A Frota de Alto-Mar (em alemão: Hochseeflotte) foi uma frota de batalha da Marinha Imperial Alemã que lutou durante a Primeira Guerra Mundial. Ela foi criada em fevereiro de 1907 quando a Frota Doméstica foi renomeada para Frota de Alto-Mar, porém seu desenvolvimento já vinha desde 1898. O almirante Alfred von Tirpitz foi o arquiteto da frota, concebendo-a como uma força poderosa o bastante para desafiar a predominância da Marinha Real Britânica. Tirpitz acreditava que a Alemanha poderia alcançar um equilíbrio de poder que desafiaria seriamente a hegemonia naval do Reino Unido ao concentrar uma frota de batalha poderosa no Mar do Norte, já que a Marinha Real necessitava espalhar suas forças ao redor do Império Britânico. Este era o cerne da "teoria de risco" de Tirpitz, que afirmava que os britânicos não desafiariam os alemães caso estes possuíssem uma frota que fosse uma ameaça significativa contra a sua.
O principal componente da Frota de Alto-Mar eram couraçados, normalmente organizados em esquadras de oito navios cada, porém ela também continha diversas outras formações. A frota ao ser criada em 1907 consistia de duas esquadras de couraçados, com uma terceira esquadra sendo adicionada em 1914. A revolução dos dreadnoughts em 1906 muito afetou a composição da frota, com todos os 24 pré-dreadnoughts que a formavam até então sendo considerados obsoletos e necessitando de substituição. Um número suficiente de couraçados dreadnought para duas esquadras foram completados até o início da Primeira Guerra em 1914, enquanto os oito pré-dreadnoughts mais modernos foram usados para formar a terceira esquadra. Duas esquadras adicionais de embarcações mais antigas foram mobilizadas no começo das hostilidades, porém até o final do conflito essas formações foram dissolvidas.
A frota realizou várias surtidas no Mar do Norte no decorrer da guerra com o objetivo de atrair uma parte da Grande Frota britânica numericamente superior. Estas operações frequentemente empregavam cruzadores de batalha do I Grupo de Patrulha para atacar a costa britânica como isca. Estas operações culminaram na Batalha da Jutlândia em 31 de junho e 1º de julho de 1916, em que a Frota de Alto-Mar confrontou toda a Grande Frota. O resultado foi inconclusivo, porém vários navios foram avariados. Ela continuou a realizar surtidas no Mar do Norte e destacar unidades para operações especiais no Mar Báltico contra a Frota do Báltico russa. Os Aliados internaram a maior parte da Frota de Alto-Mar em Scapa Flow depois da derrota alemã em novembro de 1918, porém as tripulações deliberadamente afundaram seus navios em junho de 1919, apenas uma semana antes da assinatura do Tratado de Versalhes.
O almirante Alfred von Tirpitz tornou-se em 1898 o Secretário de Estado do Escritório Imperial da Marinha. Ele era um apoiador fervoroso de uma expansão naval, chegando a afirmar em 6 de dezembro de 1897 durante um discurso em defesa da Primeira Lei Naval que a Marinha Imperial era "uma questão de sobrevivência" para o Império Alemão. Ele também enxergava o Reino Unido, com sua poderosa Marinha Real, como a maior ameaça a Alemanha. Tirpitz falou em uma conversa com o imperador Guilherme II durante seu primeiro mês no cargo que "para a Alemanha, o inimigo naval mais perigoso é a Inglaterra". O almirante teorizou que uma frota de ataque necessitaria de uma vantagem de 33 por cento em força para alcançar uma vitória, assim decidiu que uma proporção de 2:3 era necessária para a Marinha Imperial. Para um total final de sessenta couraçados alemães, os britânicos precisariam construir noventa para manter a proporção de 2:3 concebida por Tirpitz.
