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Francisco Cuoco

Ator brasileiro (1933–2025)

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Francisco Cuoco (São Paulo, 29 de novembro de 1933 – São Paulo, 19 de junho de 2025) foi um ator brasileiro, amplamente reconhecido como um dos principais nomes da televisão nacional. Ganhou destaque ao interpretar galãs marcantes em diversas produções nas décadas de 1960 a 1990, deixando um legado significativo na dramaturgia brasileira.

Iniciou sua carreira na TV Tupi, em 1957, e passou por outras emissoras, como TV Rio, TV Excelsior e Record, até se consolidar na TV Globo, a partir de 1970, onde permaneceu até os últimos anos de sua vida. Na emissora, imortalizou personagens emblemáticos, como o emergente Gilberto Athayde, em O Cafona (1971), o injustiçado Cristiano Vilhena, em Selva de Pedra (1972), o taxista Carlão, em Pecado Capital (1975), o vidente Herculano Quintanilha, em O Astro (1977), os sósias Denizard e Paulo Della Santa, em O Outro (1987), o deputado Severo, em O Salvador da Pátria (1989), entre outros.

Pela sua trajetória, Cuoco foi reconhecido com diversos prêmios, incluindo um Troféu APCA, um Arte Qualidade Brasil e quatro Troféus Imprensa. Em 2018, foi laureado com o Troféu Mário Lago pelo conjunto de sua obra.

De origem humilde, filho do feirante italiano Leopoldo Cuoco, Francisco cresceu no bairro paulistano do Brás, junto de sua irmã Grácia e sua mãe Antonieta.

Trabalhava durante o dia com o pai na feira e à noite estudava, buscando uma profissão estável. Aos vinte anos de idade, ao fazer vestibular, trocou o curso de Direito pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, fundada por Alfredo Mesquita, formando-se quatro anos depois.

Estreou em peças do Teatro Brasileiro de Comédia e depois atuou pela companhia Teatro dos Sete, trabalhando com diretores como Alberto D'Aversa, Gianni Ratto, Fernando Torres e atores como Ítalo Rossi, Fernanda Montenegro, Carminha Brandão. Seu primeiro protagonista no teatro foi o personagem Werneck, de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, em 1961, com direção de Fernando Torres. Em 1964 foi premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) como melhor ator coadjuvante, na peça Boeing-boeing.

Em 1963, na TV Rio do Rio de Janeiro, fez parte do elenco de atores do programa Grande Teatro Murray, dirigido por Sérgio Britto, onde eram representados textos de renomados autores da literatura universal. Sua primeira telenovela foi Renúncia, escrita por Walter Negrão, levada ao ar em 1964, pela TV Record, na qual já estreou como protagonista, ao lado da atriz Irina Grecco. A partir daí, Cuoco foi emendando um trabalho atrás do outro, sempre revestido da aura de galã dos sonhos das telespectadoras, posto dividido na época com Carlos Zara, Tarcísio Meira e Hélio Souto.

Participou de telenovelas na Rede Tupi e, principalmente, na TV Excelsior, onde viveu o Dr. Fernando, protagonista de Redenção, a telenovela que até hoje mantém o recorde de permanência no ar, com 596 capítulos exibidos ao longo de dois anos. Ainda, teve posição de destaque no enredo de Sangue do meu Sangue, exibida em 1969.

Transferiu-se para a TV Globo em 1970, onde seu primeiro trabalho foi a telenovela Assim na Terra como no Céu, de Dias Gomes, na qual viveu o protagonista Vítor Mariano, um padre que abandona a batina para se casar e tem seus planos frustrados pela morte misteriosa da noiva. A partir daí fez sucessivos trabalhos que levaram a assinatura de Janete Clair, que o tinha como um de seus atores preferidos. Para Cuoco, Janete criou o Cristiano de Selva de Pedra, o jornalista Alex de O Semideus, o taxista Carlão — trabalho muito elogiado de Cuoco na primeira versão da novela Pecado Capital — o misto de mocinho e vilão "Herculano" de O Astro, o ambicioso Tião Bento em Sétimo Sentido e o político "Lucas" em Eu Prometo.

Após muitos anos afastado do teatro devido ao trabalho intenso na televisão, Cuoco retornou em 2002 com uma peça ao ar livre, ambientada no século XVI, na qual interpretou o histórico padre português Gonçalo Monteiro. Seguiram-se, daí, outras peças: a comédia de Rodrigo Murat em Três Homens Baixos (2004), O Último Bolero (de João Machado), Circuncisão em Nova York (João Bethencourt) e Deus é Química (Fernanda Torres).

Em suas entrevistas, quando perguntado sobre cinema, Cuoco sempre respondeu que recebeu poucos convites para participar de filmes e que recusou alguns. Os trabalhos mais notáveis no cinema foram nos filmes Cafundó (2005), de Paulo Betti e Clóvis Bueno, Traição (1998 - conjunto de três episódios baseados na obra de Nélson Rodrigues), e Gêmeas (1999), de Andrucha Waddington, em que fez Jorge, o pai das gêmeas do título. Estrelou Anuska, Manequim e Mulher (1968), Os Xeretas (2001), e participou em Um Anjo Trapalhão (2000), Didi - O Caçador de Tesouros (2006) e Real Beleza (2015), recebendo um Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro por este último.

Sua ultima aparição na televisão foi em uma homenagem da série Tributo, no qual relembrou os diversos papéis que interpretou na TV e foi homenageado por diversos colegas. Ironicamente, o programa foi ao ar 15 dias antes de seu falecimento.

Foi casado com a atriz Carminha Brandão, doze anos mais velha que ele, entre 1960 e 1964. Posteriormente casou-se com Gina Rodrigues, com quem teve três filhos: Tatiana, Rodrigo e Diogo. O casal divorciou-se em 1984.

Em 2013 assumiu seu relacionamento com a estilista Thaís Almeida, na época com 27 anos. Em dezembro de 2017 anunciou o fim do relacionamento e disse que sua ex-mulher, Gina, passou a morar em seu apartamento, mas apenas como amigos. Em março de 2021, o ator lançou seu canal no YouTube.

Francisco Cuoco morreu no dia 19 de junho de 2025, aos 91 anos, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O ator havia permanecido 20 dias internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em razão dos problemas de saúde que enfrentava nos últimos anos. Em sua fase final de vida, Cuoco lidava com dificuldades de locomoção e vivia com a irmã, Grácia Cuoco.

Indisposição com Carolina Ferraz

Em 1998, Francisco Cuoco teve uma série de desentendimentos com a atriz Carolina Ferraz, que na época interpretava seu par romântico no remake da novela Pecado Capital e teria se recusado a beijá-lo ou a gravar muitas cenas românticas ao seu lado. Diante dos conflitos entre os dois, a escritora Glória Perez precisou criar uma personagem inédita, interpretada por Vera Fischer, para ser o novo par de Cuoco. Em entrevistas, o ator chegou a dizer que Ferraz era "intratável". Anos mais tarde, a atriz revelou que a mágoa entre os dois já havia sido superada.

Em novembro de 2006, enquanto estava no Rio de Janeiro e dirigia para o Teatro Miguel Falabella, onde estava em cartaz com a peça O Último Bolero, Francisco Cuoco foi vítima de um sequestro-relâmpago. O ator, seu motorista e a produtora da peça, Tatiana Amaral, foram parados por um veículo com sete assaltantes. Os bandidos renderam os três e ficaram circulando com o carro do ator durante cerca de 20 minutos, até decidirem deixá-los no bairro de São Cristóvão.

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Francisco Cuoco | World in Stories