Francisco Beltrão é um município brasileiro localizado no sudoeste do estado do Paraná. Sua população, conforme estimativa do IBGE de 2024, era de 101.302 habitantes, sendo a mais populosa do sudoeste paranaense. Possui campus da UNIOESTE e da UTFPR, além das particulares, o que a transforma num importante centro regional de para o ensino superior. Por conta de sua localização geográfica, já foi referida como o "coração do Sudoeste do Paraná".
O atual núcleo urbano de Francisco Beltrão era conhecido nos anos 1940 como Vila Marrecas, em decorrência de estar situada as margens do rio de mesmo nome. O distrito de Francisco Beltrão já existia, na sede do atual município de Renascença.
O termo é uma homenagem a um engenheiro, que atuou no processo de colonização do Paraná. Seu nome é Francisco Gutierrez Beltrão, nascido em Paranaguá, sepultado em Curitiba. O município de Engenheiro Beltrão comparte a mesma origem de nome.
A princípio, a região onde hoje se encontra a cidade era de mata virgem, cerrada e formada principalmente por Pinheiros-do-paraná (Araucaria angustifolia). Os primeiros registros de habitantes datam de 1922, todavia somente nos anos 1940 intensificou-se o processo de povoamento. Os primeiros habitantes foram gaúchos e catarinenses, principalmente descendentes de imigrantes alemães e italianos.
Em 1943, foi instalada na margem norte do Rio Marrecas a CANGO (Colônia Agrícola Nacional General Osório), com a função de organizar a distribuição de terras entre os colonos recém-chegados.
A CANGO situava-se onde hoje encontra-se o quartel, no lado oposto do rio, onde situa-se hoje a parte central da cidade. À época a ligação entre as duas partes era feita por uma ponte de madeira coberta por tabuinhas, onde hoje existe uma ponte de concreto que liga as avenidas Júlio Assis Cavalheiro (em homenagem ao pioneiro que loteou a parte central da cidade), e a avenida Cristo Rei.
A CANGO era a principal instituição do então povoado. Quase toda a renda da localidade, chamada à época de Vila Marrecas, provinha dela.
Em 1948 foi instalado na cidade, junto a sede da CANGO, um quartel do exército. Devido a proximidade da cidade com a fronteira Argentina, a necessidade de garantir o território motivou a instalação dessa instituição. Logo uma estrada foi aberta ligando a vila a outra localidade, a Vila Ampére, essa estrada era denominada Estrada do Picadão.
A emancipação do município ocorreu através da Lei Estadual N°790 em 14 de novembro de 1951, quando desmembrou-se do município Clevelândia, com sede na localidade de Marrecas. O nome da cidade foi escolhido em homenagem ao engenheiro Francisco Beltrão, uma das primeiras pessoas a passar pela cidade. A instalação oficial deu-se em 14 de dezembro de 1952, sendo esta data atualmente feriado comemorativo da criação da cidade.
A distribuição das terras criou logo um conflito entre os colonos que moravam nas terras mas não possuíam escritura e Companhias de Terras que alegavam ser as proprietárias legais. Esse conflito eclodiu no dia 10 de outubro de 1957 e ficou conhecido como A revolta dos posseiros. Neste dia centenas de colonos tomaram a sede da CITLA, e expulsaram a companhia da cidade. Foi um marco na história do município este movimento.
O clima predominante de Francisco Beltrão na Classificação de Köppen é Cfa (temperado, com invernos amenos cuja temperatura é superior a -3°C e inferior a 18°C e verões quentes com temperatura superior a 22°C). Entretanto no extremo oeste do município, nas áreas acima de 850 m de altitude ocorre a classificação climática Cfb. Em termos quantitativos, podem ocorrer em dias de condições atmosféricas semelhantes, gradientes de até 5 °C entre as baixadas no nordeste do município (450 m de altitude) e as terras altas da Serra no oeste (até 950 m).
Graças à distância de cerca de 400km do oceano, a amplitude térmica anual é de 9°C, sendo uma das maiores do estado. Com isso os invernos tendem a ser mais frios e os verões mais quentes que regiões com latitude e altitude semelhantes, porém localizadas em lugares mais próximos ao mar. A parte urbana da cidade sofre pouca ação dos ventos, pois está localizada em uma espécie de "bacia", sendo totalmente cercada por morros com altitudes de cerca de 100 m superiores ao da área central. Deste modo o vento costuma ser de fraca intensidade, e ventos fortes só são registrados durante tempestades.
O verão é muito quente e chuvoso, muitas vezes a temperatura passa dos 30°C, raramente passando de 35°C. Todavia já foram registados até 38,3°C em Novembro de 1985, recorde máximo para a cidade desde 1974. No verão são comuns as chuvas de fim de tarde, quando a umidade associada ao calor gera nuvens pesadas com chuvas de curta duração.
O inverno apresenta-se como uma estação um pouco mais seca que o verão, chovendo apenas com a passagem de frentes frias. Junto com a chuva, vem geralmente o frio, que pode chegar a até -5 °C, conforme registrado em julho de 1975, ano inclusive em que foi registrada a última queda de neve na cidade (no dia 20 de Julho). De modo geral pode-se dizer que nesta época os dias são amenos, sendo relativamente frio no início da manhã e depois que o sol se põe.
As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano com maior incidência na Primavera e Outono e a menor durante o inverno (em volume). Já considerando-se os dias chuvosos, observa-se uma média de 11 a 14 dias chuvosos por mês entre os meses de Setembro e Março e de 8 a 10 dias entre Abril e Agosto. A precipitação anual é superior a 2 mil milímetros, mas costuma variar bastante, principalmente devido a eventos como o El Niño. Em alguns anos foram registradas grandes enchentes devido às Chuvas excessivas causadas por este fenômeno, como em 1983 e 1997. A maior precipitação já registrada foi de 183,6 mm em 24 horas no mês de junho de 1991. Apesar da boa regularidade pluviométrica, secas e períodos de pouca precipitação são registradas periodicamente, sendo que no triênio 2003-2005 os meses de verão foram especialmente secos, causando elevadas perdas em produtividade agrícola. Na região, um período superior a 30 dias sem chuvas já pode ser considerado como de seca, períodos superiores a 60 dias sem precipitação são considerados como seca severa.
O município encontra-se sobre um derrame basáltico antigo, no Terceiro Planalto do Paraná, ou Planalto de Guarapuava. A composição do solo é basicamente Latossolo Distrófico Roxo de textura argilosa.
O município é servido por duas bacias hidrográficas distintas. A maior, em área, e mais importante é a do Rio Marrecas, que serve como fonte primária de captação de água para a parte urbana. Este Rio corre de oeste para leste, corta a cidade ao meio, onde sua largura é aproximadamente 20 metros com profundidade inferior a um metro, e que deságua no Rio Chopim, que por sua vez deságua no Rio Iguaçu. Já na parte Oeste do município, a bacia hidrográfica é a do Rio Jaracatiá, que desagua diretamente no Rio Iguaçu, próximo ao município de Nova Prata do Iguaçu.
A captação de água é realizada pela Sanepar, no Rio Marrecas, pouco antes deste entrar na área urbana da cidade. O tratamento é realizado no Morro da Sanepar, que fica a 640 m de altitude, cerca de 70 metros acima da maior parte da área urbana, facilitando assim a distribuição.