A Marinha Real tinha aderido desde 1889 ao chamado "padrão de duas potências", que exigia uma frota maior que das duas potências navais mais próximas combinadas. O cerne da "teoria de risco" de Tirpitz era que ao construir uma frota na proporção 2:3, a Alemanha assim seria forte o suficiente para que, mesmo em caso de uma vitória naval britânica, a Marinha Real sofreria danos sérios o bastante para permitir que a terceira maior potência naval crescesse em proeminência. Implícito nessa teoria era a presunção de que o Reino Unido adotaria uma estratégia ofensiva, algo que permitiria que a Alemanha usasse minas e submarinos para igualar as chances numéricas antes de uma batalha decisiva entre os dois países. Tirpitz acreditava que os alemães sairiam-se vitoriosos de um combate naval contra os britânicos, pois acreditava que seu país possuía navios com tripulações mais bem treinadas, táticas mais eficientes e era liderada por oficiais mais capacitados.
Tirpitz inicialmente concebeu uma frota de dezenove couraçados divididos em duas esquadras de oito embarcações, um como capitânia e dois na reserva. As esquadras foram subdivididas em duas divisões de quatro embarcações. Estas teriam o apoio dos navios de defesa de costa das classes Siegfried e Odin, seis cruzadores grandes e dezoito menores, além de doze divisões de torpedeiros, todos designados para a Frota Doméstica. Esta frota foi garantida pela Primeira Lei Naval, aprovada no Reichstag em 28 de março de 1898. A construção da frota deveria ser completada até 1º de abril de 1904. Tensões internacionais cada vez maiores, particularmente como resultado da Segunda Guerra dos Bôeres na África e do Levante dos Boxers na China, permitiram que Tirpitz ampliasse o plano. A Segunda Lei Naval foi aprovada em 14 de junho de 1900; ela dobrava o tamanho da frota para 38 couraçados, vinte cruzadores maiores e 38 menores. O almirante planejava uma ainda maior, tendo conversado já em setembro de 1899 com o imperador sobre seu desejo de ter pelo menos 45 couraçados, além de talvez conseguir uma terceira esquadra para um total de 48 couraçados.
O Reino Unido não se sentiu particularmente ameaçado durante o período inicial da expansão naval alemã. Os Lordes Comissários do Almirantado acharam que as implicações da Segunda Lei Naval não eram significantemente mais perigosas do que a frota estabelecida pela Primeira Lei Naval; eles acreditavam que era mais importante focar na situação prática do que na especulação de programas futuros que poderiam facilmente serem reduzidos ou cancelados. Entretanto, partes do público britânico rapidamente perceberam a possível ameaça representada pelos programas de construção alemães. O Almirantado Britânico, apesar da reação desdenhosa, decidiu mesmo assim superar os couraçados da Marinha Imperial. O almirante sir John Fisher, que tornou-se em 1904 o Primeiro Lorde do Mar e chefe do Almirantado, apresentou uma série de amplas reformas com o objetivo de principalmente se opor à ameaça cada vez maior da frota alemã. Os programas de treinamento foram modernizados, navios velhos e obsoletos foram aposentados e as esquadras de couraçados espalhadas pelo mundo foram consolidadas em quatro frotas principais, três das quais ficavam na Europa. O Reino Unido também fez uma série de acordos diplomáticos, incluindo uma aliança com o Japão que permitiu uma maior concentração de embarcações britânicas no Mar do Norte.
As reformas de Fisher causaram problemas sérios para os planos de Tirpitz, que contava que as forças britânicas seriam dispersadas cedo em um conflito, assim permitindo que a frota alemã menor e mais concentrada pudesse alcançar superioridade local. Ele também não podia depender do nível mais elevado de treinamento de oficiais e marinheiros alemães, nem mesmo na superioridade das esquadras mais modernas e homogêneas da Marinha Imperial sobre a frota heterogênea da Marinha Real. O Reino Unido assinou em 1904 a Entente Cordiale com a França, seu principal adversário naval. A destruição de duas frotas da Marinha Imperial Russa na Guerra Russo-Japonesa em 1905 fortaleceu a posição britânica ainda mais, pois removeu seu segundo rival no mar. Estes desenvolvimentos permitiram que o Reino Unido abandonasse o "padrão de duas potências" e se focasse apenas em superar a Alemanha. Fisher afirmou em outubro de 1906 que "nosso único provável inimigo é a Alemanha. A Alemanha sempre mantém toda sua Frota concentrada a algumas horas da Inglaterra. Assim devemos manter uma Frota duas vezes mais poderosa concentrada a algumas horas da Alemanha".