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François Quesnay

François Quesnay — (Méré, 4 de junho de 1694 - Paris, 16 de dezembro de 1774) foi um médico e economista francês que se

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François Quesnay — (Méré, 4 de junho de 1694 - Paris, 16 de dezembro de 1774) foi um médico e economista francês que se destacou como principal figura da escola dos fisiocratas.

Fançois Quesnay nasceu em Méré, localidade próxima de Paris, hoje integrada no departamento de Yvelines. Pertencia a uma família de pequenos proprietários. Estudou medicina e cirurgia, tendo iniciado a sua prática no ano de 1718 em Mantes-la-Ville.

Rapidamente adquiriu uma excelente reputação, que lhe permitiu fixar residência em Paris em 1727. Em 1737, torna-se secretário honorário da Academia de Cirurgia e cirurgião da corte, tendo alcançado o grau de doutor em medicina em 1744. Em 1752, torna-se médico de Luís XV, que o nobilitou, passando a viver no Palácio de Versalhes.

Protegido pela Madame de Pompadour, de quem também foi médico, Quesnay começa a se interessar pelas questões de economia, tendo contribuído com os artigos Arrendatários (1756) e Cereais (1757) na Encyclopédie de D´Alembert e Diderot. Na realidade, desde pelo menos a década de 1740 nutria interesses pelas relações entre a fisiologia, a filosofia e a política, que desaguariam, na década de 1750, em suas reflexões sobre o campo da economia. O seu círculo de amigos e discípulos incluía Gournay, o marquês de Mirabeau e Dupont de Nemours. Em 1758, publicou a sua principal obra, Tableau Économique (Quadro Económico), a que se seguiu, em 1760, Maximes générales du gouvernement économique d´un royaume agricole.

Quesnay mandou publicar a Tableau Économique pela imprensa recém-instalada no Palácio de Versalhes. No total, Quesnay escreverá três versões. A primeira edição, datada de novembro a dezembro de 1758. Esta primeira versão do "ziguezague" é baseada em uma renda de 400 libras e tinha vinte e duas "Notas". A segunda edição, que data da primavera de 1759, parte de uma receita de 600 libras e contém 23 observações. A terceira edição, publicada em 1759, também se baseia em uma receita de 600 livros e é seguida por uma "explicação" de doze páginas e um "trecho" composto por vinte e quatro máximas.

Quesnay representa a economia ali como um domínio coerente de natureza sistêmica, inspirando-se na descoberta, feita um século e meio antes por William Harvey, do mecanismo da pequena e grande circulação sanguínea.

Divide a sociedade em dois setores (a agricultura e o resto) e três classes com base em sua relação com o produto líquido: a classe produtiva, composta principalmente de agricultores, que é a única que pode fornecer um produto líquido, ou seja, é dizer capaz de multiplicar produtos, a classe estéril, que é composta por todos os cidadãos ocupados em outros trabalhos que não o da agricultura, capazes apenas de transformar bens sem multiplicá-los, e a classe dos proprietários terráqueos, cuja única função é gastar a parte da renda que lhes é devida, sem produzir bens.

O quadro que ele assim elabora pode ser representada de forma mais moderna na forma de um circuito ou mesmo de uma tabela de entrada-saída de Leontief, utilizada na análise de entrada-saída. Além disso, a tabela de Quesnay que conecta classes sociais por fluxos de materiais e dinheiro pode ser considerada a ancestral das matrizes de contabilidade social.

Esse diagrama concebe a nação como um todo reduzida a três grandes classes definidas de acordo com sua função econômica:

a classe produtiva é a classe dos agricultores, que é o grupo social na origem da produção anual global, já que a agricultura é a única fonte de riqueza;

a classe latifundiária é o grupo formado pela aristocracia, o soberano e o clero que, sem cultivar a terra, se apropriam anualmente do “produto líquido” na forma de renda paga pela classe produtiva;

a classe estéril é representada por todos os outros grupos, engajados em outras atividades que não a agricultura.

Estimada em 5 bilhões de francos na época, a produção agrícola foi distribuída por Quesnay da seguinte forma:

2 bilhões são retidos para a classe produtiva do setor na forma de alimentos, necessários à vida de quem trabalha a terra (um bilhão), e sementes (um bilhão);

a classe latifundiária recebe dois bilhões em moeda, em pagamento de aluguel pela classe produtiva, da qual usa metade para comprar bens agrícolas e o restante para adquirir bens de consumo artesanais e diversos da classe estéril;

para substituir materiais e equipamentos desgastados (arados de madeira e ferro, pás, picaretas, etc.), ou seja, bens de produção, a classe produtiva compra um bilhão de bens de produção;

a classe estéril compra da classe produtiva matérias-primas agrícolas no valor de um bilhão.

A análise de Quesnay traz assim pela primeira vez as noções de interdependência das atividades econômicas, a de processo de reprodução e equilíbrio que será retomada e desenvolvida posteriormente por outros economistas após os fisiocratas, como Marx, Walras e Leontief em particular.

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