Frantz Omar Fanon (francês: [fʁɑ̃ts fanɔ̃]; Forte da França, 20 de julho de 1925 — Bethesda, 6 de dezembro de 1961), também designado como Franz Fanon ou François Fanon, e posteriormente conhecido como Ibrahim Frantz Fanon, foi um psiquiatra e filósofo político natural das Antilhas francesas (da colônia francesa da Martinica, hoje um departamento ultramarino francês) que exerceu expressiva influência nos estudos pós-coloniais, na teoria crítica e no marxismo. Além de intelectual, Fanon era um radical político, pan-africanista e humanista marxista, preocupado com a psicopatologia da colonização e as consequências humanas, sociais e culturais da descolonização.
Durante o seu trabalho como médico e psiquiatra, Fanon apoiou a Guerra de Independência da Argélia em relação à França e foi membro da Frente de Libertação Nacional da Argélia.
Durante mais de cinco décadas, a vida e obra de Frantz Fanon inspiraram movimentos de libertação nacional e outras organizações políticas radicais na Palestina, Sri Lanka, África do Sul, e Estados Unidos. Ele formulou um modelo para a psicologia comunitária, acreditando que muitos pacientes com problemas de saúde mental se recuperariam se fossem integrados na sua família e comunidade, em vez de serem institucionalizados. Ajudou também a fundar o campo da psicoterapia institucional enquanto trabalhava em Saint-Alban sob François Tosquelles e Jean Oury. Em What Fanon Said: A Philosophical Introduction To His Life And Thought, Lewis R. Gordon[EN] observou que:
Fanon publicou numerosos livros, incluindo o Os Condenados da Terra (1961). Este influente trabalho centra-se naquilo que ele acreditava ser o papel necessário da violência dos ativistas na condução de lutas de descolonização.
Visto como o "pai" do nacionalismo africano, suas obras foram inspiradas em mais de quatro décadas de movimentos de libertação anticoloniais. Analisou as consequências psicológicas da colonização, tanto para o colonizador quanto para o colonizado, e o processo de descolonização, considerando seus aspectos sociológicos, filosóficos e psiquiátricos.
Era um dos filhos de Casimir Fanon e Eléanore Médélice. Como seu pai ocupava um cargo médio na administração da Martinica, Franz conseguiu ter acesso a boas escolas, inclusive vindo a estudar no único colégio secundário da ilha, o Lycée Schoelcher. No Lycée, teve aulas com o poeta, também nascido na Martinica, Aimé Césaire, que influenciaria bastante sua obra. Em 1943 deixa a Martinica e se junta as tropas da França Livre na Segunda Guerra Mundial.
É um dos fundadores do pensamento terceiro-mundista. Ele acusou a semelhança entre o totalitarismo de direita e a ocupação na Argélia.
Fanon esteve na Argélia, então colônia francesa, onde trabalhou como médico psiquiatra no hospital do exército francês. Lá testemunhou as atrocidades da guerra de libertação travada pela Frente de Libertação Nacional contra a dominação colonial francesa. Diante da violência do processo colonial, Fanon se uniu à resistência argelina, participando posteriormente de maneira ativa na política africana pós-colonial.
Em dezembro de 1960, depois de circular por várias partes do continente africano fomentando a necessidade de expandir a guerra de libertação a outros países, no auge de sua atuação política, Fanon inicia a escrita de um livro que problematizaria a relação da revolução argelina com outros povos do Continente. No entanto, para a sua surpresa é diagnosticado com leucemia, e percebe, mediante aos estágios que a medicina se encontra nesta época, que lhe resta pouco tempo de vida.
Inicia, assim, a escrita apressada do que sabidamente seria o seu livro, alterando o curso da escrita de forma a sintetizar seus acúmulos teóricos antes que seu tempo esgote. É neste contexto, que será escrito em questão de meses o famoso Os Condenados da Terra. Enquanto escrevia o livro e revisava os trechos, chegou a voar para Itália a fim de encontrar Jean Paul Sartre e Simone de Beauvoir, para encomendar a Sartre o Prefácio do seu livro.
A influência de Sartre sobre Fanon é bastante conhecida. Fanon o admirava tanto que, em ocasião do memorável encontro entre os dois, no verão de 1961 em Roma, teria dito a Claude Lanzmann: "Eu pagaria vinte mil francos para falar com Sartre da manhã à noite durante quinze dias" (De Beauvoir, 2009, p. 437). Fanon se refere constantemente à obra Reflexões Sobre a Questão Judaica, publicada por Sartre em 1943.
É importante frisar que Sartre e Fanon foram dois intelectuais importantes no processo de descolonização, com suas contribuições referenciadas através de textos relacionados ao tema do colonialismo e também no envolvimento manifestado no engajamento político de ambas as partes. Suas contribuições passam pelo estudo das inter-relações que se estabelecem no plano do pensamento e as interconexões que ocorrem através de inúmeras razões, entre elas a existência do colonialismo e suas interconexões.
Franz Fanon, ainda hoje, é um nome central nos estudos culturais, pós-coloniais e afro-americanos, seja nos Estados Unidos, na África ou na Europa. Fala-se muito de estudos fanonianos, devido ao tal volume de estudos que têm a sua obra como objeto de reflexão.
Pele Negra, Máscaras Brancas, em pdf (1952)
Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968. 275p. (Perspectivas do homem. Serie politica;42) (original francês de 1961: Les Damnés de la Terre, nova ed. La Découverte, 2002)
Em defesa da Revolução Africana (1964)
Peau noire, masques blancs, 1952, rééd., Le Seuil, col. « Points », 2001
Écrits sur l’aliénation et la liberté, La Découverte, 2015