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França

País na Europa Ocidental

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França (em francês: France; pronúncia em francês: ​[fʁɑ̃s] (), oficialmente República Francesa (em francês: République française; AFI: [ʁepyblik fʁɑ̃sɛz]), é um país, ou, mais especificamente, um Estado unitário localizado na Europa Ocidental, com várias ilhas e territórios ultramarinos noutros continentes. A França Metropolitana estende-se do Mediterrâneo ao Canal da Mancha e Mar do Norte, e do rio Reno ao Oceano Atlântico. É muitas vezes referida como L'Hexagone ("O Hexágono") por causa da forma geométrica do seu território e partilha fronteiras com a Bélgica e Luxemburgo a norte; Alemanha a nordeste; Suíça e Itália a leste; Espanha ao sul e com os microestados de Mônaco e Andorra. A nação é o maior país da União Europeia em área e o terceiro maior da Europa, atrás apenas da Rússia e da Ucrânia (incluindo seus territórios ultramarinos, como a Guiana Francesa, o país torna-se maior que o território ucraniano).

Por cerca de meio milênio, o país tem sido uma grande potência, com forte influência econômica, cultural, militar e política no âmbito europeu e global. Durante muito tempo a França exerceu um papel de liderança e hegemonia na Europa (principalmente a partir da segunda metade do século XVII e parte do XVIII). Ao longo daqueles dois séculos, a nação iniciou a colonização de várias áreas do planeta e, durante o século XIX e início do século XX, chegou a constituir o segundo maior império da história, o que incluía grande parte da América do Norte, África Central e Ocidental, Sudeste Asiático e muitas ilhas do Pacífico. É conhecida como a terra natal da primeira grande enciclopédia do mundo, a chamada Encyclopédie, formada por 35 volumes e publicada entre 1751 e 1766, em pleno iluminismo do século XVIII.

O país tem seus principais ideais expressos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A República Francesa é definida como indivisível, laica, democrática e social pela sua constituição. A França é um dos países mais desenvolvidos do mundo, possui a sétima maior economia do mundo por produto interno bruto (PIB) nominal, a nona maior por paridade do poder de compra e a segunda maior de toda a Europa. O país goza de um alto padrão de vida, bem como um elevado nível de escolaridade pública, além de ter uma das mais altas expectativas de vida do mundo. A França foi classificada como o melhor provedor de saúde pública do mundo pela Organização Mundial de Saúde (OMS). É o país mais visitado no mundo, recebendo 82 milhões de turistas estrangeiros por ano.

O país tem o terceiro maior orçamento militar do mundo, a terceira maior força militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o maior exército da União Europeia (UE), além de ser um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e possuir o terceiro maior número de armas nucleares do mundo. O país é um dos membros fundadores da UE e possui a maior área e a segunda maior economia do bloco. É também membro fundador da Organização das Nações Unidas, além de ser membro da Francofonia, do G8, do G20, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da União Latina.

Originalmente aplicado a todo o Império Franco, o nome "França" vem do latim Francia, ou "terra dos francos". Existem várias teorias quanto à origem do nome francos. Seguindo os precedentes de Edward Gibbon e Jacob Grimm, o nome dos francos foi associado à palavra frank (livre) em inglês. Sugeriu-se que o significado de "livre" fosse adotado porque, após a conquista da Gália, apenas os francos estavam livres da tributação romana. Outra teoria é que ela é derivada da palavra protogermânica frankon, que se traduz como "dardo" ou "lança", visto que o machado usado pelos francos era conhecido como francisca. No entanto, determinou-se que essas armas foram nomeadas devido à sua utilização pelos francos, ao invés do contrário.

Os vestígios mais antigos de hominídeos no território que é agora a França datam de aproximadamente 1,8 milhão de anos atrás. Tendo sido confrontados por um clima severo e variável, marcado por várias eras glaciais, esses primeiros hominídeos levavam uma vida nômade de caçadores-coletores. A França tem um grande número de cavernas decoradas da era paleolítica, incluindo uma das mais famosas e melhor preservadas: Lascaux (aproximadamente 18 000 a.C.).

