Neste Dia

Frevo

Ritmo musical e dança pernambucana

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O frevo é um ritmo musical e uma dança brasileira com origem no estado de Pernambuco. Sua música baseia-se na fusão de gêneros como marcha, maxixe, dobrado e polca, e sua dança foi influenciada pela capoeira.

Foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO no ano de 2012, sob a designação "Frevo: Arte do Espetáculo do Carnaval do Recife".

Surgido em Pernambuco no fim do século XIX, o frevo caracteriza-se pelo ritmo extremamente acelerado. Muito executado durante o carnaval, eram comuns conflitos entre blocos de frevo, em que capoeiristas saíam à frente dos seus blocos para intimidar blocos rivais e proteger seu grupo.

O frevo é uma criação de compositores de música ligeira, feita para o carnaval para proporcionar mais animação nos folguedos. Com o decorrer do tempo, o frevo ganhou características próprias.

Da junção da capoeira com o ritmo do frevo nasceu o passo. A dança do frevo foi utilizada inicialmente como arma de defesa dos passistas que remete diretamente a luta, resistência e camuflagem, herdada da capoeira e dos capoeiristas, que faziam uso de porretes ou cabos de velhos guarda-chuvas como arma contra grupos rivais. Foi da necessidade de imposição e do nacionalismo exacerbado no período das revoluções pernambucanas que foi dada a representação da vontade de independência e da luta na dança do frevo.

A dança do frevo pode ser de duas formas: quando a multidão dança, ou quando passistas realizam os passos mais difíceis, de forma acrobática durante o percurso. O frevo possui mais de 120 passos catalogados.

Os músculos mais requisitados do frevo são os das pernas e do abdômen.

A palavra frevo vem de ferver, por sua corruptela, frever, que passou a designar: efervescência, agitação, confusão, rebuliço; apertão nas reuniões de grande massa popular no seu vai e vem em direções opostas, como o Carnaval, de acordo com o "Vocabulário Pernambucano", de Pereira da Costa.

O pesquisador Evandro Rabello identificou, em pesquisa documental realizada a partir de acervos jornalísticos do Recife, aquele que é considerado um dos primeiros registros impressos da palavra frevo. O achado foi publicado por ele no artigo *“O aparecimento da palavra frevo”*, no Jornal do Commercio, Recife, em 1980. Segundo a pesquisa de Rabello, em 9 de fevereiro de 1907, o vespertino Jornal Pequeno, que mantinha uma seção carnavalesca assinada pelo jornalista Oswaldo Oliveira, registrou a execução de uma música denominada O frevo em reportagem sobre o ensaio do clube Empalhadores do Feitosa, no bairro do Hipódromo:

"- Empalhadores do Feitosa, em sua séde que se acha com uma ornamentação bellissima, fez hontem este apreciado club o seu ensaio geral, sahindo após em uma bonita passeata, a fium de buscar o seu estandarte, que se achava em casa do sr. Alfredo Bezerra, socio honorario do referido club.O seu repertorio é o seguinte.Marchas - Priminha, Empalhadores, Delicias, Amorosa, O Frêvo, O Sol, Dois pensamentos e Luiz do Monte, José de Lyra, Imprensa, Honorarios."

. Essa referência, que refletia o uso popular já disseminado do termo, é reconhecida como a primeira ocorrência impressa da palavra.

Em reconhecimento à data, em 9 de fevereiro de 2007, a Prefeitura do Recife comemorou os cem anos do frevo durante o carnaval.

De instrumental, o gênero ganhou letra no frevo-canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o resto do Brasil. Basta dizer que O teu cabelo não nega, de 1932, considerada a composição que fixou o estilo da marchinha carnavalesca carioca, é uma adaptação do compositor Lamartine Babo do frevo Mulata, dos pernambucanos Irmãos Valença.

A primeira gravação com o nome do gênero foi o Frevo Pernambucano (Luperce Miranda/Oswaldo Santiago) lançada por Francisco Alves no final de 1930. Um ano depois, Vamo se Acabá, de Nelson Ferreira, pela Orquestra Guanabara recebia a classificação de frevo.

Dois anos antes, ainda com o codinome de "marcha nortista", saía do forno o pioneiro Não Puxa Maroca (Nelson Ferreira) pela orquestra Victor Brasileira, comandada por Pixinguinha.

Ases da era de ouro do rádio como Almirante (numa adaptação do clássico Vassourinhas), Mário Reis (É de Amargar, de Capiba), Carlos Galhardo (Morena da Sapucaia, O Teu Lencinho, Vamos Cair no Frevo), Linda Batista (Criado com Vó), Nelson Gonçalves (Quando é Noite de Lua), Cyro Monteiro (Linda Flor da Madrugada), Dircinha Batista (Não é Vantagem), Gilberto Alves (Não Sou Eu Que Caio Lá, Não Faltava Mais Nada, Feitiço), Carmélia Alves (É de Maroca) incorporaram frevos a seus repertórios.

Em 1950, inspirados na energia do frevo pernambucano, a bordo de uma pequena fubica, dedilhando um cepo de madeira eletrificado, os músicos Dodô & Osmar fincavam as bases do trio elétrico baiano que se tornaria conhecido em todo o país a partir de 1969, quando Caetano Veloso documentou o fenômeno em seu Atrás do Trio Elétrico.

Trombone (de válvula e/ou de vara)

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