Neste Dia

Fernando de la Rúa

Político argentino, presidente da Argentina (1999-2001)

Anúncio

Fernando de la Rúa (Córdoba, 15 de setembro de 1937 — Buenos Aires, 9 de julho de 2019) foi um advogado e político argentino da União Cívica Radical (UCR), que serviu como presidente da Argentina de 10 de dezembro de 1999 a 21 de dezembro de 2001.

De la Rúa entrou na política depois de se formar em Direito. Foi eleito senador em 1973 e, sem sucesso, concorreu à vice-presidência da República nas eleições presidenciais do mesmo ano, na chapa de Ricardo Balbín. Elegeu-se novamente senador em 1983 e 1993 e deputado nacional por Buenos Aires em 1991. Se opôs em vão ao pacto de Olivos entre o presidente Carlos Menem e o líder de seu partido Raúl Alfonsín, que permitiu a emenda de 1994 da Constituição argentina e a reeleição de Menem em 1995.

De la Rúa foi o primeiro chefe de governo de Buenos Aires a ser eleito pelo voto popular, uma mudança introduzida pela alteração da Constituição. Ele expandiu o metro de Buenos Aires, adicionando novas estações à Linha D, iniciando a expansão da Linha B e estabelecendo a Linha H. Também criou a Avenida Roberto Goyeneche e a primeira ciclovia da cidade.

Em 1999, De la Rúa foi eleito presidente depois de concorrer na primária da Aliança, uma coalizão política da UCR e do FREPASO. No cargo, recebeu a oposição dos sindicatos peronistas e seu vice-presidente Carlos Álvarez renunciou depois de denunciar subornos no Senado. A crise econômica que começou durante o governo de Menem piorou e no final de 2001 levou a um pânico bancário. O governo estabeleceu o Corralito para limitar os resgates de depósitos bancários. De la Rúa decretou um estado de emergência durante os protestos de dezembro de 2001. Renunciou em 21 de dezembro, e o Congresso nomeou um novo presidente. Posteriormente, aposentou-se da política.

Fernando de la Rúa é filho de Eleonora Bruno e Antonio De la Rúa; ele nasceu na cidade de Córdoba e frequentou o Liceu Militar local antes de entrar na Universidade Nacional de Córdoba, da qual se formou em Direito aos 21 anos. Ele se casou com uma socialite de Buenos Aires, Inés Pertiné, em 1970; eles tiveram três filhos, incluindo Antonio de la Rúa. De la Rúa se envolveu na política em uma idade jovem, entrando no serviço público em 1963 como conselheiro de Juan Palmero, ministro do presidente Arturo Illia.

Na eleição de março de 1973, foi eleito senador, derrotando o peronista Marcelo Sánchez Sorondo. Foi o único político da União Cívica Radical (UCR) a conseguir derrotar o candidato peronista em sua divisão administrativa. O presidente eleito, Héctor Cámpora, e seu vice renunciaram alguns meses depois, levando à convocação de nova eleição. Ricardo Balbín concorreu para presidente na eleição de setembro, tendo de la Rúa como seu candidato a vice-presidente. A UCR foi derrotada por Juan Perón por uma grande margem de votos. De la Rúa foi retirado do Congresso com o advento do golpe de Estado argentino de 1976. Ele deixou a política e trabalhou como advogado da empresa Bunge y Born.

O Processo de Reorganização Nacional terminou em 1983. De la Rúa pretendia concorrer à presidência, mas perdeu na eleição primária da UCR a Raúl Alfonsín, eleito na eleição geral. Em vez disso, concorreu a senador, derrotando o peronista Carlos Ruckauf. Em 1989, concorreu à reeleição como senador, mas, apesar de sua vitória eleitoral, o colégio eleitoral votou no peronista Eduardo Vaca. De la Rúa foi eleito deputado em 1991 e retornou ao Senado em 1993. O presidente Carlos Menem, eleito em 1989, queria alterar a Constituição para permitir sua candidatura à reeleição em 1995, o que recebeu oposição da UCR. Alfonsín assinou o Pacto de Olivos com Menem, negociando os termos para apoiar a proposta. De la Rúa liderou a oposição ao pacto dentro da UCR, mas Alfonsín prevaleceu na disputa interna. Isso prejudicou a relação entre os dois líderes, mas ajudou o partido a manter uma série de radicais contrários ao pacto. De la Rúa não pôde impedir a emenda de 1994 da Constituição argentina. Como resultado, Menem foi reeleito em 1995. Pela primeira vez, a UCR terminou em terceiro lugar na eleição, sendo superada pelo Frente País Solidário (FREPASO), um novo partido composto por ex-peronistas.