No final do último período glacial (10 000 a.C.), o clima tornou-se mais suave. Por volta de 7 000 a.C., esta parte da Europa Ocidental entrou na era neolítica e seus habitantes se tornaram sedentários, após um forte desenvolvimento demográfico e agrícola entre o quarto e o terceiro milênios. A metalurgia apareceu no final do terceiro milênio, inicialmente com trabalhos em ouro, cobre e bronze e, mais tarde, ferro. A França possui inúmeros sítios megalíticos do período neolítico, incluindo o local excepcionalmente denso das Rochas de Carnac (aproximadamente 3 300 a.C.).

Em 600 a.C., os gregos jônicos, originários de Foceia, fundaram a colônia de Massália (atual Marselha), nas margens do Mar Mediterrâneo, o que a torna a cidade mais antiga da França. Ao mesmo tempo, algumas tribos celtas gaulesas penetraram em partes do território da atual da França e esta ocupação se espalhou para o resto da França entre os séculos IV e III a.C.

Por volta de 125 a.C., o sul da Gália foi conquistado pela República Romana, que chamou esta região Provincia Nostra ("Nossa Província"), que ao longo do tempo evoluiu para o nome Provence em francês. Júlio César conquistou o restante da Gália e superou uma revolta realizada pelo chefe gaulês Vercingetórix em 52 a.C. A Gália foi dividida por Augusto em várias províncias romanas.

Muitas cidades foram fundadas durante o período galo-romano, incluindo Lugduno (atual Lião), que é considerada a capital dos gauleses. Estas cidades foram construídas em estilo romano tradicional, com um fórum, um teatro, um circo, um anfiteatro e banhos termais.

Os gauleses se misturaram com colonos romanos e eventualmente adotaram a cultura e o idioma romano (o latim, do qual a língua francesa evoluiu). O politeísmo romano se fundiu com o paganismo gálico no mesmo processo de sincretismo.

Desde os anos 250 até os anos 280, a Gália romana sofreu uma grave crise, com as fronteiras fortificadas atacadas em várias ocasiões por bárbaros. No entanto, a situação melhorou na primeira metade do século IV, que foi um período de reavivamento e prosperidade para a Gália romana.

Em 312, o imperador Constantino converteu-se ao cristianismo. Posteriormente, os cristãos, que haviam sido perseguidos até então, aumentaram rapidamente em todo o Império Romano. Mas, desde o início do século V, as invasões bárbaras recomeçaram e as tribos germânicas, como os vândalos, suevos e alanos, cruzaram o rio Reno e se estabeleceram na Gália, na Hispânia e em outras partes do Império Romano em colapso.

No final do período da Antiguidade, a antiga Gália estava dividida em vários reinos germânicos e um território galo-romano restante, conhecido como o Reino de Soissons. Simultaneamente, os celtas britanos, ao fugirem da invasão anglo-saxã da Grã-Bretanha, estabeleceram-se na parte ocidental de Armórica. Como resultado, a península armórica foi renomeada para Bretanha, a cultura celta foi revivida e vários reinos pequenos independentes surgiram nessa região. Os francos pagãos, de quem derivou o nome antigo de "Francie", estabeleceram-se originalmente na parte norte da Gália, mas sob a liderança de Clóvis conquistaram a maioria dos outros reinos no norte e no centro da região. Em 498, Clóvis se tornou o primeiro conquistador germânico após a queda do Império Romano a converter-se ao cristianismo católico, em vez do arianismo; assim, a França recebeu o título de "filha mais velha da Igreja" (em francês: la fille aînée de l'Église) pelo papado.

Os francos abraçaram a cultura galo-romana cristã e a Gália antiga foi finalmente renomeada para Frância ("Terra dos Francos"). Os francos germânicos adotaram as línguas românicas, exceto no norte da Gália, onde os assentamentos romanos eram menos densos e onde surgiram línguas germânicas. Clóvis fez de Paris a sua capital e estabeleceu a dinastia merovíngia, mas seu reino não sobreviveria à sua morte. Os francos tratavam a terra puramente como uma possessão privada e a dividiam entre seus herdeiros; então quatro reinos surgiram depois de Clóvis: Paris, Orléans, Soissons e Reims. Os últimos reis merovíngios perderam poder para seus mordomos do palácio. Um deles, Carlos Martel, derrotou uma invasão islâmica da Gália na Batalha de Tours (732) e obteve respeito e poder dentro dos reinos francos. Seu filho, Pepino, o Breve, usurpou a coroa da Frância dos merovíngios enfraquecidos e fundou a dinastia carolíngia. O filho de Pepino, Carlos Magno, reuniu os reinos francos e construiu um vasto império em toda a Europa ocidental e central.

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