia após a guerra e elaborar o projeto do FMI.
Na negociação das atribuições da futura instituição, o representante norte-americano Harry Dexter White defendia um organismo próximo de um banco, atento à capacidade dos países tomadores de honrar seus compromissos. A versão final dos acordos incorporou boa parte de suas propostas. John Maynard Keynes, representante britânico, preferia um fundo cooperativo, ao qual os membros pudessem recorrer para sustentar a atividade econômica e o emprego durante crises periódicas, de maneira compatível com as medidas de intervenção estatal experimentadas pelo New Deal nos Estados Unidos.
Os acordos previam que o FMI e o Banco Mundial ficariam sediados nos Estados Unidos. O secretário do Tesouro Henry Morgenthau Jr. pretendia instalá-los em Nova York, mas seu sucessor, Fred M. Vinson, decidiu situá-los em Washington. Vinson receava que uma localização nova-iorquina pudesse associar as duas instituições, na opinião pública, aos interesses das finanças internacionais.
O Fundo passou a existir juridicamente em 27 de dezembro de 1945, quando 29 países ratificaram seu Convênio Constitutivo. Ao fim de 1946, já tinha 39 membros. Suas operações financeiras começaram em 1.º de março de 1947, e a França foi o primeiro país a tomar um empréstimo, em 8 de maio do mesmo ano.
O acordo monetário preservava a autonomia dos governos para manter políticas nacionais, inclusive as de bem-estar, em um modelo de liberalismo incorporado. Com a descolonização de países africanos nas décadas de 1950 e 1960, mais governos aderiram ao FMI. A Guerra Fria, porém, restringiu a entrada dos países do bloco soviético. Muitos deles só aderiram ao Fundo nas décadas de 1970 e 1980.
No sistema original, as moedas nacionais mantinham uma paridade em relação ao dólar, admitindo-se oscilações em torno de 1% da taxa declarada, enquanto os Estados Unidos sustentavam a conversibilidade de sua moeda em ouro a 35 dólares por cerca de 31,1 gramas de ouro. Esse regime recebeu o nome de padrão dólar-ouro. O FMI acompanhava as paridades e oferecia crédito temporário a membros com dificuldades em seu balanço de pagamentos.
O sistema de taxas de câmbio fixas persistiu até 1971, quando os Estados Unidos suspenderam a conversibilidade do dólar em ouro, episódio conhecido como Choque Nixon. Os Acordos da Jamaica, de 1976, incorporaram as novas regras cambiais ao Convênio Constitutivo. Na década de 1970, os grandes bancos comerciais ampliaram seus empréstimos internacionais, dispondo de depósitos feitos por países exportadores de petróleo. A recessão mundial e a crise da dívida dos anos 1980 levaram o FMI a participar de novas negociações sobre financiamentos e dívidas internacionais.
A partir de meados da década de 1980, a atuação do Fundo deixou de se concentrar exclusivamente na estabilização cambial e passou a apoiar reformas de liberalização dos mercados por meio de programas de ajuste estrutural. O Convênio Constitutivo não foi formalmente renegociado para essa mudança. O governo de Ronald Reagan, especialmente o secretário do Tesouro James Baker e os dirigentes David C. Mulford e Charles Dallara, pressionou para vincular os empréstimos a reformas de orientação liberalizante.
Na fundação do FMI e nas décadas seguintes, os controles de capitais eram aceitos como instrumentos de política econômica. A partir dos anos 1980, os técnicos do Fundo passaram a defender com mais frequência a livre circulação de capitais. Novas correntes do pensamento econômico ganharam espaço na instituição à medida que funcionários formados nas décadas de 1940 e 1950 se aposentaram e profissionais com outras concepções de política econômica foram contratados.
No início dos anos 2000, o FMI concedeu grandes pacotes de financiamento à Argentina, durante a crise de 1998 a 2002, e ao Uruguai, após a crise bancária uruguaia de 2002. Em meados da década, porém, o volume de crédito da instituição em relação ao produto interno bruto mundial atingiu o menor patamar desde os anos 1970.
Em maio de 2010, o Fundo participou do primeiro resgate financeiro da Grécia, de 110 bilhões de euros, na proporção de três para onze do financiamento total. Em contrapartida, o governo grego aceitou medidas de austeridade destinadas a reduzir o déficit fiscal para menos de 3% do PIB até 2014. Quando o programa foi aprovado, o déficit de 2009 estava calculado em 13,6% do PIB, mas os dados foram revistos em novembro de 2010 para 15,4%. O valor de aproximadamente 11% do PIB correspondia ao conjunto de medidas de ajuste fiscal previsto no acordo, e não ao déficit daquele ano. O pacote inicial não previa a reestruturação da dívida soberana nem a redução do valor nominal dos títulos, decisão questionada por representantes de países como Suíça, Brasil, Índia, Rússia e Argentina. O então primeiro-ministro George Papandreou e seu ministro das Finanças Giorgos Papakonstantinou também rejeitavam essa possibilidade.
Um segundo programa de socorro, superior a 100 bilhões de euros, foi negociado a partir de outubro de 2011, e Papandreou deixou o poder enquanto prosseguiam as negociações. A chamada Troica, formada pelo FMI, pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia, acompanhou o programa aprovado pelo Fundo em 15 de março de 2012, com crédito de 23,8 bilhões de direitos especiais de saque (DES). Os detentores privados dos títulos gregos aceitaram perdas nominais superiores a 50%. Entre maio de 2010 e fevereiro de 2012, bancos da França, Alemanha e Países Baixos reduziram sua exposição à dívida grega de 122 bilhões para 66 bilhões de euros. Em janeiro de 2012, os maiores tomadores de crédito do FMI eram, nessa ordem, Grécia, Portugal, Irlanda, Romênia e Ucrânia.