A emenda constitucional deu autonomia à cidade de Buenos Aires, permitindo sancionar suas leis locais e eleger seu próprio prefeito, que anteriormente era nomeado pelo presidente da nação. De la Rúa foi o primeiro prefeito eleito desta maneira, derrotando o prefeito anterior, Jorge Domínguez. Durante seu mandato, criou ou reformulou várias instituições para se adequar ao novo status da cidade, conforme exigido pela constituição nacional e pela recentemente aprovada Constituição de Buenos Aires.

De la Rúa trabalhou na expansão do Metro de Buenos Aires. As primeiras estações estendidas foram a Linha D, Olleros e José Hernández, inaugurada em 1997, a Estação Juramento foi inaugurada em 1999, e Congreso de Tucumán em 2000. Também iniciou as obras para ampliar a Linha B. Carlos Menem começou a transferir o controle e o financiamento do sistema subterrâneo para a cidade, mas a crise econômica de 2001 interrompeu o processo.

O ex-prefeito Domínguez pretendia expandir a Rodovia Pan-Americana para Saavedra, mas o projeto enfrentou oposição generalizada. De la Rúa reformulou o projeto e construiu uma avenida em vez de uma rodovia, que foi aceita. A avenida foi nomeada Roberto Goyeneche. Ele também reiniciou um projeto para construir a Rodovia Cámpora que ligaria a Avenida Dellepiane com o Rio Matanza-Riachuelo, e estabeleceu a primeira ciclovia não recreativa em Buenos Aires na Avenida del Libertador.

O Pacto de Olivos diminuiu a força eleitoral da UCR, levando ao surgimento do FREPASO. Ambos os partidos uniram-se em uma coligação política, a Aliança, que derrotou o Partido Justicialista (PJ) nas eleições de meio de mandato de 1997. Foi a primeira derrota nacional do PJ desde 1985. Os partidos realizaram uma eleição primária para a eleição presidencial de 1999. De la Rúa representou a UCR; todo o partido, incluindo Alfonsín, o apoiou. A candidata do FREPASO foi Graciela Fernández Meijide, que havia derrotado o peronismo na província de Buenos Aires. De la Rúa ganhou a eleição primária por uma ampla margem. Nas primárias, de la Rúa teve mais votos do que o total recebido pelo candidato de seu partido na eleição presidencial anterior. Apesar de sua vitória, Alfonsín ainda era o presidente da UCR. Eles discordaram sobre quem deveria ser o vice de de la Rúa. Alfonsín optou pelo popular Carlos Álvarez, líder do FREPASO, argumentando que ele poderia atrair mais eleitores e possuía mais conhecimentos políticos; de la Rúa havia cogitado Meijide, pois ela participou das eleições primárias e era de um distrito diferente do dele. A escolha por Álvarez também foi o resultado da política interna da Aliança: com exceção de Meijide, o FREPASO não tinha uma figura política que pudesse concorrer com boas chances para governador da província de Buenos Aires. Se ela tivesse concorrido para vice-presidente, o FREPASO teria que renunciar a essa candidatura para um candidato radical.

Carlos Menem desprezou de la Rúa como um candidato "monótono." De la Rúa explorou essa descrição em anúncios de televisão, abraçando-a e comparando o estilo reluzente de Menem e a corrupção política de seu governo. Também se comparou com o candidato peronista Eduardo Duhalde. De la Rúa prometeu resolver a crise econômica com austeridade fiscal e controles fiscais mais elevados, na esperança de baixar as taxas de juros, trazer mais investimentos estrangeiros e reduzir o desemprego. Além disso, prometeu manter o plano de Convertibilidade estabelecido por Menem que indexou o peso-argentino um a um com o dólar dos Estados Unidos.

A eleição presidencial de 1999 foi realizada em 24 de outubro. De la Rúa derrotou Duhalde com 48,4% dos votos, contra 38,3%, bem acima do limiar para evitar um segundo turno. Domingo Cavallo, ex-ministro da economia de Menem, terminou a disputa em terceiro lugar. De la Rúa foi empossado presidente da Argentina em 10 de dezembro de 1999, assumindo o cargo com um índice favorável de 75%. Ao contrário de Menem, cujo gabinete inicial foi composto por amigos de confiança, o gabinete de de la Rúa incluiu cinco pessoas com diplomas de universidades estrangeiras e quatro economistas.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Fernando de la Rúa | World in Stories