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Filipe IV de França

Filipe IV de França e I de Navarra (Fontainebleau, 1268 – Fontainebleau, 29 de novembro de 1314), também chamado de Fili

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Filipe IV de França e I de Navarra (Fontainebleau, 1268 – Fontainebleau, 29 de novembro de 1314), também chamado de Filipe, o Belo, foi o Rei da França como Filipe IV de 1285 até sua morte e também Rei de Navarra como Filipe I de 1284 a 1305 em virtude de seu casamento com Joana I.

Filipe IV foi um rei polémico, estando na origem da tentativa de deposição do papa Bonifácio VIII e da transferência do papado para a cidade de Avinhão, e criando as condições para, algumas décadas depois da sua morte, a eclosão da Guerra dos Cem Anos. No seu reinado suprimiu a Ordem dos Cavaleiros Templários a 13 de outubro de 1307, facto que provavelmente esteve na origem da superstição de as sextas-feiras dia 13 serem dias aziagos.

Há quem pense que o cognome o Belo deve-se a uma sua extraordinária beleza, segundo relatos contemporâneos. Também apelidado pelos seus inimigos e admiradores de o rei de Mármore ou o rei de Ferro, foi notável pela sua personalidade rígida e severa. Um dos seus mais ferozes oponentes, o bispo Bernardo Saisset de Pamiers, disse sobre o rei: «Não é um homem nem uma besta. É uma estátua».

Segundo filho de Filipe III de França com Isabel de Aragão, Filipe o Belo nasceu no castelo de Fontainebleau no ano de 1268. Quando o seu irmão mais velho morreu aos 12 anos de idade em 1276, tornou-se novo herdeiro do trono. Teve como preceptor Guilherme d'Ercuis, o capelão do seu pai.

Em 1284-1285 participou da cruzada aragonesa, a fracassada campanha francesa na Catalunha para depor o rei Pedro III de Aragão e colocar no seu lugar Carlos de Valois, o seu irmão mais novo. Com a derrota militar e a epidemia de disenteria que marcaram o fim desta campanha e atingiram o rei Filipe III, assumiu a liderança da hoste.

Tentou negociar a passagem da família real através dos Pirenéus mas recebeu uma recusa do rei aragonês, e depois sofreu uma pesada derrota na batalha travada a 30 de setembro e 1 de outubro, na qual Pedro massacrou o exército francês mas poupou a família real. Com a morte do rei de França em Perpinhão a 5 de outubro, por disenteria, Filipe subiu ao trono e abandonou a campanha. Foi coroado a 6 de janeiro de 1286 na catedral de Remos.

Determinado a fortalecer a monarquia, Filipe confiou, mais do que qualquer dos seus predecessores, na burocracia profissional de legalistas. Auxiliado por ministros como Pierre Flote, Guilherme de Nogaret e Enguerrando de Marigny, favoreceu o desenvolvimento das instituições administrativas e judiciárias.

Homem solene e silencioso, ao seu povo parecia distante do governo e, tendo encarregado os seus ministros de políticas específicas, especialmente as impopulares, foi chamado de "coruja inútil" pelos seus contemporâneos. Na verdade o seu reinado marcou a transição da França, de uma monarquia carismática, passível de perder muito do seu poder sob um rei incapaz, para um reino burocrático, na direcção da modernidade.

Um ano antes de subir ao trono, a 14 de agosto de 1284, o Belo casara-se, aos 16 anos de idade, com Joana I de Navarra, filha de Henrique I de Navarra e Branca de Artois. O casamento conferiu-lhe os títulos de rei de Navarra e conde de Champagne, como Filipe I, até à morte da sua esposa a 4 de abril de 1305.

O principal benefício administrativo desta união era que a herança de Joana em Champagne e Brie, adjacente aos domínios reais na Île-de-France, foi efetivamente unida às terras do rei, formando uma ampla área. Durante os reinados de Joana e dos seus três filhos (1284–1328), estas terras pertenciam à pessoa do rei.

Mas em 1328 já se encontravam tão ligadas aos domínios reais que o Filipe VI de França (da casa de Valois, não um herdeiro de Joana) fez uma troca de terras com a herdeira dessa época, Joana II de Navarra. Estes territórios permaneceram com a coroa francesa, tendo Joana II recebido terras no oeste da Normandia em compensação.

O reino de Navarra nos Pirenéus não tinha a mesma importância para os interesses da época dos monarcas franceses. Permaneceu em união pessoal de 1284 a 1328, tendo depois revertido para Joana II de Navarra e para a casa de Évreux. Outras adições de Filipe aos domínios reais foi Lião em 1312 e a compra da região de Quercy (aproximadamente o actual departamento de Lot) à Inglaterra por três mil libras.

No seguimento da política externa de São Luís, Filipe teve vários contactos com o Ilcanato mongol no Médio Oriente, que pretendia obter a cooperação de reinos cristãos para a luta contra os muçulmanos. Recebeu a embaixada do monge sino-mongol Rabban Bar Sauma, e um elefante como presente. Filipe terá respondido com uma positiva à solicitação.

O rei francês também ofereceu presentes à embaixada e enviou um dos seus nobres, Gobert de Helleville, para os acompanhar até aos domínios mongóis. Este partiu a 2 de fevereiro de 1288, juntou-se a Bar Sauma em Roma e seguiram para a Pérsia. De Bagdade, Arghun Khan voltou a escrever em 1289, em reposta a uma carta de Filipe de 1288, reafirmando a cooperação militar, exortando-o a conquistar o Egito, em troca do qual o mongol oferecer-lhe-ia Jerusalém.

Ao contrário do seu avô Luís IX de França, Filipe IV não deu continuidade a estes planos sob a forma de uma cruzada. No entanto, organizou uma colaboração militar com os mongóis através dos Cavaleiros Templários contra os mamelucos. O plano era coordenar as ações entre as ordens militares cristãs, o rei e a aristocracia de Chipre e do Reino Arménio da Cilícia, e os mongóis do Ilcanato.

De 1298 a 1302, o grão-mestre Jacques de Molay esteve no Oriente Próximo a combater os mamelucos e a aguardar a ligação com as forças mongóis, o que não chegou a acontecer. Em Setembro de 1302 os Templários foram expulsos da sua fortaleza em Arwad e quando Gazã, o ilcã mongol da Pérsia, morreu em 1304, acabaram os planos de uma rápida reconquista da Terra Santa.

Em abril de 1305, o novo governante mongol Oljeitu enviou cartas para Filipe, o papa, e para Eduardo I da Inglaterra. Mais uma vez ofereceu uma aliança militar e as nações europeias prepararam uma cruzada, mas houve atrasos na preparação e esta acabou por nunca se realizar. Entretanto o filho de Oljeitu assinou um tratado em Alepo com os mamelucos em 1322.

O início de hostilidades com a Inglaterra em 1294 era o resultado inevitável das monarquias competitivas e expansionistas, despoletado por um secreto pacto franco-escocês de ajuda mútua contra Eduardo I.

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