A Força Aérea Portuguesa (FAP) é o ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesas. As suas origens remontam a 1912, altura em que começaram a ser constituídas as aviações do Exército e da Marinha. Em 1 de Julho de 1952, as aviações do Exército (Aeronáutica Militar) e da Marinha (Aviação Naval) foram fundidas num ramo independente denominado Força Aérea Portuguesa.
Este ramo tem como comandante o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), principal colaborador do Ministro da Defesa Nacional e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. O Comandante Supremo é, por inerência, o Presidente da República Portuguesa. Ao longo da sua história, a FAP tem vindo a realizar a sua missão de forma eficaz, através da realização de operações de busca e salvamento em território nacional, salvando no decorrer dos anos milhares de vidas, defendendo o espaço aéreo nacional, realizando operações de apoio aéreo aproximado, transporte aéreo e reconhecimento aéreo em conflitos armados como a Guerra do Ultramar, e tem representado as forças armadas e Portugal em diversas missões internacionais, quer de âmbito humanitário como na Guerra Civil Angolana, cultural, como a participação em festivais e demonstrações aéreas, e de manutenção da paz, em missões como a Força Internacional para Timor-Leste e a Força do Kosovo.
A FAP, parte integrante do sistema de forças de Portugal, tem por missão cooperar de forma integrada na defesa militar da República Portuguesa, através da realização de operações aéreas, na defesa do espaço aéreo nacional e em missões no âmbito dos compromissos internacionais. Sempre que empregue numa qualquer missão, a Força Aérea Portuguesa tem o objectivo de gerar poder aéreo e criar uma capacidade de resposta eficaz, ter a segurança como factor crítico da missão e ter em conta o valor das pessoas e a qualidade dos meios empregues, buscando ser uma organização ágil, flexível, inovadora, coesa, motivada e disciplinada.
Primórdios da aeronáutica em Portugal
As origens remotas do que é hoje a Força Aérea Portuguesa assentam nos primórdios da aeronáutica em Portugal.
A aeronáutica portuguesa terá nascido no dia 20 de junho de 1540, em Viseu, por iniciativa de um sapateiro de nome João Torto. Este terá concebido e construído um sistema de asas, tendo obtido permissão da Igreja para o testar em voo a partir do topo de uma das torres da Sé de Viseu, onde terá instalado uma rampa de lançamento. Às 17h00 daquele dia e perante uma multidão expectante, João Torto lançou-se do alto da torre com o seu engenho, tendo conseguido voar até ao telhado da Capela de São Mateus. Caiu contudo ao aterrar, acabando por morrer das lesões sofridas. A ser verídico este acontecimento, terá sido um dos primeiros voos humanos da história mundial.
Passados 169 anos do suposto voo de Viseu, o padre Bartolomeu de Gusmão requereu uma patente para um engenho voador de sua invenção, que consistia numa espécie de balão de ar quente, tendo-lhe a mesma sido concedida a 19 de abril de 1709. Vários modelos, em pequena escala, deste engenho foram testados com sucesso em várias ocasiões, tendo inclusive sido feita uma apresentação na Casa da Índia, perante o rei D. João V e a sua corte. Bartolomeu de Gusmão terá alegadamente construído um modelo à escala real, que terá realizado um voo tripulado sobre Lisboa, descolando do Castelo de São Jorge e pousando no Alto da Cotovia. A confirmar-se a sua realização, terá sido o primeiro voo de um aeróstato tripulado da história.
O primeiro aeronauta português, historicamente confirmado, foi contudo Abreu de Oliveira, ao elevar-se num balão a gás em 1884. Descolando da Tapada da Ajuda, Abreu de Oliveira voou até perto do Cais do Sodré, onde acabou cair no rio Tejo. Já no final do século XIX, Cipriano Pereira Jardim inventa um dirigível, a hidrogénio e com motor elétrico, concebido para fins militares. No dia 12 de julho de 1909, Óscar Blank recebe o brevê de piloto, tornando-se no primeiro aviador português e um dos primeiros a nível mundial. Meses mais tarde, a 17 de outubro, é realizado o primeiro voo tripulado de um avião em Portugal, pelo piloto francês Armand Zipfel, num aeroplano Voisin. O primeiro voo de um avião em céus portugueses, levado a cabo por um piloto português, só viria a ocorrer a 1 de setembro de 1912, tendo sido realizado por Alberto Sanches de Castro, no Mouchão da Póvoa de Santa Iria, com um aeroplano Antoinette.
