A Festa do Avante! é um festival político, cultural, desportivo, gastronómico, musical, e teatral com a duração de 3 dias, realizado pelo Partido Comunista Português. É o maior e o primeiro evento político-cultural realizado em Portugal.
É realizada na Quinta da Atalaia, freguesia da Amora, concelho do Seixal, perto da Baía do Seixal. É aberta ao público, mediante um título de entrada ("EP - Entrada Permanente") de valor reduzido e que dá acesso a todos os eventos que ali decorrem. Devido às dificuldades das edições anteriores, o PCP realizou uma campanha de angariação de fundos para a aquisição da quinta em 1990, evadindo assim «burocracias do foro financeiro e de prazos».
Todos os anos, os visitantes podem assistir a peças de teatro, ranchos folclóricos, grupos corais, dança e concertos de vários géneros musicais (incluindo música clássica) nos vários palcos, por onde passam dezenas de grupos de artistas. Realizam-se variados debates políticos com a participação de vários dirigentes do PCP, exposições políticas e de artes plásticas e a feira do livro, do disco, do artesanato entre vários outros programas desportivos e culturais, incluindo jogos tradicionais, balé, cinema, exposição de Ciência, espaço infantil, etc.
O comício de encerramento, que é realizado no último dia e no Palco 25 de Abril, conta sempre com intervenções de um membro da Juventude Comunista Portuguesa, do diretor do jornal Avante!, e do secretário-geral do Partido Comunista Português. O órgão do PCP referente à Festa do Avante! é a Comissão Organizadora da Festa do Avante!.
A sua criação foi pensada pouco depois da revolução de 25 de abril de 1974, onde o Partido Comunista Português sai da clandestinidade e é derrubada a ditadura do Estado Novo.
Dá-se no contexto do desmantelamento e nacionalização dos grandes grupos económicos, a reforma agrária com a expropriação dos grandes latifundiários e a criação de Unidades Coletivas de Produção controladas pelo PCP, conquistas de direitos dos trabalhadores, e a mais relevante para se entender como surgiu a Festa do Avante! — as «grandes campanhas de dinamização cultural». Com a conquista da liberdade de expressão, neste contexto são destacados o Grupo de Ação Cultural e a criação artística coletiva, «de inspiração coletivista importada», apesar de estas iniciativas não serem exclusivas ao PCP. As manifestações culturais de massas dos anos 74 e 75 foi o fator mais significativo que levou à sua criação.
A Festa permitiria a realização de iniciativas culturais e de convívio como parte de intervenção política, prosseguindo a prática que anteriormente era clandestina, isto é, antes do 25 de abril.
A primeira edição da Festa do Avante! foi realizada em setembro de 1976, na antiga Feira Internacional de Lisboa. O local já fora usado pelo PCP em 74 e 75 para passagens de ano e iniciativas do jornal Avante!. No entanto, haviam problemas como o seu tamanho diminuto e problemas securitários, nomeadamente o atentado bombista que se deu três dias antes da sua estreia.
Em 1977, no âmbito da segunda edição, a Associação Industrial Portuguesa recusa ceder o espaço para a realização da Festa, para além de exigir ao PCP que cobrisse os estragos causados pela bomba. Escolheu-se mudar para um local ao ar livre, devido à natureza de um acontecimento popular e de massas.
No início, procurou-se utilizar a Quinta das Conchas, mas devido a preocupações ambientais o local não foi cedido. A segunda e terceira edição, em 1977 e 1978 respetivamente, realizaram-se no hipódromo do complexo desportivo do antigo estádio Nacional, até ser impedido pelo governo Mota Pinto/PPD/CDS, a pretexto de uma construção que nunca se chegou a realizar.
De 1979 a 1986, realizou-se no Alto da Ajuda, mais precisamente, no Casalinho da Ajuda em Monsanto. No entanto, a impossibilidade de reutilização das infraestruturas era agravada pela vastidão do terreno, precisando de muitas pessoas para as construir.
Em 1987, a recusa da cedência do terreno pouco antes da realização da edição pelo então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Krus Abecasis, impossibilitou a realização da edição desse ano.
De 1988 a 1989, realizou-se na Quinta do Infantado, em Loures. No entanto, esta era uma solução provisória, já que, devido a pertencer a um particular, requeria uma despesa extraordinária.
Devido às dificuldades das edições passadas, o PCP realizou uma campanha de angariação de fundos. Como resultado, ainda na edição de 1989, o então secretário-geral Álvaro Cunhal anunciou a Quinta da Atalaia, no Seixal, como o novo e definitivo local de realização da Festa do Avante!. A aquisição da Quinta da Atalaia permitiu a reutilização das infraestruturas e eram evadidas as «burocracias do foro finceiro e de prazos».
Esta tem uma área de cerca de 25 hectares e custou, na altura, 150 mil contos (cerca de 750 mil euros). A música Carvalhesa, que todos os anos abre e encerra a Festa, é, segundo Ruben de Carvalho, verdadeiramente emblemática.
Cronologia dos locais das edições
A estrutura da Festa do Avante! não teve mudanças unicamente por razões logísticas, mas também por modernização e adaptação.
Nesta fase, tamanho do local deu à Festa do Avante! um caráter de exposição, com concertos, vendas de livros e discos, presença de jornais internacionais e discussão de temas — mas sem o elemento de festa popular, sem restaurantes e convívio à mesa.