Flávio Migliaccio (São Paulo, 26 de agosto de 1934 – Rio Bonito, 4 de maio de 2020) foi um ator, produtor, diretor e roteirista brasileiro. Tornou-se conhecido pelos personagens Tio Maneco dos filmes Aventuras com Tio Maneco e Maneco, O Super Tio, e Xerife da novela O Primeiro Amor e do seriado infantil Shazan, Xerife & Cia.
Flávio Migliaccio nasceu na cidade de São Paulo, no bairro do Brás. Foi um dos dezessete filhos de Domingos Migliaccio (de ascendência sul-italiana) e Jandira Machado, entre eles a atriz e comediante Dirce Migliaccio, morta em 2009.
Casado com Yvonne Migliaccio, e pai do jornalista Marcelo Migliaccio, Flávio iniciou a carreira atuando em peças de teatro na periferia de São Paulo, onde logo descobriu a sua veia cômica. Participou de um grupo de teatro da igreja de Tucuruvi, onde ficou por três anos, até chegar a ator principal e diretor. Como precisava ganhar dinheiro, teve que arrumar outras ocupações, trabalhando como balconista e mecânico. Em 1954, depois de fazer o curso de teatro do diretor italiano Ruggero Jacobbi, começou a carreira de ator profissional no Teatro de Arena. Seu primeiro papel foi o de um cadáver, na peça Julgue Você.
Aos 25 anos, estreou no cinema em O Grande Momento, de Roberto Santos. Em 1965, participou como co-roteirista e ator no filme sueco My Home Is Copacabana [en], obra que ganharia diversos prêmios internacionais. Atuaria também em clássicos do cinema brasileiro como Cinco Vezes Favela, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, Terra em Transe e Todas as Mulheres do Mundo. Flávio era conhecido pelo seu personagem Xerife na série de TV brasileira Shazan, Xerife e Cia., e pelo papel de Tio Maneco, na série exibida pela TVE. Na Rede Globo, destacou-se pelos trabalhos nas novelas Rainha da Sucata, Perigosas Peruas, A Próxima Vítima, Vila Madalena, Senhora do Destino, Passione entre outras.
Flávio ganhou um processo contra a TVE (sucedida pela Acerp - Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto), e que já tramitava na Justiça havia mais de vinte anos, pela destruição de quatrocentos capítulos da série "Tio Maneco", que estrelou. A indenização seria pela perda do acervo e por danos morais. No entanto, morreu antes de receber a indenização. Já tinha ganho a causa, mas o processo estava na fase de cálculo do valor por um perito. Segundo seu advogado, a Acerp pediu a anulação da ação, mas em havendo a apresentação de um sucessor legal no processo, este seria habilitado a receber a indenização. Esse sucessor seria o único filho do ator, Marcelo Migliaccio.
O ator foi encontrado morto em seu sítio, na localidade da Serra do Sambê, no município fluminense de Rio Bonito. A informação da morte foi confirmada pelo 35.º Batalhão da Polícia Rodoviária (BPRv) da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O boletim de ocorrência foi registrado como suicídio. Segundo o boletim, o artista se enforcou com uma corda. Em sua residência foi encontrada uma nota de suicídio que dizia:
O ator Lima Duarte divulgou no dia seguinte, em um vídeo, que "entendia a atitude de Migliaccio", lembrando os trabalhos que fizeram juntos e dos "momentos difíceis" durante o período da ditadura militar. Lima contextualizou aquele período, o comparando à situação política atual pela qual passa o país.
No vídeo, Lima Duarte também citou o trecho de uma peça do escritor alemão Bertolt Brecht: "Aqueles que lavam as mãos (...) fazem isso em uma bacia de sangue".