A 11 de dezembro de 1909, algumas dezenas de entusiastas portugueses da aviação - a maioria deles oficiais do Exército - fundam o Aero Club de Portugal (AeCP). O AeCP torna-se num dos maiores promotores da aviação em Portugal, incluindo o seu uso militar, durante o início do século XX. Entre outras ações, o AeCP viria a patrocinar Abeillard Gomes da Silva no desenvolvimento do primeiro avião português, financiado pelo Ministério da Guerra e testado na Escola Prática de Engenharia em Tancos, no dia 13 de janeiro de 1910.
Surgimento da aerostação militar
Em 1876, Augusto Bon de Sousa, oficial do Exército e um dos contribuidores para o desenvolvimento das transmissões militares portuguesas, publicou o Anteprojeto da organização dos telégrafos militares, onde defendia o uso de balões como meios de observação e comunicação, bem como a sua aplicação nas operações militares. Neste contexto, em 1886, foi incluída, nas atribuições da Escola Prática de Engenharia (EPE), a formação em aerostação militar, tendo para tal sido adquirido um parque aerostático com um balão Lachambre de 600 m3 e equipamento de suporte ao mesmo. O começo da operação de balões pela EPE marca definitivamente o início da aerostação militar e consequentemente também o início da aeronáutica militar portuguesa.
No seio da Direção-Geral do Serviço de Engenharia do Exército é, em 1889, criada a Inspeção do Serviço Telegráfico de Guarnição, de Aerostação e de Pombos Militares, o primeiro órgão com responsabilidade expressa pelo serviço de aerostação militar. Esta responsabilidade viria a ser confirmada pelo Regulamento do Serviço Telegráfico Militar, publicado em 1900, no âmbito da qual, é já atribuída àquele órgão, a competência pelo estabelecimento de comunicações aéreas. Em 1905, prevê-se o primeiro emprego de aeróstatos em operações militares, sendo adquirido material aerostático para apoio às tropas portuguesas que se encontravam em campanha no Sul de Angola, mas que só chega a Portugal depois de findas as operações.
Novos passos para o desenvolvimento da aerostação militar são dados no âmbito da reorganização do Exército, decretada em 1911. Surgem então as tropas de aerosteiros, como um dos ramos do serviço telegráfico militar da arma de engenharia, bem como surge a primeira unidade independente de aerostação, sob a forma da Companhia de Aerosteiros. A Companhia de Aerosteiros, que será instalada em Vila Nova da Rainha, é incumbida de desempenhar o serviço de aerostação e pombais militares, ao qual competem os trabalhos relativos ao estabelecimento de comunicações por meio de aerostação, de aviação e de pombos-correio.
Ainda em 1912, com o apoio do então Presidente da República, foi criada a Aeronáutica Militar, uma organização que buscou e adquiriu as primeiras três aeronaves para Portugal: um Deperdussin Tipo B, um Avro 500 e um Maurice Farman MF4.
No dia 14 de Maio de 1914, é publicada uma lei que instituía a primeira escola de aviação militar, que viria a ser instalada em Vila Nova da Rainha, sendo esta mesma inaugurada no dia 1 de Agosto de 1916. Do primeiro curso desta escola, saíram homens como Sarmento de Beires e Pinheiro Correia, que durante a sua carreira deixariam a sua marca na história da aviação em Portugal. Este período é considerado o começo daquilo que se pode chamar de Força Aérea Portuguesa, sendo ainda em 1914 criado o Serviço Aeronáutico Militar, por parte do Exército Português. Durante a Primeira Guerra Mundial, Portugal enviou vários pilotos para combaterem em França e nas colónias, entre os quais ficou marcado na história o piloto Óscar Monteiro Torres, o primeiro piloto português a morrer em combate aéreo. Em Setembro de 1917, Jorge Sousa Gorgulho torna-se no primeiro português a voar em África, tendo se tornado, no dia seguinte, também o primeiro a morrer num acidente aéreo. Ainda durante o conflito, a Marinha Portuguesa cria o seu braço aéreo, denominado Serviço de Aviação da Armada, que no ano seguinte muda de nome para Serviço da Aeronáutica Naval, e assim se mantém até 1931, quando muda para Aviação Naval. O Exército muda também a designação da sua componente aérea, passando a designa-la por Serviço da Aeronáutica Militar e, mais tarde, Aeronáutica Militar.