Fulque (Angers, c. 1089–1092 – Acre, 13 de novembro de 1143) foi conde de Anjou e Tours de 1109 a 1129, conde de Maine de 1110 a 1126 e rei de Jerusalém de 1131 a 1143, reinando juntamente com a sua segunda esposa, Melisende de Jerusalém.
Fulque nasceu entre 1089 e 1092, filho do conde Fulque IV de Anjou com Bertranda de Monforte. Em 1092 a sua mãe abandonou o marido para se casar em bigamia com o rei Filipe I de França.
Antes de se casar com Bertranda, Fulque IV tivera vários casamentos. De um deles nascera Godofredo IV de Anjou, que se rebelou contra o pai em 1098. Fulque V apoiou o pai até à morte do seu meio-irmão em 1106 e, quando Fulque IV morreu, em 1109, o Jovem tornou-se conde de Anjou e Tours, com cerca de 20 anos de idade.
Enquanto conde de Anjou, esteve principalmente ocupado a dominar os seus vassalos mais turbulentos, particularmente os de Amboise, tendo conquistado e mandado destruir vários castelos dos nobres que mais ameaçavam o seu poder.
Pouco depois de herdar o condado, casou-se com Ermengarda, filha e herdeira de Elias I, conde de Maine. Este casamento provocou a união definitiva dos territórios de Maine e Anjou, mas obrigou Fulque a adoptar uma política evasiva entre Henrique I, rei da Inglaterra e duque da Normandia, e Luís VI o Gordo, rei de França. No decurso destas mudanças de alianças, em 1113 casou a sua filha Alice (ou Isabel, Matilde) (1107-1154) com Guilherme Atelingo, filho de Henrique I.
Fulque partiu em cruzada em 1120. Os cavaleiros da Ordem dos Templários impressionaram-no a tal ponto que, depois de voltar à Europa, subsidiou esta ordem militar, pagando a manutenção de dois cavaleiros na Terra Santa durante um ano.
Depois do seu regresso a Anjou, Fulque aliou-se ao rei da França e apoiou-o na sua luta contra o monarca inglês e o sacro imperador Henrique V da Germânia. Ao mesmo tempo casou a sua filha Sibila com Guilherme Clito, pretendente ao trono inglês e rival de Henrique I da Inglaterra.
Mas em 1124 alterou as suas alianças. Anulou o casamento de Sibila e, em 1128, casou o seu filho Godofredo V Plantageneta com Matilde de Inglaterra, filha de Henrique I da Inglaterra e viúva de Henrique V da Germânia. Este casamento seria a origem da dinastia plantageneta da Inglaterra.
Depois de enviuvar no ano anterior, em 1127 Fulque recebeu uma embaixada do rei Balduíno II de Jerusalém, que não tinha herdeiros varões, e por isso designara a sua filha Melisende para a sucessão. Balduíno também julgava necessário casar a filha com um aliado poderoso, capaz de proteger e salvaguardar a sua herança e dos seus descendentes. A sua verdadeira intenção teria sido prover a filha com um simples consorte, não com um rei consorte reinante.
O conde de Anjou, Tours e Maine parecia uma boa escolha: viúvo, um nobre poderoso e abastado, cruzado e comandante militar de renome. A sua experiência em batalhas seria de grande valor em um estado fronteiriço em constante guerra. Mas durante as negociações, Fulque insistiu no governo conjunto do reino com a sua esposa. Balduíno II acabou por ceder a estas condições uma vez que o angevino tinha o dinheiro e o exército necessários para a defesa de Jerusalém.
Fulque abdicou do governo do condado para o seu filho Godofredo V Plantageneta e partiu novamente para a Terra Santa, onde se casou com Melisende a 2 de junho de 1129. Com o nascimento em 1130 de Balduíno III, o filho herdeiro deste casamento, Balduíno II pretendeu reforçar a posição de Melisende como única monarca soberana de Jerusalém. Para isso, designou a filha como guardiã do seu jovem filho, excluindo o angevino desta posição de poder. Apesar disso, depois da morte do rei Balduíno II em 1131, Melisende e Fulque subiram ao trono, ambos como governantes.
Desde o início do seu reinado, Fulque tentou assumir sozinho o controlo do reino. Apoiado pelos seus cavaleiros, afastou Melisende da capacidade de conceder títulos e outras formas de patronagem, e contestava publicamente a sua autoridade. Este tratamento para com a rainha irritou os membros do "Tribunal Superior" (Haute Cour), um tipo de conselho que compreendia a nobreza e o clero do reino, cujas próprias posições de poder ficavam em risco se o rei continuasse ganhar domínio sobre Jerusalém.
Fontes contemporâneas, como Guilherme de Tiro, realçam que Fulque favorecia demasiadamente os recém-chegados cruzados francos de Anjou em detrimento da nobreza nativa do reino. Os outros estados cruzados temiam que tentasse impôr a suserania de Jerusalém sobre eles, como Balduíno II fizera. Mas Fulque era menos poderoso do que o seu falecido sogro e os estados do norte rejeitaram a sua autoridade.
Alice de Jerusalém, a irmã de Melisende exilada do seu Principado de Antioquia pelo pai, voltara a tomar o controlo do estado depois da morte de Balduíno. Aliou-se a Pôncio de Trípoli e Joscelino II de Edessa para impedir que o novo rei de Jerusalém marchasse para norte em 1132. Fulque e Pôncio enfrentaram-se na breve batalha de Rugia, perdida por Trípoli, e quando acabaram por acordar uma paz, Alice foi mais uma vez exilada.
Em Jerusalém, a segunda geração de descendentes dos cristãos da Primeira Cruzada formava um partido afecto a Melisende, encabeçado pelo conde Hugo II de Puiset e Jafa, primo da rainha. Hugo era o barão mais poderoso do reino, e devotadamente leal à memória de Balduíno II. Esta lealdade fora extensiva à filha deste, sua prima, apesar de Hugo, se se levasse em conta a estrita sucessão varonil, ter uma pretensão mais válida ao trono.
A rivalidade de Fulque e Hugo recebeu mais um impulso quando o próprio enteado de Hugo o acusou de deslealdade. Ao mesmo tempo o afastamento do casal real serviu de ferramenta política em 1134, quando Fulque acusou Hugo de adultério com a rainha. Em protesto, Hugo rebelou-se. Instalou-se em Jafa, aliou-se à cidade muçulmana de Ascalão, e assim conseguiu resistir ao exército que se formou contra a sua pessoa. Mas não era possível manter a sua posição indefinidamente, e sua aliança com Ascalão custara-lhe apoios na corte. Com o patriarca de Jerusalém a negociar termos clementes de paz, acabou por ser exilado por três anos.
Pouco depois houve um atentado à vida de Hugo, atribuído a Fulque ou aos seus apoiantes, apesar de não haver provas deste envolvimento. Esse escândalo foi o impulso que o partido da rainha precisava para desafiar abertamente o rei, uma vez que as acusações de infidelidade eram uma afronta pública que comprometiam a posição política de Melisende.
Num verdadeiro golpe palaciano, os apoiantes da rainha derrubaram Fulque, e desde 1135 que a sua influência se deteriorou rapidamente. Os apoiantes do rei «fugiram [do palácio] aterrorizados pelas suas vidas». Melisende vencera e o seu controlo sobre o governo do reino era inquestionável. Fulque «não tentou tomar a iniciativa, mesmo em assuntos triviais, sem o conhecimento [de Melisende]». O casal real reconciliou-se em 1136, e assim nasceu um segundo filho, Amalrico, que sucederia ao irmão no trono de Jerusalém.