Fides et Ratio (em latim: Fé e Razão) é a décima terceira encíclica do Papa João Paulo II, publicada em 14 de setembro de 1998. O documento trata da relação entre fé e razão, apresentando-as como duas dimensões complementares do espírito humano, descritas na famosa imagem de “duas asas com as quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”.
João Paulo II dirigiu o texto sobretudo aos bispos, mas também a filósofos, teólogos e ao mundo acadêmico em geral.
A encíclica foi escrita num momento em que cresciam os debates sobre a pós-modernidade, o relativismo e as dificuldades do pensamento filosófico contemporâneo em dialogar com a tradição cristã.
De fato, os anos entre o fim do século XX e o começo do século XXI foram marcados pela ascenção do chamado Novo Ateísmo e pela crescente secularização do ocidente.
Introdução — Conhece-te a ti Mesmo
Capítulo I: A Revelação da Sabedoria de Deus
Capítulo II: Credo ut intellegam
Capítulo III: Intellego ut credam
Capítulo IV: A Relação entre a Fé e a Razão
Capítulo V: Intervenções do Magistério em matéria filosófica
Capítulo VI: Interação da Teologia com a Filosofia
Capítulo VII: Exigências e tarefas atuais
O documento insiste na importância da filosofia para a teologia e para a própria vida intelectual do cristão. Ao mesmo tempo, alerta contra certos desvios que ameaçam a busca pela verdade, entre eles:
Ecletismo: a adoção fragmentária de doutrinas sem coerência;
Historicismo: a redução da verdade à sua condição temporal;
Cientificismo: a crença de que apenas as ciências empíricas são fonte válida de conhecimento;
Pragmatismo e niilismo: correntes que enfraquecem a noção de verdade objetiva e minam a confiança na razão.
A encíclica também destaca os novos desenvolvimentos da filosofia contemporânea: hermenêutica, lógica, filosofia da linguagem, epistemologia, filosofia da natureza, antropologia e análise da liberdade. João Paulo II reconhece os avanços desses campos, mas adverte para a ambiguidade do termo “pós-modernidade”, que pode tanto abrir caminhos frutuosos como gerar novas formas de relativismo.